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  • Sônia Apolinário

Repertório de música tradicional irlandesa leva a banda Tailten aos eventos de St. Patrick

Por conta da pandemia do Coronavírus, os eventos tendo St. Patrick como tema deixaram de ser realizados. Em 2022, depois de dois anos de ausência, eles estão de volta. Seja qual for a programação, sempre terá chope verde. E muito provavelmente, show da banda Tailten. O grupo, criado por amigos, em 2009, de forma despretensiosa, se torna onipresente quando 17 de março se aproxima – até mesmo antes e muito depois. Conheça a história dessa banda que toca música tradicional irlandesa com instrumentos tradicionais daquele país. E não, não são descendentes de irlandeses. São todos do Rio de Janeiro, mesmo. Inclusive, de Niterói.



A banda Tailten é formada por Daniel Nicolato (tin whistle, voz, concertina, bones), Raquel Torres (bodhrán, voz, violão), Dani Xis (bouzouki, bandolim, violão, voz), Fernanda Esteves (spoons, pandeirola, voz), Hugo Pansini (fiddle, backvocals) e Ulisses Tavares (bodhrán, backvocals).


Ligando a tecla SAP: tin whistle é um tipo de flauta; concertina é um tipo de sanfona; bodhrán é uma percussão típica irlandesa; spoons é um instrumento musical construído a partir de duas colheres; bouzouki é um instrumento de corda grego que foi adaptado e modificado pelos irlandeses e fiddle é como se chama o violino no meio folk.


Antes de sonharem em ter uma banda, todos eram apenas apaixonados por eventos de temática medieval e cultura celta. Em 2009, Daniel e a esposa Ana Beatriz realizaram um primeiro evento do tipo e convidaram bandas temáticas para se apresentar – sim, existem várias espalhadas pelo país. Em 2012, a verba para produção do evento não permitiu contratar as bandas. Os amigos, então, improvisaram uma. A ideia era fazer uma única apresentação, mas não foi o que aconteceu. Tanto que, em 2015, o grupo decidiu que se tornaria uma “banda de verdade”.


“Todos nós tínhamos a música como hobby, além do gosto pela temática medieval e celta. Já participávamos, desde 2006, das sessions que eram bem comuns no Rio. Como se fosse uma roda de samba, só que com músicas irlandesas. Quem queria cantar, entrava na roda e cantava. Tinha um Irish Pub em Ipanema que agitou muito essa cena cultural, mas que, infelizmente, fechou. Quando vimos que queríamos, mesmo, ser uma banda, cada um se virou para aprender a tocar melhor os instrumentos”, conta Daniel, um dos moradores de Niterói – a outra integrante do grupo nascida na cidade é a Fernanda.


A banda foi batizada como Tailten por conta do nome do evento que produziam: Oenach na Tailtiu - uma homenagem à rainha lendária Tailtiu, da mitologia irlandesa. Tailten significa “de Tailtiu”.


Além do gosto por cultura celta e música, os amigos também são fãs de cerveja artesanal. Assim, de participantes de eventos cervejeiros, acabaram se tornando atração musical desses eventos dos quais St. Patrick faz parte. Em 2016, Ana criou o grupo de dança irlandesa Céilí Brasil e, sempre que é possível, os dois grupos se apresentam juntos.


A maior parte do repertório da Tailten é formado por música tradicional irlandesa, mas eles também compõem ou fazem adaptações. Um dos hits do grupo, por exemplo, é uma adaptação que ganhou o nome de “Morte Maltada” – conta a história de um pé de cevada que sofre muitas torturas até se tornar cerveja.


Outro hit é “Mais uma Drinking Song”. Daniel explica:


“A música tradicional irlandesa tem muita coisa alegre e eles também são fãs de um certo humor meio macabro. Porém, também tem muitas músicas que falam de amor e outras tristes, que falam sobre guerras, por exemplo. Além disso, existem as chamadas drinking songs, criadas para serem tocadas e cantadas em bares. Muitas vezes, quando tentávamos cantar uma música não tão alegre, alguém da plateia pedia uma drinking song. Essa situação nos inspirou para fazer a nossa”.


A Tailten já lançou um álbum - “A Culpa é da Cerveja” e desenvolve um projeto iniciado na pandemia com músicas tendo o mar como temática. Em janeiro do ano passado, a banda fez uma live-show para comemorar os 500 mil streamings no Spotify.


De acordo com Daniel, existe um farto material sobre cultura celta disponível (em inglês) que é usado pelos integrantes da banda como fonte de pesquisas. Assim, o grupo não se limita a tocar as músicas tradicionais, mas gosta também de contar histórias da cultura irlandesa.Visitar a Irlanda é “sonho eterno” dos integrantes da banda. A maioria já foi. Daniel foi um deles e aproveitou para fazer cursos.


Mas porque a cultura celta atrai tantos admiradores, no Brasil?


“Há muitas semelhanças entre os dois povos. Brasileiros e irlandeses são muito musicais e festeiros. Aqui, temos a tendência de nos maravilhar com as coisas tidas como exóticas, mas, de alguma forma, a tradição irlandesa toca as pessoas daqui. Deve existir algo mágico”, afirma Daniel.


E para evitar gafes, uma ajudinha: Tailten se fala “Tal-tchen”.




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