Livro: arte, orixás e China são temas de lançamentos no Rio
- Sônia Apolinário

- há 1 hora
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Um livro-arte sobre o trabalho de uma muralista francesa; o socialismo chinês e a história de orixás são temas de lançamentos literários, no Rio de Janeiro.
Confira
Natureza

“Mata Adentro - Natureza e Arte” reúne trabalhos da pintora muralista francesa radicada no Rio de Janeiro, Dominique Jardy. O livro tem texto da historiadora Lorelai Kury, ilustrado com fotos de Jaime Acioli.
Pelo livro será possível passear por 17 murais e pinturas que embelezam locais como o Copacabana Palace - A Belmond Hotel, a Casa Farm, o Grande Hotel Termas de Araxá, fazendas e residências particulares.
Nascida em uma pequena localidade próxima de Saint-Étienne, Dominique mora no Rio desde 1985. Sua formação artística foi na escola de pintura Van der Kelen, em Bruxelas. De família ligada à produção de pintura de interiores, ela seguiu do seu modo essa linhagem.
Quando veio ao Brasil pela primeira vez, em 1984, a artista viajou pelas cidades históricas de Minas Gerais e pelo sul da Bahia, pintando cenas a guache. No fim desse mesmo ano, decidiu estabelecer-se no país, encantada pela exuberância do país.
Segundo a historiadora Lorelai Kury, a arte de Dominique é "uma fusão entre o estilo tradicional francês e influências culturais variadas, é marcada por composições vívidas e envolventes":
- Para ela, as plantas e os animais são protagonistas. Eles se destacam das pinturas e das telas para interagir com os espaços interiores ou com os observadores, reivindicando seu lugar. Ao fundo, densas matas, as montanhas do Rio de Janeiro, céu e mar. Os animais nas pinturas da artista encarnam o movimento, a curiosidade e o aspecto lúdico da vida. As pinturas são um convite para repovoar com natureza a paisagem antropizada - afirmou Lorelai, doutora em História pela École des Hautes Études en Sciences Sociales (Paris), professora associada do Departamento de História da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e pesquisadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Cnpq).
Serviço
“Mata Adentro - Natureza e Arte”. Editora: Andrea Jakobsson Estúdio, 216 páginas, R$ 200,00. Lançamento terça-feira, dia 10 de março, no ateliê da artista: rua Alice, 1658, Laranjeiras. Das 16h às 22h. Conversa com a artista às 18h.
China

Em "Poder e socialismo: Governança, classes, ciência e projetamento na China" Elias Jabbour e Roland Boer apresentam o que é, afinal, o modelo econômico chinês. Com teoria sólida e baseada em dados, conecta a economia do projetamento ao modelo socialista chinês.
O livro dá sequência ao debate iniciado em "China: o socialismo do século XXI", lançado em 2021, escrito por Jabbour em parceria com Alberto Gabriele.
O paulista Elias Jabbour é geógrafo, professor da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e ex-diretor do Banco dos BRICS. O australiano Roland Boer é considerado um dos maiores especialistas mundiais em marxismo. Leciona na Escola de Marxismo da Universidade de Tecnologia de Dalian, na China.
Em "China: o socialismo do século XXI", os autores fazem uma abordagem materialista, com análise peculiar das relações de propriedade e das ferramentas de planejamento vigentes no país.
Em "Poder e socialismo: Governança, classes, ciência e projetamento na China" são aprofundadas questões tratadas no livro anterior. Além disso, os autores exploram a nova economia chinesa "enquanto forma histórica mais avançada de nossos tempos, enfatizando agora aspecto político e a estrutura de governança do país".
Sem ignorar as contradições que precisam ser analisadas e criticadas, o livro traz para o debate o modelo econômico, político e social que possibilitou com que um país com quase 1,5 bilhão de pessoas pudesse alcançar uma das taxas de crescimento mais estáveis da história moderna, com a criação de uma das principais bases industriais e científicas do mundo, além de se transformar de um dos mais pobres países na segunda economia do planeta.
Serviço
"Poder e socialismo: Governança, classes, ciência e projetamento na China". Boitempo Editorial, 336 páginas, R$ 74,70. Lançamento: Sexta-feira, 13 de março, às 19h, no Clube de Engenharia: Av. Rio Branco, 124, Centro. Com debate.
- Espero vocês nesse momento que será um dos mais marcantes da minha vida. Vamos discutir China, Brasil, poder, projeto nacional e o mundo que está se reorganizando diante de nós. Com dados, com teoria, com debate sério e coragem intelectual. Quero o auditório cheio de gente que pensa grande e não foge de discussão de alto nível - "convocou" Elias Jabbour.
Inscrição gratuita para a palestra de lançamento do livro, aqui
Orixás

Em “Na trilha dos orixás”, o antropólogo e jornalista Ernesto Xavier se aprofunda na potência das tradições de matriz africana e mostra como os ensinamentos dos orixás atravessam o cotidiano, inspirando escolhas, convivência e novas formas de olhar para o mundo.
Também ator, roteirista e mestre em Antropologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Ernesto Xavier cresceu em um terreiro de umbanda, com fortes raízes no candomblé. Foi iniciado aos oito anos como Ogã de Oyá, experiência que atravessa sua trajetória intelectual e criativa. Pesquisador das culturas afro-diaspóricas, é autor de "D.R". e "Senti na pele".
De acordo com o historiador Luiz Antônio Simas, no livro, Ernesto Xavier demonstra que as tradições de matriz africana preservam uma vitalidade rara: enraizadas na ancestralidade, permanecem intensamente ligadas aos desafios do presente, indo muito além do sagrado e reafirmando sua resistência frente às tentativas de apagamento.
- Entre os muitos méritos do livro está a defesa de que as culturas tradicionais são vivas, potentes, sofisticadas. Escapando às armadilhas que empurram os saberes e cosmovisões não brancas para o campo do que é atrasado ou pitoresco, Ernesto Xavier apresenta raciocínios que interessam às comunidades de terreiro, mas não estão circunscritas a elas. Deixa claro como o culto aos orixás é um patrimônio filosófico, artístico, espiritual, que não deve nada a qualquer grande sistema de pensamento que a humanidade produziu - afirmou Simas.
Segundo ele, ao falar sobre os orixás, o autor "ilumina escolhas cotidianas, inspira modos de convivência e oferece caminhos tanto para a dimensão íntima quanto social de nossa vida. Um livro essencial para quem deseja conhecer o tema, mas também um grato recorte para os já iniciados". E conclui:
- Este livro deixa claro que o culto aos orixás é um patrimônio filosófico, artístico, espiritual, que não deve nada a qualquer grande sistema de pensamento.
Serviço
“Na trilha dos orixás”. Editora Goya, 168 páginas. Em pré-venda (R$54,90) com previsão de chegar às livrarias em 28 de abril.
































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