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8M: Série de TV, 'Estopim' mostra porque a violência de gênero só aumenta no Brasil

  • Foto do escritor: Sônia Apolinário
    Sônia Apolinário
  • há 36 minutos
  • 4 min de leitura


Por que a violência de gênero continua tão presente no país? Tendo esse questionamento como ponto de partida, a diretora Ana Teixeira criou a série documental  “Estopim”. A atração será exibida pelo Canal Brasil, a partir de domingo, 8 de março, o dia Internacional da Mulher.


A série é formada por cinco episódios, que serão exibidos ao longo da semana de estreia, sempre às 21h. Cada um é dedicado a um “tipo” de crime: político, conjugal, sexual, de ódio e invisibilizado.


Sem se limitar à investigação policial e à responsabilização individual dos casos, a produção volta o olhar para os contextos sociais, culturais e institucionais que ajudam a explicar por que a violência de gênero continua tão presente no país.


A partir de casos conhecidos do público, “Estopim” analisa a reação da sociedade, da mídia e do sistema de justiça, ao mesmo tempo em que investiga os fatores históricos e culturais que contribuem para que essas violências continuem.


Ao buscar as circunstâncias que antecedem a “explosão”, a série transforma relatos de crimes em uma reflexão sobre memória, responsabilidade coletiva e transformação social.

Realizada por uma equipe composta majoritariamente por mulheres, a produção reúne entrevistas com algumas das principais vozes do debate público sobre violência de gênero, como Maria da Penha, Anielle Franco, Mônica Benício, Valeska Zanello e Soraia Mendes, entre outras especialistas, ativistas e pesquisadoras.


Com direção de arte e ilustração de Lívia Serri Francoio e Luma Flôres, a série aposta em animações e imagens metafóricas que atravessam os episódios. Os recursos, segundo a diretora, ajudam a abordar os casos de forma a preservar as vítimas e evitando a exposição direta das situações retratadas.


- E se buscassem os culpados para além dos que apertaram o gatilho? Se o feminicídio é o grau máximo de violência contra mulher, rebobinar a fita e questionar o caminho que leva até essas agressões poderia ajudar a evitar novas mortes - afirmou a diretora.


Episódios


O primeiro episódio, “Crimes Políticos” (no ar em 8/03), examina assassinatos com motivação política que tiveram mulheres como alvo. A partir dos casos de Marielle Franco, Patrícia Acioli e Dora Barcellos, o capítulo mostra que essas mortes não são casos isolados e aponta falhas das instituições, além da violência de gênero que está presente nessas histórias.


O segundo episódio, “Crimes Conjugais” (9/03), analisa casos cometidos em relações afetivas, muitas vezes classificados como “passionais”. Ao revisitar os casos de Eloá Pimentel, Ângela Diniz e Sandra Gomide, a série questiona a cultura de posse sobre o corpo feminino e retoma o debate sobre a violência doméstica. O episódio traz o depoimento de Maria da Penha e reflete sobre os avanços da lei.


O terceiro episódio, “Crimes Sexuais” (10/03), parte dos casos de Aída Curi e Mônica Granuzzo para mostrar como abusos, estupros e assassinatos costumam ser tratados de forma sensacionalista, muitas vezes tirando o foco da origem da violência sexual e reforçando a objetificação do corpo feminino.


O quarto episódio, “Crimes de Ódio” (11/03), revisita as histórias de Gisberta Salce, Dandara, Luana Barbosa e Carol Campelo para tratar de assassinatos motivados por preconceito e intolerância. O episódio mostra como gênero, identidade de gênero, orientação sexual, raça e classe social marcam essas histórias.


O quinto episódio, “Crimes Invisibilizados” (12/03), aborda feminicídios que permanecem fora do debate público em razão da origem, classe ou etnia das vítimas. Ao destacar também a Marcha das Margaridas como símbolo de resistência coletiva, o episódio ressalta a força da mobilização social em um contexto em que esses crimes muitas vezes recebem pouca atenção. A marcha é uma mobilização nacional de trabalhadoras rurais que reivindica direitos sociais e o combate à violência contra mulheres do campo e da floresta. Realizada desde 2000, a cada quatro anos reúne manifestantes em Brasília.


Reprises: nas madrugadas de sábado para domingo, a partir do dia 05/04, à 00h (1 episódio por dia); ao longo da semana, a partir de segunda, dia 06/04, às 18h15, com 1 episódio por dia.


A série foi produzida pela Escafandra Transmedia com recursos do Programa de Ação Cultural (ProAC) e realizada com recursos do Banco Regional do Sul, por meio do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), e da Lei Paulo Gustavo da cidade de São Paulo.


Números do feminicídio


O Brasil atingiu número recorde de feminicídio em 2025, com 1.518 vítimas, no ano em que a sanção da Lei do Feminicídio completou dez anos.


A norma inseriu no Código Penal o crime de homicídio contra mulheres no contexto de violência doméstica e de discriminação. Os dados são do Ministério da Justiça e Segurança Pública.


No ano anterior, em 2024, o país já havia atingido recorde, com 1.458 vítimas.


De acordo com o Mapa Nacional da Violência de Gênero, somente entre janeiro e junho de 2025, 4 mulheres foram mortas, por dia, por razões de gênero e 35 são agredidas por minuto.


Também foram contabilizados 33.999 estupros contra mulheres no mesmo período, o que dá uma média de 187 casos por dia.


O MNVG indica que, historicamente, o Brasil registra altas taxas de violência contra mulheres, especialmente no contexto doméstico e familiar, com a maioria dos casos de feminicídio ocorrendo dentro de casa por parceiros ou ex-parceiros.


O canal Ligue 180 do Governo Federal segue como ferramenta central para registro de denúncias e orientação às vítimas, operando de forma gratuita e sigilosa.










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