Projeto Batida de Bloco garante Carnaval o ano inteiro em Niterói
- Sônia Apolinário

- há 50 minutos
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Quem passa por um trecho da orla de Charitas, em Niterói, quarta-feira à noite, jura que a cidade ainda vive seu Carnaval - em qualquer época do ano. Isso porque, no quiosque Maloca Cultural, ao lado da estação do Catamarã, a percussão "come solta" durante a aula semanal da Batida de Bloco.
O projeto é uma oficina (paga) e seus integrantes ajudam a engordar o naipe de músicos de blocos da cidade. Eles estarão, por exemplo, no próximo sábado (7), no cortejo do Italiano não é Joelho que, aparentemente, encerra (no calendário) o Carnaval de Niterói.
A oficina Batida de Bloco foi criada em janeiro do ano passado pelos músicos Marcelo Freitas (voz, violão e bateria), Fred Maia (trompete) e Zeca Blak (surdo e caixa). A iniciativa partiu de Marcelo que, há 23 anos, criou a banda de rock BR 80, ainda ativa na programação musical de Niterói, onde ele toca bateria.
O Carnaval entrou na sua vida há seis anos. Um belo dia, ele pediu para tocar com a Sinfônica Ambulante e, como diz, "se apaixonou".
- Quando a gente começa a tocar no Carnaval não quer parar mais - disse Marcelo.
Com o crescimento do Carnaval de rua, primeiro no Rio, e, agora, iniciando em Niterói, ele percebeu que muitas pessoas ficam com vontade de tocar nos blocos. Exatamente como aconteceu com ele. Mas nem todos sabem tocar um instrumento. A oficina foi criada para suprir essa lacuna.
Na Batida de Bloco, são ministradas aulas de caixa, surdo, timbal, tamborim ou ganzá. Cada instrumento tem seu monitor. Segundo Marcelo, a maioria começa do zero. É comum experimentar os instrumentos até o aluno descobrir qual lhe toca.
- Todo mundo é músico. Basta querer - afirmou Marcelo, categoricamente.
É Marcelo quem escolhe as músicas que serão aprendidas pelos alunos, tentando não repetir muito o que os blocos da cidade estão tocando. Por lá, rola somente música brasileira. E duas não podem ficar fora, seja de ensaio ou apresentação, porque os alunos não permitem: "Várias Queixas" (Gilsons) e "Brasil" (Cazuza).
E com o passar dos meses, o forró se junta ao repertório porque a Batida de Bloco também adora uma festa de junina e participa de várias.
No Carnaval, além de marcar presença em blocos de terceiros, o grupo forma seu próprio bloco, mas não sai em cortejo, a apresentação é parada. A Batida de Bloco não é uma fanfarra porque não tem instrumentos de sopro; é um bloco percussivo. E para as apresentações vale ter caixa de som, com Marcelo na voz e no violão ajudando a conduzir o grupo.
Os ensaios da oficina acontecem semanalmente, das 20h às 21h30. Uma vez por mês, o Batida de Bloco faz um ensaio aberto, em um local diferente do quiosque.
- O astral dos componentes é incrível. Viramos uma tribo que tem na música e na festa suas principais afinidades. São pessoas que se permitiram aprender um instrumento. E ficam com sede de tocar. É por isso que o Carnaval não termina em Niterói - afirmou Marcelo.
Serviço
Oficina Batida de Bloco
Ensaios às quartas-feiras, das 20h às 21h30, no Quiosque Maloca Cultural - Av. Pref. Silvio Picanço, 23, Charitas
Mensalidade: R$ 180
































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