Uma aposta chamada brewpub

Uma das apostas para 2018, no meio cervejeiro, é que haverá um “boom” de brewpubs no país. O enquadramento do setor no Simples Nacional, a partir do próximo ano, é uma das alavancas desse movimento. Porém, não é a única. Quem tem falado bastante sobre o “momento brewpub” que está para chegar é o sommelier e consultor Carlo Bressiani, diretor geral da Escola Superior de Cerveja e Malte, com sede em Blumenau (SC).

 

Segundo ele, o que faz do brewpub uma aposta “pule de dez” para o próximo ano é uma conjuntura que reúne o Simples Nacional, novos equipamentos disponíveis no mercado brasileiro, atualização da legislação em várias cidades do país que estimula especificamente este tipo de estabelecimento e essa palavra vaga chamada “tendência”.

 

Neste caso, a tendência é ditada pelo mercado externo. Bressiani informa que, nos Estados Unidos, 60% das cervejarias são brewpubs.  Na America do Sul, na vizinha Argentina, os bares que vendem diretamente para o consumidor final sua cerveja produzida no mesmo local correspondem a 25% do mercado. Já na Europa, esse tipo de negócio representa 15% do setor cervejeiro. No Brasil, os brewpubs chegam, no máximo, a 5% do segmento, ou seja, “tem espaço de sobra” para crescer, de acordo com avaliação de Bressiani.

 

Ele observa que, apenas nos últimos anos, o Brasil passou a ter disponível no mercado equipamentos para empreendimentos de pequeno porte, ou seja, para quem quer produzir de 150 a 200 litros – tamanho adequado para um brewpub.

 

No quesito legislação, nos últimos dois anos, várias cidades alteraram as regras que regem seu zoneamento urbano para permitir atividades “fabris” de pequeno porte em áreas centrais. Porto Alegre (RS) foi uma das cidades a sair na frente desse processo e a lei já está regulamentada. Em Niterói (RJ) aconteceu o mesmo movimento e toda uma nova legislação foi recentemente aprovada e está sendo regulamentada – para citar apenas dois exemplos.

 

Bressiani acredita que essas alterações legislativas vão criar uma “onda positiva” de estímulo ao crescimento do negócio cervejeiro. Além disso, lembra, enquanto para montar uma fábrica é necessário pelo menos um investimento de R$ 1 milhão, um brewpub exige cerca de R$ 200 mil.

 

Quanto ao Simples Nacional, a partir de 2018, microcervejarias já atuantes ou novas, que faturem até R$ 4,8 milhões por ano, ou seja, com produção abaixo de 20 mil litros mensais, poderão se beneficiar com uma carga tributária menor. Ao invés de pagar 36% de imposto, passarão a pagar 10%, “o que viabiliza muita coisa”, na opinião de Bressiani.

Então, no ano que vem,  tudo serão flores de lúpulo para o mercado de cerveja artesanal¿ Não, mesmo.

 

“A cerveja artesanal é um negócio. É preciso ver onde estão as oportunidades. A maioria quer se instalar no mesmo lugar enquanto tem cidades com 80 mil habitantes, que comportam até duas cervejarias funcionando, sem nenhuma”, comenta Bressiani.

 

Ele cita o Rio Grande do Sul, “estado com mais cervejarias no Brasil”: 140.  Esse número representa 50% das cervejarias do país. Nesse caso, é possível, na sua avaliação, que o mercado para novas fábricas esteja “chegando no teto”.

 

Já no Rio de Janeiro, o que muitos enxergam como “bolha” é, na sua opinião, falha no modelo de negócio do cervejeiro, mais especificamente, no cigano.

 

Cigano é o cervejeiro que cria sua receita e “contrata” uma cervejaria para produzir sua bebida. Dessa forma, sua cerveja já chega no mercado legalizada (com o MAPA), mas também com custo elevado.

 

“Quem acha que vai sobreviver eternamente sendo cigano está equivocado. Cigano não ganha dinheiro porque sua cerveja fica cara. Ser cigano deve ser apenas um estágio no plano de negócio. No Rio, essa questão é ainda mais complicada por conta do alto custo dos imóveis para quem sonha em ter sua fábrica própria”, comenta.

 

De uma maneira geral, Bressiani percebe como sendo o grande problema para o setor o trabalho de gestão da empresa. Ele diz que, de uma maneira geral, o cervejeiro artesanal vibra com seus produtos, “mas poucos são apaixonados pelo seu negócio”.

 

“Fazer uma cerveja razoável ou mesmo boa para um brewpub tem muita gente que sabe fazer. Já quem saiba gerir  o negócio é que são elas”, comenta.

 

                                                            Para comentar, aqui

 

 

  

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