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  • Sônia Apolinário

Álbum 'Nordeste Ficção', de Juliana Linhares, ganha espetáculo virtual

Um show sem plateia captado como filme que poderá ser visto como uma série de TV. Uma cantora que também é atriz; diretores que são atores. Em cena, a proposta é encher os olhos com beleza e os ouvidos com alegria. Tudo junto e misturado para mandar uma mensagem - ou lançar uma indagação: o Nordeste brasileiro é uma invenção? Esse é o clima do espetáculo “Nordeste Ficção”, da artista potiguar Juliana Linhares, que tem sido comparada com a artista pop Lady Gaga por conta do seu visual e performances. Dividido em três partes, hoje (sexta-feira, 15) é a estreia da primeira, às 21h, no site do Teatro Unimed. Grátis.



Cantora e compositora nascida em Natal (RN), Juliana Linhares também é a voz à frente da banda Pietá, desde 2012, e integrante do grupo musical Iara Ira. Ela já trabalhou com João Falcão em A “Ópera do Malandro” e “Gabriela”, esteve ao lado de Angel Vianna no espetáculo “O Tempo Não Dá Tempo” e foi diretora assistente da peça “Vamos Comprar um Poeta”. Todo esse currículo é para dizer que não é possível “guardar” Juliana em uma única “gaveta”.


O que foi transformado em espetáculo foi o álbum homônimo lançado pela artista, este ano. Com a obra, sua proposta foi, se não derrubar, pelo menos questionar e começar a desconstruir os clichês associados à região nordeste do Brasil.


"Os clichês me dão vontade de mudança e isso me motiva”, costuma dizer Juliana.


Nessa primeira parte, chamada de “Ficção 1: eu quero é cantar pros meus OU conheço meu lugar”, Juliana canta músicas que considera “pérolas” como “Conheço o Meu Lugar” (Belchior); “Sou o Estopim” (Antonio Barros/Cecéu), um clássico popular do Nordeste; “Capim do Vale” (Sivuca/ Paulinho Tapajós), o primeiro grande sucesso de Elba Ramalho; e outras produções mais recentes, como “Menti pra Você” (Karina Buhr).

“Quando cheguei no sudeste, muita coisa que eu costumava ouvir em casa, as pessoas não conheciam. Entendi que poderia ser uma ponte entre as duas regiões. Então, tenho buscado trazer coisas que as pessoas não conhecem de compositores do nordeste. Ao mesmo tempo, não acho que seja necessário usar um chapéu de cangaceiro para cantar essas músicas. Quero mostrar um nordeste livre de uma história única", comentou ela durante entrevista coletiva para imprensa, realizada de forma virtual.


O espetáculo foi gravado em uma jornada de trabalho que durou das 8h às 22h. Ou seja, “é outra energia de criação”, como pontuou a artista. “É uma outra forma de fazer, mais controlada”.


E quem vê Juliana em cena, pensa em tudo, menos em controle.


Como explicou o diretor artístico Marcus Preto, o espetáculo celebra o “ser nordestino”, em toda a sua "intensidade e diversidade". Segundo ele, tudo foi feito de forma que mostrasse “a cara e a força” de Juliana, em seu primeiro trabalho solo.


“Quando se vê a Ju em cena, a gente muda completamente a percepção do som dela”, comentou Preto.


De acordo com Johnny Massaro, sua principal “função”, ao lado de Maria Trika, foi transformar o som de Juliana em imagem para “multiplicar as camadas de significado” da sua arte e “complementar sua performance explosiva”.


Formado em cinema, ele é diretor e ator com diversos papéis em novelas, séries e minisséries na TV, onde estreou em 2005, e estará no elenco de Verdades Secretas 2 (Rede Globo). No cinema, estrelou "O Filme da Minha Vida" (2017), dirigido por Selton Mello, entre outros trabalhos. Ele foi um dos dez atores de "Dez por Dez", obra de Neil Labute, apresentada no próprio Teatro Unimed em Casa. "Nordeste ficção" foi seu primeiro trabalho como diretor de um espetáculo musical.


Juliana disse não ter se incomodado por ter sido dirigida por um “sudestino”:


“Minha trajetória é do sudeste. O sudeste me atravessa, então, não tinha problema o Johnny me dirigir”.


Na opinião de Maria Trika, o som de Juliana "é muito imagético", ao mesmo tempo, em que "ela traz uma desconstrução da imagem estereotipada da nordestina"


"Juliana tem muita presença e consciência da imagem”, observou Maria Trika, também artista plástica, cineasta e crítica de cinema. "As diferentes linguagens no audiovisual estão muito misturadas no nosso imaginário. Estamos lidando com esse hibridismo o tempo todo”.


Imagens dos bastidores, captadas em VHS, foram usadas na edição do espetáculo. Esse recurso, segundo Johnny, “deu um caráter de filme” para o programa, que será exibido em formato de série de TV. Porém, também poderá visto integralmente, como um filme, após a exibição da terceira parte da atração.



Na opinião de Juliana, esse recurso do VHS vai ajudar o público a sair do “deslumbramento” da ficção e voltar, por instantes, para a realidade, antes de mergulhar na ficção outra vez – um movimento que ela disse ter gostado.


O show-filme será apresentado em três partes, cada uma com sua própria identidade, com estreias sempre às sextas-feiras. O filme completo poderá ser visto no site do Teatro Unimed até o dia 7 de novembro.


Na segunda parte, chamada de “Ficção 2: quem é você pra derramar meu mungunzá OU escapulida proibida pro imaginário”, que estreia no dia 22 de outubro, Juliana apresenta algumas músicas muitos conhecidas do público, como o forró “Tareco e Mariola” (Petrúcio Amorim); “Contrato de Separação” (Dominguinhos/Anastácia), um clássico gravado por Nana Caymmi, Elba Ramalho e outros grandes nomes; “Tesoura do Desej”o (Alceu Valença), o maior sucesso do Alceu Valença nos anos 90, em que ele fazia dueto com Zizi Possi; e duas músicas com a participação especial de Zeca Baleiro, com quem Juliana divide o palco pela primeira vez: “Meu Amor Afinal de Contas” (Zeca Baleiro/Juliana Linhares) e “Bandeira” (Zeca Baleiro).


O espetáculo se completa com a terceira e última parte, “Ficção 3: o frivião que não deixa se aquietar OU eu não posso mudar o mundo mas eu balanço OU a sombra que me move também me ilumina”, que inclui uma música do repertório de Clemilda, “É Mais Embaixo” (Durval Vieira); um dos grandes sucessos do Zé Ramalho, “Galope Rasante”; e uma pérola de Cátia de França, “Coito das Araras” (com a participação especial de Josyara.

Com o show-filme “Nordeste Ficção”, o público será convidado a apoiar o GAMI – Grupo Afirmativo de Mulheres Independentes do RN (@gamimulheres), projeto que promove a formação, a profissionalização e a cidadania para meninas, jovens e adolescentes no Rio Grande do Norte, com ações educativas em artes e esportes. Iniciativas anteriores foram dedicadas ao Backstage Invisível, Fundo Marlene Colé e à APTR - Associação dos Produtores de Teatro.



Veja o espetáculo "Nordeste ficção", aqui

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