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Tradicional Cordão do Boitatá estreia no circuito dos megablocos do Rio

  • Foto do escritor: Sônia Apolinário
    Sônia Apolinário
  • há 2 horas
  • 4 min de leitura
Foto: Sabrina Mesquita
Foto: Sabrina Mesquita

Em 2026, o Cordão do Boitatá completa 30 Carnavais. Como presente, recebeu o reconhecimento da prefeitura do Rio que, sim, trata-se de um megabloco - afinal, ano passado, reuniu cerca de 40 mil foliões no seu cortejo.


Dessa forma, este ano, esse que é um dos blocos pioneiros na retomada do Carnaval de rua do Rio de Janeiro, vai desfilar, pela primeira vez, no Circuito Preta Gil, área do Centro da cidade reservada para os blocos gigantescos. Será no próximo domingo (8), com concentração às 7h na Rua Primeiro de Março, seguindo até a Avenida Presidente Antônio Carlos.




Não esperem, porém, que a Serpente de Fogo e os músicos estejam no alto de um trio elétrico, formato dos megablocos que saem naquela região. O cortejo do Boitatá segue, tradicionalmente, no chão. Até porque, só de músicos são 200.


O "presente" da prefeitura levou alegria (e alívio) para os responsáveis pelo bloco. Kiko Horta, um dos seus criadores e diretor musical do Cordão do Boitatá contou que, "há alguns anos", tenta esse reconhecimento por parte da prefeitura por conta do tamanho do cortejo - um somatório de integrantes, foliões e ambulantes, que tem dificultado o deslocamento do grupo.


- Ano passado, no Largo da Carioca, o cortejo não conseguiu andar porque tinha um mar de carrinhos de ambulantes. A gente fica muito tenso. Além disso, nos deparamos com postos de vistorias da prefeitura na nossa concentração porque saímos em dia de megabloco 'oficial'. Sem falar que, justamente por conta disso, o policiamento em outras áreas fica reduzido. O Cordão é uma orquestra acústica, precisamos de anteparos acústicos, no caso, os prédios. Não dava para simplesmente nos deslocarmos para o Aterro do Flamengo, por exemplo - explicou Kiko em entrevista para o ComuniC.



Foto: André Rola
Foto: André Rola

O Cordão é uma orquestra acústica e lúdica. No repertório, marchinhas, MPB e uma variedade de ritmos brasileiros, com direito a Heitor Villa-Lobos, na abertura. Muitos pernaltas e dezenas de estandartes levam beleza colorida para o desfile. Um colorido reforçado pelas fantasias dos foliões.


A principal alegoria é o Boitatá, a grande serpente de fogo que, reza a lenda, protege matas e florestas contra destruidores e incendiários. Digamos que, na cidade grande, durante o cortejo, a serpente assume a função de proteger e preservar a cultura popular e o Carnaval de rua do Rio. Este ano, inclusive, a serpente está sendo refeita. Aos 30 anos, o Boitatá vai "trocar de pele", como brincou Kiko.


Desde 2022, o Cordão é reconhecido como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Estado do Rio de Janeiro. E o Centro da cidade sempre foi a sua "casa".


Quem poderia imaginar que um grupo de 15 pessoas, que um dia decidiu brincar o Carnaval em uma área quase deserta do Rio, acabaria se transformando em um megabloco. A Praça XV era o ponto de concentração que teve que ser deslocado com a demolição do Elevado da Perimetral.


Serpenteando por ruas estreitas do Centro da cidade, o Boitatá passou a ter a rua da Carioca como via principal. Uma rua que também entrou em obras para se transformar na Rua da Cerveja, um projeto de revitalização da prefeitura.


Para lá e para cá, o público seguiu junto. Sempre aumentando. A fama de Carnaval alegre, tranquilo, bonito e familiar foi a senha para o sucesso do boca-a-boca entre os foliões.


- Nós precisamos de rua larga para desfilar porque o público tem que ter lugar para brincar. É importante que os blocos da cidade estejam presentes no Circuito Preta Gil. E nós vamos oferecer uma festa diferente por lá - afirmou Kiko.


No novo local, a principal novidade do Boitatá será um cortejo mais lento. A orquestra, com uma bateria maior, fará várias paradas - atenção, não é paradinha, é tocar parado. Serão prestadas homenagens a Preta Gil, Áurea Martins, Hermeto Pascoal, Paulinho da Viola, Hermínio Bello de Carvalho e Odette Ernest Dias.


Quem acompanha o bloco de perto pode curtir uma prévia do que vai acontecer no domingo. Pela primeira vez, o Boitatá ensaiou na rua. Foi na terça-feira passada (4) quando, à noite, percorreram todo o itinerário do circuito Preta Gil. Sem divulgação, é claro.


- Queríamos saber como a orquestra soaria ao longo do trajeto. Deu tudo certo - disse Kiko.



Foto: André Rola
Foto: André Rola


Baile Multicultural


Além do cortejo, o Boitatá também promove um baile multicultural, na Praça XV, que, em 2026, completa 20 anos. Será dia 15 de fevereiro.


O evento, que tem cerca de dez horas de duração, também vem enfrentando dificuldades na relação espaço-público-ambulantes. Uma providência tomada no ano passado vai se repetir este ano: o gradeamento de uma área a partir do palco.


- Cercamos a frente do palco de uma forma que carrinhos grandes de ambulantes não conseguem passar. Não se trata de área Vip, qualquer pessoa pode entrar, menos camelô com carrinho. Nós respeitamos os ambulantes, são trabalhadores, mas o diálogo com eles nem sempre é tranquilo. O público não estava conseguindo ver os shows porque estava ficando atrás de uma barreira de ambulantes. Queremos que o público volte a curtir o baile com tranquilidade - explicou Kiko.

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