Rio e Niterói promovem festejos pelo Dia de Iemanjá
- Sônia Apolinário

- há 11 minutos
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Na segunda-feira, 2 de fevereiro, é celebrado o Dia de Iemanjá. No Rio e em Niterói, serão realizados eventos já tradicionais nas duas cidades.
Rio
A partir das 6h30, os Filhos de Gandhi promovem o "Presente para Iemanjá", evento realizado há 50 anos, O ponto de partida é na Rua Camerino, nº 7/9, região da Pequena África, na Saúde. Lá ocorrerá um ritual (xirê) com saudações aos orixás e será servido café da manhã gratuito.
Um cortejo sairá do local em direção à Praça Mauá (região portuária). Em seguida, parte a embarcação para a entrega de presentes e oferendas a Iemanjá, como perfumes, sabonetes, champanhe, flores brancas e arroz doce. A embarcação retorna e até a noite (21h) haverá apresentações musicais.
"Venha de branco, venha com respeito, venha com o coração aberto. O Presente para Iemanjá é mais do que uma festa. É tradição, é memória viva, é axé passado de geração em geração", diz trecho de texto de convocação para o evento feito pelos organizadores.
Do Centro para a Zona Sul

No Arpoador, em Ipanema, a celebração para Iemanjá começa às 10h e segue até às 22h. Esta é a quinta edição do evento e a primeira após o reconhecimento como patrimônio cultural imaterial do Rio de Janeiro.
Segundo os organizadores, haverá 21 atrações musicais e a participação de dezenas de casas de Umbanda e Candomblé.
O cortejo com oferendas será à tarde, com concentração na altura da estátua de Tom Jobim a partir das 15h e saída às 16h. A expectativa é de grande público. No ano passado, mais de 25 mil pessoas participaram.
No mesmo horário, será realizada a Feira Crespa, com gastronomia, moda e artesanato, no Parque Garota de Ipanema, também no Arpoador.
Niterói

As praias de Charitas e Icaraí serão os locais da celebração para Iemanjá, na cidade. Em Charitas, o evento começa às 15h, na altura do Quiosque da Orla, sob comando de Mãe Tânia de Iansã. Em Icaraí, a celebração será na altura da Miguel de Frias, a partir das 17h, com coordenação de Nelma Ty Iemanjá.
Nos dois locais, a programação é parecida com a realização de feira de gastronomia e artesanato de povo de terreiro, apresentações culturais ancestrais e a presença de várias casas de Umbanda e Candomblé.
- Vamos entregar o Presente de Iemanjá tanto no barco (tradição da Umbanda) quanto no balaio (Candomblé). Nosso evento acontece há dez anos. São dez anos de resistência, quebrando preconceitos, provando que somos povo de axé - afirmou a Yalorixá Nelma Ty Iemanjá.
A entrega das oferendas no ar está prevista para às 21h. Tradicionalmente, antes do cortejo para a entrega de oferendas, acontece um momento especial para os adeptos de religiões de matrizes africanas: o Xire.
Trata-se de uma roda onde todos os Orixás são louvados e suas presenças evocadas. Nesse momento são prestados agradecimentos pelas bênçãos recebidas.
Iemanjá
Iemanjá (Yemọjá na Nigéria, Yemayá em Cuba ou ainda Dona Janaína no Brasil) é o orixá dos ebás, a deusa da fertilidade originalmente associada aos rios e desembocaduras.
Seu culto principal estabeleceu-se em Abeocutá após migrações forçadas, tomando como suporte o rio Ogum de onde manifesta-se em qualquer outro corpo de água.
Celebrada em Ifé como filha de Olocum a divindade dos mares, essa simbiose lendária foi enaltecida no processo da diáspora africana resultando na assimilação de Iemanjá dos atributos da água salgada, sendo o motivo para a sua associação aos mares no Novo Mundo.
O seu arquétipo maternal consolidou-se sobretudo como Mãe de todos os Orixás.
No Brasil Iemanjá é o orixá mais popular, festejado com eventos públicos.
Figura na Dona Janaína uma personalidade à parte, sedutora, sereia dos mares nordestinos, com cultos populares simbólicos e acessíveis que muitas vezes não expressam necessariamente uma liturgia.
































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