• Sônia Apolinário

No Dia Mundial do Café, um brinde com produção premiada do Rio de Janeiro

Em 14 de abril se comemora o Dia Mundial do Café. Para celebrar, o brinde será com café nacional, do Rio de Janeiro. Mais precisamente, do município de Varre-Sai, que produz 45% de todo o café do Estado. É de lá o Sítio Vai e Volta, que foi o grande vencedor do 4º Concurso de Cafés Especiais do Estado do Rio de Janeiro.



Varre-Sai fica no noroeste do Estado, região responsável por 80% da produção Fluminense de café. O Rio de Janeiro reúne cerca de três mil cafeicultores - a maioria de pequenos produtores. O segmento movimentou, no ano passado, cerca de R$ 108 milhões.


O Sitio Vai e Volta conquistou três medalhas no concurso, realizado no início do ano. Levou ouro nas duas categorias: Natural e Cereja Descascado, sendo que na categoria Natural, conquistou também a medalha de bronze.


O café Natural vencedor tem como características sensoriais chocolate, fermentado, alcoólico, frutado, tâmaras, mel, jasmim, pimenta rosa, cítrico, acidez málica-cítrica e corpo licoroso.


Já o medalha de bronze na categoria tem sensoriais de chocolate, tabaco, chá mate, castanha, caramelo, amadeirado, pimenta, laranja, adstringência, acidez cítrica e corpo sedoso.


O sensorial do campeão entre os Cereja Descascado é com chocolate ao letie, doce de leite, caramelo, mel, chá mate, avelã, cítrico de laranja, malte, finalização prolongada com referência da hortelã, acidez cítrica e corpo denso e cremoso.


Sensoriais diferentes em uma mesma propriedade é a “mágica” da produção em micro lotes, a razão de ser dos cafés especiais. Nem sempre, porém, foi assim, no Sítio Vai e Volta, da família Rodolphi.


Na casa sede, construída em 1927, moraram os bisavós dos atuais proprietários, imigrantes portugueses. A família cresceu ao se unir a imigrantes italianos. Em comum, o trabalho na lavoura de café, tradição que passou de pai para filho e chegou aos irmãos Fidélis e Fabiano.



A “revolução” no Vai e Volta aconteceu a partir de 2015, com a atuação do professor e pesquisador Flávio Borém, da Universidade Federal de Lavras (UFLA), tido como o “embaixador dos cafés especiais brasileiros” em congressos internacionais.


“Não fazíamos ideia do que era café especial. Ele ensinou práticas de produção e Fidélis ficou apaixonado por esse processo que agrega valor ao nosso café”, conta Chryslla, esposa de Fidélis.



Ela, o marido (à esquerda com o filho Bento), o irmão dele e a esposa Maria Auxiliadora (casa à direita) foram o quarteto que, atualmente, cuida do sítio e responde pela produção do café. Cada um é responsável por um setor. Porém, quando chega a hora da colheita, todos vão juntos para a plantação – e esse momento está perto. A previsão da safra 2021 é para final de abril, início de maio.


“O café especial é feito de pequenos detalhes, da colheita à torra. É preciso colher o fruto no ponto certo. Selecionar os grãos, numerar os lotes e trabalhar cada um deles em separado. Porque um fruto de um lote vizinho pode ser bom e o outro não. Quando o café está no pé, não temos como saber se será especial ou não. O aprimoramento é constante, não só nas práticas de colheita, mas também de pós colheita”, explica Chryslla.


O primeiro prêmio para o “novo” café da família chegou em 2015, mesmo. Até 2018, já tinham conquistado o terceiro lugar em premiações. Em 2019, chegaram à primeira medalha de prata e, agora, duplo campeonato e o uma medalha de bronze.


O investimento mais recente da família foi na torrefação, que passou a ser feita no próprio sítio. De acordo com Chryslla, quanto mais o produtor consegue manter o controle do processo, até que o café chegue na casa do consumidor, melhor.


“Nossa meta é buscar a xícara perfeita. Independente de ganhar concurso”, comenta. “O café faz parte dos pequenos momentos do dia a dia das pessoas. O que nós queremos é que esses momentos se tornem únicos, saborosos, especiais”.


Por que o sítio se chama Vai e Volta?


“Antigamente, quando as terras eram do Antônio Português, o avô do Fidélis, aqui era um vai e volta. Não tinha passagem para outros lugares. Era uma estrada que não tinha continuidade. Quando chegava até aqui, tinha que voltar. Daí ficou o vai e volta”, conta Chryslla.



Fotos: Rafael Cruz


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