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Canetas emagrecedoras bagunçam o varejo: venda de arroz despenca e de carne sobe

  • Foto do escritor: Sônia Apolinário
    Sônia Apolinário
  • há 8 minutos
  • 3 min de leitura

Foto: Pixabay
Foto: Pixabay

O uso de medicamentos GLP-1, as chamadas canetas emagrecedoras, já está provocando uma revolução nos hábitos alimentares do brasileiro. Quem afirmou isso foi Belmiro Gomes presidente do Assaí Atacadista, ao participar, recentemente, de um painel na Latin America Investment Conference.


"Estou sempre de olho nas mudanças nos hábitos alimentares do brasileiro e um movimento que parecia tímido, ganhou muita força no último ano: o emagrecimento da população por meio dos medicamentos à base de GLP-1. Com elas, é possível ver o reflexo no prato: menos quantidade de alimentos e mais procura por itens saudáveis e proteicos. E isso impacta diretamente o que vendemos nas lojas", escreveu ele em seu perfil no LinkedIN.


Não por acaso, há dois anos, o Assaí começou a implantar açougues nas suas lojas. Em 2026, começam a ser implantadas, também, farmácias. Vender proteína, suplementos e vitaminas é o foco da gigante atacadista com vistas aos novos hábitos alimentares que estão sendo criados no país pelos consumidores de GLP-1.


Canetas em alta


O consumo de GLP-1 (Ozempic e similares) explodiu no Brasil. Esse tipo de medicamento teve um aumento de 88% nas importações, em 2025, movimentando cerca de R$ 9 bilhões - superou importações de produtos como celulares, por exemplo.


Desde 2018, houve um aumento de vendas desses medicamentos da ordem de 1.063%, no país. Isso porque, apesar da indicação apenas para tratamento de diabetes tipo 2, o GLP-1 (que é injetável pelo próprio "paciente") está sendo utilizado para emagrecimento.


O "milagre" do emagrecimento



Foto: Reprodução site Senado Federal
Foto: Reprodução site Senado Federal

O GLP-1 (Glucagon-like Peptide -1) é um hormônio produzido pelo intestino quando comemos e tem vários efeitos regulatórios no nosso organismo, como aumentar a secreção de insulina, reduzir a secreção de glucagon e sinalizar ao cérebro que estamos alimentados, diminuindo a fome e levando à sensação de saciedade.


Porém, não basta aplicar o hormônio no próprio corpo. Quem busca emagrecimento tem que seguir algumas regras: a dieta para usuários desse medicamento foca no consumo elevado de proteínas magras (frango, peixe, ovos, iogurte grego), fibras (vegetais, grãos integrais) e hidratação.


Essa dieta não é fruto de reeducação alimentar. Apenas visam aumentar a saciedade e, principalmente, minimizar efeitos colaterais, como náuseas e refluxo. É recomendável que as refeições sejam menores, frequentes e com pouca gordura e açúcar.


O consumidor de GLP-1, no momento, foge do carboidrato. Dessa forma, no seu carrinho de compras entra cada vez menos arroz, macarrão e farinhas. Segundo Belmiro Gomes, trata-se de uma espécie de segunda onda. Na primeira, os consumidores deixaram de tirar das prateleiras bebidas alcoólicas e doces.


- Agora, arroz e farinha têm experimentado deflação muito além das oscilações de preços das commodities. Não é por excesso de safra, mas por queda na demanda - afirmou Gomes.


Ainda na sua participação na Latin America Investment Conference, ele observou que uma nova geração de medicamentos GLP-1 está para chegar no Brasil, até o meio do ano. A expectativa, segundo ele, é que isso provoque um aumento do consumo de alimentos como proteína ("de verdade" ou em forma de suplementos) e ovos.


"O efeito desse quadro varia por classe social e localidade, mas as tendências vão além do alimentar, alcançando setores como moda, viagens, academias e restaurantes. Para as marcas alimentares, é preciso se transformar para continuar relevante para o consumidor e não desaparecer dos carrinhos de compras", observou Gomes no seu artigo do LinkedIN.


Efeito colateral


O aumento do consumo dos medicamentos GLP-1 aumentou também o número de internações, com 1.189 notificações de eventos adversos em 2025.


Cerca de 72% dos eventos adversos relatados são de pacientes do sexo feminino.


Os casos de pancreatite associados ao uso da semaglutida no Brasil (5,9%) são mais que o dobro da média global (2,4%).



Texto original a partir de informações publicadas pela BBC, Estadão e Gazeta do Povo

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