Brasil registra redução na produção de cerveja e desemprego no setor
- Sônia Apolinário

- há 16 minutos
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Em 2025, o Brasil registrou um dos menores crescimentos em número de cervejarias, no país: 0,3% em relação ao ano anterior; teve redução do volume total de produção e desemprego do setor.
Os dados constam do Anuário da Cerveja 2026 (ano referência 2025), divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Em 2025, o Brasil tinha 1.954 cervejarias registradas, o que representa cinco a mais em relação a 2024.
De acordo com a anuário, em números absolutos, trata-se do 3º menor aumento do período de estudo, empatado com 2002, quando também houve aumento de 5 estabelecimentos registrados em relação ao ano anterior. Tal crescimento só não é menor que aquele observado em 2005, com aumento de 3 estabelecimentos, e 2001, com aumento de apenas 1.
No ranking nacional, o Rio de Janeiro ocupa, em 2025, a mesma posição desde 2021: sexto lugar. Porém, passou de 130 cervejarias, em 2024, para 138, em 2024 - o que representa um aumento acima do crescimento nacional.
A unidade da federação com o maior número de cervejarias registradas segue sendo São Paulo, com 452 estabelecimentos. O estado apresentou um crescimento de 5,9%, com 25 estabelecimentos a mais em relação ao ano anterior, o que corresponde ao maior crescimento absoluto.
De acordo com o anuário, o Rio Grande do Sul é a unidade da federação com maior número de cervejarias fechadas. Foram 36 que tiveram seus registros cancelados ou vencidos e não renovados, o que representa 22,8% de todas as ocorrências verificadas no país.
Do total de cervejarias do Brasil, 280 são ciganas, ou seja, produzem a bebida em fábricas de terceiros. O Rio de Janeiro é o quarto estado em número de ciganas: 23
Produção
O anuário apontou que o volume de produção declarado atingiu, nacionalmente, o montante de 15.688.083.191,69 litros, o que representa uma redução na produção nacional, de 8,85%, se comparada ao ano anterior, quando o volume declarado de produção de cerveja foi de 17.210.754.610,75 litros.
Apesar do anuário registrar aumento do emprego no setor de bebidas em geral (+1,27%), houve uma redução de 1,34% na empregabilidade no segmento de bebidas alcoólicas, sendo que, no ramo da cerveja, o desemprego foi de 2,67%.
Sem álcool desce; sem glúten sobe

Se, no anuário de 2025 chamou a atenção o aumento da produção de cervejas sem álcool, o de 2026 chama a atenção para o aumento das bebidas sem glúten.
O anuário informa que o volume de produção de cerveja declarado em 2025 referente à cerveja sem álcool ou cerveja desalcoolizada é equivalente a 1,27% da produção nacional de cerveja. Ano passado, esse segmento respondeu por 4,9% do volume de cerveja brasileiro.
Em 2025, segundo o novo anuário, a cerveja sem glúten representou a maior variação absoluta, partindo de 71.075.867,37 litros em 2024 para 367.943.519,39 litros em 2025 - o que corresponde a um aumento de 296.867.652,02 litros, ou seja, um crescimento de 417,68% - um caminho semelhante ao registrado pela cerveja sem álcool, quando, em 2024, teve um aumento de 536,9%”, na sua produção, um quadro que não conseguiu manter em 2025.
No Brasil, apenas 1% das maiores cervejarias produziram mais de 42% do volume total de cerveja no país, no ano de 2025, o que representa, em volume, mais de 6 bilhões de litros.
De 2024 para 2025, a produção de puro malte aumentou +21,01%.
Dentre os estilos, Malzbier foi o mais produzido, ano passado, (28,29%), ficando a IPA em segundo lugar (20,74%).

Exportação e importação
A exportação de cerveja brasileira teve uma redução de 5,1%, tendo alcançado, em 2025, em volume, 315.519.948 litros. O Brasil perdeu dois compradores e vinha fazendo negócios com 77 países contra 79 em 2024.
Apesar da queda das exportações, o anuário observou que o faturamento para a cerveja brasileira exportada aumentou em 6,9%, chegando a um faturamento de US$ 218.356.084. Isso significa uma valorização de aproximadamente 13% do preço médio do produto exportado. O principal comprador da cerveja brasileira é o Paraguai.
Já em relação às importações, houve "um impressionante aumento de 251,4% no volume de cerveja" comprada pelo país - partindo de 7.492.3350 litros em 2024 para 26.327.681 litros em 2025. O Brasil importa, principalmente, dos Estados Unidos.
A íntegra do anuário, aqui
































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