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Pedro Luís faz show em clima 'blue' em Niterói

  • Foto do escritor: Sônia Apolinário
    Sônia Apolinário
  • há 7 horas
  • 6 min de leitura

Pedro Luís apresenta em Niterói o espetáculo "Meus Azuis". Foto: Divulgação
Pedro Luís apresenta em Niterói o espetáculo "Meus Azuis". Foto: Divulgação


Ao falar o nome do músico e compositor Pedro Luís, é muito provável que logo venha à mente dois de seus "sobrenomes": A Parede e Monobloco. E talvez um "apelido": Carnaval.


Dito isso, é um Pedro Luís sem seus "sobrenomes" que se apresenta em Niterói nesta quinta-feira (21), no Theatro Municipal, no Centro da cidade. O espetáculo, intitulado "Meus Azuis", indica um certo tom blues da programação.


O show está mais próximo de um recital íntimo, onde o artista revisita diferentes fases de sua trajetória. No repertório, canções do seu primeiro momento em que, como ele diz, começou a se reconhecer como compositor - muitas ainda inéditas e pouco conhecidas do público. Ainda no setlist, algumas canções mais recentes e outras de diferentes autores.


Mas ninguém precisa ficar blue.


- Não tem Monobloco, mas tem muito suingue e momentos de balanço, no show. Mas é um espetáculo mais macio - afirmou Pedro Luís em entrevista exclusiva para o ComuniC.


A última vez que ele esteve em Niterói foi no mesmo Theatro Municipal. Foi em plena pandemia do Coronavírus e sua apresentação, com transmissão online, foi feita sem plateia.

Voltar à cidade para um "show normal", no mesmo local, era uma ideia, desde então. E eis que, ao elaborar o espetáculo, convidou o guitarrista Fernando Caneca para acompanhá-lo no palco e ser o responsável pela direção musical da atração. O músico, que já trabalhou com artistas como Marisa Monte, Caetano Veloso, Gal Costa e Ivan Lins é recifense de nascimento, mas niteroiense por adoção. A ponte estava feita.


- Niterói tem muitos músicos maravilhosos. É um celeiro incrível de talentos. Recife também tem essa pegada - comentou Pedro Luís que ainda conta, no show, com a participação especial do também guitarrista e cantor Davi Moraes, filho do cantor e compositor Moraes Moreira.


Ao todo, serão apresentadas sete canções inéditas. Depois, algumas mais conhecidas "para ajudar as pessoas", como brincou o cantor. No repertório, ainda, músicas do disco "E se tudo terminasse em amor" (gravadora Biscoito Fino), que lançou há pouco mais de um ano.


Dentre as inéditas está "Pregos na Garganta"; também fazem parte do show, por exemplo, "Blues da Passagem", de Péricles Cavalcanti; "Presença"; a intimista "Jasmim" e "No Dengo e No Amor", parceria de Pedro Luís com Davi Moraes e Carlinhos Brown.


Sim, o bis é ensaiado, mas como diz o cantor, "tudo pode acontecer". Ou seja, pedidos podem vir a ser atendidos.


- Se tudo der errado, tenho duas músicas que são minhas reservas de segurança: "Noite Severina" e "Caio no Suingue", que as pessoas reconhecem assim que começo a tocar - brincou.


Deixa a vida me levar


Quando Pedro Luís diz que "tudo pode acontecer", no show, não é tão da boca pra fora assim. Ele reconhece que sua trajetória artística não foi milimetricamente traçada. Muito pelo contrário.


- Fui sendo levado por muitas surpresas maravilhosas - disse.


Quando cursava o quinto período de Letras na UFRJ, ele se mudou de mala e cuia para São Paulo para participar da peça "A Farra da Terra" com o grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone.


Nem ele e muito menos o grupo (integrado por artistas como Regina Casé, Luiz Fernando Guimarães, Hamilton Vaz Pereira e Evandro Mesquita) tinham ideia do que a peça representaria para a cultura brasileira e que seria a última do Asdrúbal. "A Farra da Terra" usava um inédito recurso para a época: elementos de vídeo. É considerada um registro anárquico da contracultura nacional, que floresceu no final da ditadura militar. Ainda rendeu um disco que teve, entre outros colaboradores, Caetano Veloso.


Dez anos depois, agora no quinto período de Música na Unirio, Pedro Luís largou outra vez os estudos "porque a música me levou para a estrada".


- Não tranquei nenhuma das duas faculdades. Foi uma bobeira, poderia retomar, quem sabe - afirmou.


Se em todo esse tempo, naquela época, ele ainda tinha dúvidas do seu talento para compor, foi porque não ouviu com atenção o que uma professora, Dona Maria de Lourdes, disse para seus pais:


- Vocês deveriam incentivar a escrita dele. Ele tem muita vocação.


Pedro Luís tinha acabado de ingressar no colégio, uma escola pública na Tijuca, bairro carioca onde morava, direto no Segundo Ano Primário - já chegou sabendo ler, escrever e fazendo poemas.


Anos depois, outro professor, Fernando Lemos, morador de Niterói, selou para sempre a veia poética do jovem Pedro Luís ao lhe apresentar a obra de Fermando Pessoa.


- Desde cedo, arriscava fazer poemas e convivi com música porque uma das minhas irmãs tocava - contou ele, que faz parte de uma família de nove irmãos.


A escola primária ficava na mesma rua da quadra do Salgueiro, escola de samba de coração de Pedro Luís e onde ele faz questão de se apresentar todos os anos.


No final do primário, um colega de turma ingressou na bateria do Salgueiro.


- Ele me trouxe subsídios do samba que eu tocava intuitivamente - recordou.


Carnaval


Um dos fundadores do Circo Voador, nos anos 80, em Ipanema (foi a partir da zona sul que a casa de shows migrou para a Lpa), Pedro Luís ganhou seu primeiro "sobrenome" artístico em 1996 quando montou a banda A Parede, no Rio. A ideia era misturar tudo quanto era ritmo - rock, rap, samba e funk.

Parte do desfile 2026 do Monobloco, no Rio. Foto: reprodução rede social
Parte do desfile 2026 do Monobloco, no Rio. Foto: reprodução rede social

Outra vez em São Paulo, para atender uma demanda do Sesc Vila Madalena, onde o grupo iria se apresentar, tiveram a ideia de montar uma oficina com instrumentos de escola de samba. Que rendeu um desfile dos alunos pelas instalações do Sesc com direito à participação deles no show.


Mais uma vez, ele não tinha ideia que estaria fazendo história. Que as oficinas virariam o embrião do seu segundo "sobrenome", o Monobloco. E que ele e esse grupo iriam, simplesmente, revitalizar o Carnaval de rua carioca.


- Como Monobloco, fizemos uma proposta para a prefeitura do Rio de criar uma oficina de percussão, com duração de quase um ano. Fizemos no Teatro Sérgio Porto e foi um sucesso. Depois fizemos uma série de shows, cada um com um convidado especial, que ficavam lotados. Não imaginava que seria o sucesso que foi. Acho que o grande barato das oficinas do Monobloco foi transformar o leigo em músico. Muitas mulheres que participaram das oficinas acabaram chegando nas baterias de escolas de samba, um espaço, até então, bem fechado para elas. Acho que o Monobloco tem importância nesse sentido. Nossas oficinas, se não foram pioneiras, serviram de inspiração bastante forte para muita gente - avaliou Pedro Luís.


Sim, o Monobloco cresceu demais. Como diz o artista, "onde tem gente demais, tem confusão demais". Sim, chegou a ser assustador, mas, atualmente, Pedro Luís está confortável com o (grande) tamanho do Monobloco que, agora, se apresenta na área reservadas da cidade para os desfiles dos megablocos.


Ser o melhor bloco ou o maior do Rio não é o que enche os olhos de Pedro Luís:


- A gente fecha o Carnaval do Rio e nosso prazer é entregar o melhor tecnicamente, com muito afeto e sem confusões.


E Niterói não é cidade sorriso por acaso. Se agora Pedro Luís se apresenta sem sobrenomes, em junho ele estará de volta com o Monobloco. O grupo faz parte da programação do Energia para Torcer, evento que vai reunir transmissão dos jogos da seleção brasileira na Copa do Mundo com shows musicais, no Caminho Niemeyer. O Monobloco se apresenta nos dias 13, 19 e 24, mesmas datas em que também subirão ao palco, respectivamente, Ludmilla, Thiaguinho e Ferrugem.


Palavra musical


Não bastasse seguir o ritmo das apresentações musicais, Pedro Luís também pode ser visto em vários eventos literários. Isso porque, ano passado, ele lançou o livro "Amor, palavra que se canta".


A obra mistura poesia e letras de música, explorando diversas face do amor, em cerca de 40 poemas inéditos e canções.


- Sou um operário da palavra musical - definiu-se.


Ao transformar palavras em canto, em Niterói, Pedro Luís tem uma expectativa:


- A primeira vez que me apresentei no Theatro Municipal de Niterói, um lugar muito lindo, foi muito desafiador. Eu estava cantando para pessoas que poderiam estar ali, se o momento fosse outro. Eu queria muito voltar para fazer um show com pessoas na plateia. Se não vai dar para afastar cadeiras, vou ficar feliz se o público vier para perto do palco. E vou tentar fazer com que as pessoas que estiverem lá se sintam muito felizes.


Serviço

Pedro Luís no espetáculo "Meus Azuis"

Data: Quinta-feira, 21 de maio, às 19h

Local: Theatro Municipal de Niterói - Rua XV de Novembro, 35, Centro

Ingressos: R$ 60* (inteira)

* Valor promocional único de R$40 para quem comprar Inteira, mediante a doação de 1kg de alimento não perecível. Desconto não cumulativo.

Vendas na Bilheteria do Theatro ou no site Fever

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