Cervejaria Indigo embarca em 'trip' para celebrar seus cinco anos no Rio
- Sônia Apolinário

- há 7 minutos
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A marca cigana carioca Indigo chegou ao mercado há cinco anos. E pela primeira vez, vai celebrar seu aniversário. A festa será na próxima sexta-feira (15), a partir das 18h, no bar Afonte, na Barra da Tijuca.
Para marcar a data, vai ter lançamento durante o evento: trata-se da Double IPA Trip#5 (8% de teor alcoólico, 85 IBU).
- Nunca tinha feito aniversário da marca. Completamos cinco anos em abril. Tenho a linha experimental Trip, de IPAs, e calhou que o lançamento da #5 seria agora. Achei que valia puxar uma comemoração com esse novo rótulo - contou Fábio Oliveira, cervejeiro e sócio da Indigo.
Das sete torneiras do bar, quatro estarão ocupadas pela aniversariante - os outros rótulos são a Trip#1 (West Coast IPA), Don't Stop Me Now (Extra Special Bitter, colab com a cervejaria Bebum) e Passion Sour (Catharina Sour com maracujá e manga).
A trajetória da marca não seguiu totalmente o roteiro traçado pela grande maioria das ciganas do Rio de Janeiro. Sim, Fábio era cervejeiro caseiro e participava do movimento das confrarias da cidade. Para se aprimorar, se formou em sommelier. No curso, conheceu vários integrantes do mercado artesanal carioca e acabou se tornando vendedor.
Com a chegada da pandemia do Coronavírus, ele perdeu o emprego. Foi quando decidiu que venderia a própria cerveja. E partiu para sua trajetória de cigano.
Seu cartão de visitas foi uma California Common, estilo escolhido por não ser muito comum no mercado, à época. O rótulo ganhou, de cara, algumas medalhas em concurso o que, segundo Fábio, "validou" a então marca estreante.
Apesar de saber que IPAs são as cervejas preferidas do público, a Indigo gosta de apostar em Sours. A de amora é o carro-chefe da marca - um rótulo feito com quilos e quilos de polpa da fruta congelada que vem de Minas Gerais. Por conta do custo alto, nem sempre está disponível, mas quando aparece, "evapora".
- Quando lancei a marca, era o final da pandemia. As pessoas queriam consumir fora de casa. Isso ajudou e tive boas vendas para quem estava começando. Agora, o mercado, no geral, está ruim. As vendas, de tudo, só caem. Várias ciganas do Rio sumiram do mercado e PDVs também estão fechando. A saída é participar de eventos e atuar no ramo de delivery de chopeiras - afirmou Fábio.
Esse quadro, na sua avaliação, é mais característico do mercado do Rio. Na sua opinião, os fatores que estão contribuindo para isso é o "carioca não ser fiel" a marcas; estar, cada vez mais, preferindo beber em casa e deixando de consumir bebidas mais caras.
White label
Fábio aponta, ainda, o "fator white label" como causa desse atual quadro do mercado de artesanal do Rio. Explicando: white label é quando uma empresa compra uma bebida de uma média ou grande fábrica e vende como se fosse marca própria. Trata-se de uma prática legal, feita com todo tipo de bebidas - inclusive o "nobre" vinho.
E Fábio não passa pano para seus colegas de mercado, quando o assunto é white label:
- Os eventos cervejeiros estão cheios de marcas vendendo white label. Ou seja, as cervejas são todas iguais, geralmente Pilsen. E quem está no evento é só um vendedor, não é o cervejeiro, que faz questão de explicar para o público os detalhes da bebida que criou, que gosta de contar a história da marca. Esses vendedores, nos eventos, mal sabem tirar um chope. A maioria não sabe nem o que está vendendo. O que se vê é disputa de quem vende Pilsen mais barata. Isso afasta quem tem mais interesse pela cerveja artesanal e atrapalha o mercado.
Para a Indigo, ele optou por fazer uma French Pilsner, ou seja, uma Pilsen com lúpulos franceses, com uma dose de amargor um pouco mais elevada. Por conta do custo, também mais elevado, as vendas acabaram sendo feitas diretamente pelo delivery, sem passar pelos PDVs.
Novidades
Ao mesmo tempo em que curte o aniversário da Indigo, Fábio está prestes a realizar um sonho antigo: ter um bar. O projeto está sendo desenvolvido em sociedade com Luiz Cerqueira, da cervejaria Tropi. Mas as marcas não estarão em primeiro plano nessa história - serão vendidas no bar, também.
O futuro Galeria de Arte Cervejeira está sendo montado onde, antes, funcionou a Casa Tropi, na Tijuca. Além das torneiras, terá geladeiras com latas e garrafas. A palavra de ordem é variedade. A inauguração está prevista para junho.
Além disso, Fábio deu o pontapé inicial no trabalho com sua segunda paixão: a produção artesanal de pães e massas.
- Não sei como vou dar conta quando tudo estiver rolando - disse ele, entre risos, que terá que manter a rotina semanal de visitar as fábricas onde as cervejas da Indigo são produzidas: Trupe (Engenheiro Paulo de Frontin) e Paranóide (Volta Redonda).
Na lista ainda, a manutenção da tradicional parceria com a também cigana carioca Pakas, que já rendeu 13 rótulos, e Zuid.
Para Fábio, essas parcerias ajudam a "fazer algo diferente". No caso da Pakas, inclui fazer eventos juntos.
- Dividimos muitas coisas. Principalmente, a vontade de levar nossas marcas pra frente - afirmou.
Serviço
Cinco anos da Indigo
Data: 15 de maio, a partir das 18h
Local: Afonte Chope Artesanal, Av. das Américas, 3939, Barra da Tijuca
Com hambúrgeres da B. Carnes e som do DJ Wagner Miller
































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