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Filme retoma questionamentos sobre as mortes dos ex-presidentes JK e João Goulart

  • Foto do escritor: Sônia Apolinário
    Sônia Apolinário
  • há 11 minutos
  • 3 min de leitura

Cartaz do filme que estreia dia 9 de abril
Cartaz do filme que estreia dia 9 de abril


Brasil, 1976. Quem matou Juscelino Kubitschek? Quem matou João Goulart? Diante da morte misteriosa de dois ex-presidentes no mesmo ano, uma jornalista decide investigar colocando em risco a sua própria segurança. Essa é a sinopse do filme "A Conspiração Condor", que estreia nos cinemas do país em 9 de abril.


A jornalista em questão é interpretada por Mel Lisboa. No elenco também estão Dan Stulbach e o apresentador Pedro Bial, em participação especial, no papel do político Carlos Lacerda. A ex-primeira dama Maria Tereza Goulart também está presente no longa, em interpretação de Liz Reis, ainda produtora do filme.


O título do longa remete à Operação Condor, uma campanha de repressão política e terror de Estado levada a cabo pelas ditaduras de direita do Cone Sul, com o apoio dos Estados Unidos. Envolveu operações de inteligência e assassinato de opositores políticos exilados em outros países. Foi formalmente implementada em novembro de 1975 a pedido do ditador chileno Augusto Pinochet.


Sempre pairou suspeitas que as mortes dos ex-presidentes brasileiros Juscelino Kubitschek e João Goulart tenham sido ações da Operação Condor.


A morte de Juscelino Kubitschek (JK) em 22 de agosto de 1976, na Via Dutra, é alvo de controvérsias, com teses alternando entre a versão oficial de que foi um acidente de carro e de que teria sido um atentado político ligado à Operação Condor. A Comissão Nacional da Verdade (CNV) concluiu, em 2014, ter sido um acidente. Porém, a investigação foi reaberta em 2024.


Sobre a morte de João Goulart, em 6 de dezembro de 1976, na Argentina, há suspeitas que possa ter sido um assassinato perpetrado pela Operação Condor. Embora a causa oficial tenha sido infarto, investigações baseadas em relatos de agentes sugerem o envenenamento dos remédios para o coração tomados pelo ex-presidente que se encontrava no exílio. Em 2013, o corpo de Jango foi exumado para perícia, mas os resultados não foram conclusivos quanto ao veneno, devido ao tempo decorrido, mantendo a causa como inconclusiva.


No filme, a jornalista Silvana (Mel Lisboa) questiona as versões oficiais sobre as mortes dos ex-presidentes. Ao lado do jornalista argentino Juan (Dan Stulbach), ela se envolve em uma investigação que revela uma rede de interesses ocultos e pressões políticas. No caminho, aproxima-se de Carlos Lacerda (Pedro Bial) e descobre detalhes sobre a frustrada tentativa de articulação da Frente Ampla, movimento que buscava unir lideranças contra o regime militar.


Com direção de André Sturm (que também assina o roteiro em parceria com Victor Bonini), o filme é um thriller político "que propõe uma reflexão sobre um dos períodos mais sensíveis da história recente do país, combinando tensão, investigação jornalística e fatos históricos", como afirma o texto de divulgação do longa.


Segundo Liz Reis, o longa fala de um Brasil em que muitas coisas graves aconteciam de forma silenciosa, quase invisível:


- A trama é baseada nesse período do país em que a vida parecia normal, mas a história estava sendo decidida nos bastidores. O filme nos convida a refletir sobre como uma sociedade pode ser anestesiada. Além disso, dar voz a Maria Tereza, uma mulher que viveu esse momento tão de perto, é também uma forma de lembrar que a história é feita não só pelos líderes políticos, mas pelas pessoas que estavam ao lado deles - afirmou a atriz e produtora.

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