• Sônia Apolinário

Cigana Jamile aposta em cervejas low carb e sem glúten

Muitos cervejeiros caseiros, quando lançam suas marcas, dizem que realizaram um sonho. No caso da cervejaria Jamile (RJ), o sonho foi literal, com direito a indicar o nicho dentro do nicho das artesanais para atuar: o segmento das low carbs. Feito isso, após um ano no mercado, passou a produzir, também, cervejas sem glúten.


Algumas marcas nacionais artesanais e até da grande indústria já lançaram rótulos para atender o público que busca cervejas “fits” ou “funcionais”. No caso da Jamile, porém, não há “cerveja comum”. Ser referência na produção de low carb e sem glúten é o objetivo, segundo o criador da cervejaria, Diego Julio Mesquita.


Como de costume, vem dos Estados Unidos a tendência crescente do segmento batizado de wellness (bem-estar). Por lá, as bebidas identificadas como “saudáveis” cresceram 73% em valor, nos últimos cinco anos, e a expectativa é abocanhem 30% do mercado, em geral, nos próximos dois anos. A cerveja surfa nessa onda, da qual também faz parte a bebida sem álcool.


Uma cerveja é low carb, ou light, quando tem quantidade reduzida de carboidratos e calorias. Diego informa que os rótulos da Jamile tem cerca 40% menos calorias do que as cervejas convencionais. No portfólio, duas são apenas low carb: Jamile Witbier Light e Jamile New England Rye APA.


A Witbier tem 4,0% de teor alcoólico, 15 IBU; 28 calorias e 0,8 gramas de carboidratos por 100 ml. É feita com pitaya, hibisco, pimenta rosa e sementes de coentro. A New England tem 4,5% de teor alcoólico, 35 IBU, 29 calorias por cada 100ml e zero carboidrato. O dry hopping de Galaxy e Sabro garantem aroma e sabor frutados, basicamente, de maracujá e coco. Somente em chope, a Pilsen e a Blond Ale com manga e maracujá são low carb e sem glúten. Em breve chegam uma Session APA e uma IPA clássica nos mesmos moldes.


A Jamile é uma cigana feita na cervejaria Rota Imperial, em Guapimirim. Antes de seguir para o mercado, amostras da produção seguem para laboratórios que atestam que a bebida, de fato, não contém nem traços de glúten. E qualquer consumidor que quiser conferir isso, é só solicitar o laudo que uma cópia do documento será enviada. Também é do laboratório que saem os dados referentes à quantidade de carboidratos e calorias informados no rótulo.


Ao contrário da maioria das histórias relacionadas com lançamento de marcas, Diego nunca foi cervejeiro caseiro. E cá pra nós, mal bebia cerveja de trigo. Aos 29 anos, ele é formado em jornalismo, mas nunca exerceu a profissão. Antes de criar a Jamile, ele trabalhava no ramo de construções, atuando junto com a namorada Caren Vilela, que é microbiologista.


Foi ela que sonhou que Diego produzia cerveja low carb. Ele bem que já desejou que mais cervejas desse tipo estivessem disponíveis no mercado:


“Há 15 anos, eu era bem gordo. Resolvi que iria emagrecer e fiz dieta low carb, retirando carboidratos. Ainda hoje sou atento com a ingestão de quantidade de carboidratos para manter o resultado da dieta sob controle. Quando saía com amigos, eu não podia beber porque uma cerveja iria estourar minha cota de carboidratos. Além disso, as bebidas lights costumavam não ter gosto de nada”, conta.


Para transformar o sonho da namorada em realidade e produzir cerveja low carb que fosse saborosa, Diego apelou para o primo José Ricardo. Ele é mestre cervejeiro, com passagens pela Heineken, Therezópolis e Allegra, atualmente à frente da fábrica da mineira Cervejaria do Funil. Enquanto o primo desenvolvia receitas, Diego tratou de fazer cursos para entender o processo de fabricação da bebida.


“Como a cerveja é ‘sem nada’, mas com muito sabor, eu não sei”, brinca Diego. “Apesar do apelo comercial da Jamile ser low carb e sem glúten, em eventos, eu não chamo muito a atenção para isso. Todo meu esforço é para fazer as pessoas provarem a cerveja. Elas provam, gostam e, só aí, eu conto que é low carb e sem glúten. Porque ainda é comum acharem que esse tipo de bebida não é saborosa”.


E para quem está curioso sobre o nome e a logomarca da cervejaria, as informações: Jamile é o nome da mãe do Diego. A girafa, símbolo de intuição e elegância, é uma homenagem à namorada.


O sonho de Caren aconteceu quando Diego se sentiu sem perspectivas profissionais. A pandemia atrapalhou os planos do seu então recém-criado empreendimento e mudar de segmento era a única alternativa. Agora, como próximos passos, Jamile tende a ser vista desfilando em concursos cervejeiros e também participando do máximo de eventos possíveis.


“A experiência tem sido positiva. É um trabalho de formiguinha apresentar seu produto e, de certa forma, educar o consumidor. A tendência por produtos saudáveis vem crescendo, em todo o mundo. Por aqui, talvez a gente esteja sendo pioneiro em alguma coisa”, afirma Diego.

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