• Sônia Apolinário

Projeto Caminho Cervejeiro de Niterói traça circuito turístico para a cidade

Fazer um diagnóstico, qualificar pessoal e formatar um circuito turístico tendo como base o polo cervejeiro de Niterói (RJ). Esses são os objetivos do projeto Caminho Cervejeiro de Niterói que está para lançar um curso de qualificação, online, a ser ministrado pelo beer sommelier e mestre em estilos Gustavo Renha.


O Caminho Cervejeiro de Niterói é fruto do Programa de Desenvolvimento de Projetos Aplicados (PDPA) da Faculdade de Turismo e Hotelaria da Universidade Federal Fluminense (UFF), que venceu um edital lançado pela Prefeitura de Niterói. O edital tinha como foco a busca de projetos para fomento econômico da cidade.


A ideia de fazer um circuito turístico-gastronômico em Niterói tendo a cerveja como guia partiu de Lélio Galdino, professor do curso de Tecnologia em Hotelaria da UFF. Mestre em Turismo e Hotelaria e Pós Doutorando em Hospitalidade, ele é, antes de mais nada, entusiasta e apreciador de cerveja artesanal.


“O destaque que Niterói vem tendo no setor e as fábricas que estão instaladas na cidade mostram o potencial que o município tem para o turismo cervejeiro”, comenta ele, que é o coordenador do projeto.


O edital foi lançado em 2019 e o trabalho deveria ter começado ano passado. Porém, tudo ficou parado em função da pandemia do Coronavírus. A reabertura gradual dos estabelecimentos permitiu que o projeto fosse para a rua. Muita coisa, porém, ainda está sendo feita de forma remota.


Mapear as cervejarias (6), as marcas ciganas (25) e os estabelecimentos que se relacionam com cerveja artesanal faz parte do trabalho. As informações estão “abastecendo” o mapa cervejeiro que faz parte do site do projeto e que já está no ar.


Disseminar a cultura cervejeira e qualificar mão-de-obra também está no escopo. Assim, em agosto, começa o curso que está sendo formatado pelo beer sommelier e mestre em estilos Gustavo Renha, um dos sete integrantes da equipe do projeto.


Será online, gratuito, com um mês de duração, voltado para funcionários de bares e restaurantes, além de estudantes e profissionais independentes que morem em NIterói ou comprovem vínculo com instituição com sede na cidade. Serão oferecidas 50 vagas.


“Quando falamos em capacitar o profissional do setor de gastronomia ou turismo, geralmente, se remete à ideia do serviço. O curso terá isso também. Mas não adianta saber sobre etiqueta na hora de servir ou o copo correto, por exemplo, sem saber o básico sobre produção e os estilos de cerveja. E quando falamos nos estilos, falamos também em harmonização com comida. É um curso inédito”, informa Renha.


Segundo ele, Niterói é uma cidade que valoriza (e tem tradição) quando o assunto é gastronomia. Porém, ainda “não se deu conta” da boa cerveja que tem. Renha observa que, primeiro, só as marcas importadas eram valorizadas; depois, com o crescimento craft do país, os rótulos nacionais passaram a ser bem aceitos. Agora, na sua opinião, chegou o momento do niteroiense valorizar o famoso “beba local” diante da qualidade e diversidade da cerveja produzida na cidade.



Já o coordenador do projeto acredita que quanto mais informação o público tiver, mais próximo ficará do “produto da casa”. E no caso do Caminho Cervejeiro de Niterói, as informações estarão reunidas em um único lugar, que é o site.


A equipe tem até dezembro para concluir o projeto. E depois?


“A UFF é uma instituição permanente. Pode ser que o tema continue como proposta para pesquisas futuras. De qualquer maneira, o projeto vai ajudar a levar informação e capacitação e isso já é uma grande contribuição para o segmento”, afirma Lélio.


Renha espera que o Caminho Cervejeiro de Niterói signifique “uma semente” para a criação de um possível curso sobre cerveja no âmbito universitário:


“Sonho em ver uma cadeira eletiva sobre cerveja na universidade. Esse é um tema que pode ser estudado em diferentes áreas, de economia a turismo, passando por hotelaria, comunicação, química. O fato desse projeto já envolver a UFF e ainda ter o respaldo da prefeitura penso que é um passo importante nesse sentido. Já foi um reconhecimento. Agora, é manter essa ideia viva”.

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