Diogo Vilela leva Cauby Peixoto para a inauguração do espaço em homenagem ao cantor em Niterói
- Sônia Apolinário

- 17 de nov. de 2025
- 4 min de leitura
Atualizado: 21 de nov. de 2025

Orgulhoso e feliz. É assim que o ator Diogo Vilela está se sentido por ter sido convidado pela prefeitura de Niterói para inaugurar o Centro Cultural Cauby Peixoto, no Fonseca, no próximo sábado (22), dia do aniversário da cidade.
Diogo levará o próprio cantor para participar do evento. Explica-se: ele encena no sábado e também no domingo (23), sessões do musical “Cauby, uma paixão”, no próprio centro cultural. No palco, o ator literalmente se transforma no cantor e solta a voz.
O novo centro cultural da cidade recebeu o nome de Cauby Peixoto porque o cantor, nascido no bairro niteroiense de Santa Rosa, em 1931, mudou-se para o Fonseca, após a morte do pai. No bairro, o jovem aspirante à carreira artística formou grandes amizades e vivenciou experiências marcantes, como prêmios em concursos de dança no Líder Esporte Clube.
- Estou orgulhoso e feliz. É uma deferência que está sendo feita a mim. Eu mereço porque Cauby gostava de mim. Ele viu o espetáculo e eu levo as coisas a sério, como artista – disse Vilela em entrevista exclusiva para o #Comunic
Há quase 20 anos, o ator (com)vive com Cauby Peixoto. Em 2006, ele estreou a peça “Cauby, Cauby” com a qual ficou vários anos em cartaz. Em 2018, dois anos após a morte do cantor, ele voltou aos palcos com “Cauby! Cauby! — Uma Lembrança”, uma nova versão da peça. A remontagem, segundo Vilela, atendeu um pedido que lhe foi feito pelo próprio Cauby.
A partir dessas duas experiências foi criado o espetáculo “Cauby, uma paixão”. Nesse musical-monólogo escrito por Flavio Marinho, o ator é acompanhado no palco por três músicos – um sax-flauta, bateria e maestro.
ComuniC: O que o fez encenar a vida de Cauby Peixoto, em 2006?
Diogo Vilela: Foi uma sugestão do meu professor de canto. Eu estudo canto lírico há 30 anos, sou barítono. Tinha feito um espetáculo sobre Nelson Gonçalves e meu professor, Victor Prochet, que está atualmente com 92 anos, disse que eu tinha que fazer trabalhos sobre outros cantores. Pensei logo no Cauby. A partir daí, fiquei três anos estudando para adquirir técnica, para chegar a um timbre semelhante ao dele. Com técnica, é possível aproximar a semelhança da voz. No palco, o que faço não é uma imitação porque tenho muito respeito por ele.
O que Vilela faz, na verdade, é uma transformação. Que começa quando dá os primeiros traços na maquiagem, passa pelo trajar do figurino e termina com a colocação da peruca . O ator leva uma hora para se transformar no cantor.
Crédito: @noisemedia @xbiancavieirax
Aqui valem alguns parênteses. Figurinos e perucas foram cedidos pelo cantor para o ator, ou seja, são trajes vestidos por Cauby Peixoto em suas apresentações. Em relação à peruca, o cantor costumava usar para, como dizia “estar sempre arrumadinho”, mesmo fora dos palcos.
- Quando começo a me preparar fico nervoso. Nunca entro calmo em cena. Entro para matar ou morrer. No caso do Cauby, o personagem me possui – afirmou Vilela, um ator com mais de 50 anos de profissão.
No espetáculo, o ator canta em espanhol, francês e inglês, além de português, é claro. “Conceição”, “New York, New York”, “Samba do Avião” e “Força Estranha” são alguns dos sucessos cantados por Cauby que fazem parte do repertório do musical.
Perguntado sobre sua música preferida, Vilela, inicialmente, disse que não tinha. Porém, pensou com calma e cravou “Bastidores”, de Chico Buarque.
Entre uma música e outra, tudo o que Cauby viveu - dores e sucesso – é contado.
- O Cauby representa uma época em que o artista tinha que ter duas personalidades: a pessoal e a artística. Era uma época mística. Hoje, tudo é mais voltado para a pessoa. Antes, o artista tinha uma artificialidade que gerava curiosidade e fascínio. No mundo de hoje, tudo é muito literal e ter talento é ter personalidade – comentou Vileva.
Na próxima sexta-feira (21), ele visita o Centro Cultural Cauby Peixoto pela primeira vez para fazer um reconhecimento do espaço. O local contará com um auditório de 250 lugares.
As apresentações serão realizadas no sábado (22) – até o fechamento desta edição, o horário não estava definido; e no domingo às 17h e 20h. Possivelmente, serão sessões apenas para convidados (também falta definição sobre venda ou distribuição de ingressos para as apresentações).
Cauby canta para Cauby. Reprodução de TV
Vai rolar algum improviso com Cauby Peixoto se manifestando sobre seu Centro Cultural? Bem, Vilela não é muito fã de improvisos, se for calculado e ensaiado, ainda, pior. Como ele disse , tem “horror” de situações do tipo. Mas tudo pode acontecer, em função de alguma eventual “provocação” da plateia.
- O espetáculo é emocionante. Fala de amor e paixão. Cauby era muito amoroso. O show é um pacote emocional, uma catarse. Eu amo muito esse show e faço com muito amor – disse Vilela.
Centro Cultural Cauby Peixoto

O Centro Cultural Cauby Peixoto vai funcionar em um casarão histórico na Alameda Boaventura, 263, no Fonseca, zona norte de Niterói. O imóvel foi totalmente recuperado, em obra orçada em R$ 16,8 milhões. O equipamento terá auditório, salas de ensaio, espaços multiuso, biblioteca, sala de leitura, brinquedoteca e espaços para coworking.






































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