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Cerveja com café une produtores da região serrana do Rio de Janeiro

Dois produtores do Rio de Janeiro se juntaram e o resultado foi uma cerveja com aroma e gosto de café. E para quem imaginou que se trata de uma bebida escura, a Coffee Blond da Odin é clara, graças ao blend criado com exclusividade pela Tassinari Cafés.

Ambos os produtores são da região serrana. A cervejaria Odin está instalada em Itaipava. O café Tassinari é produzido em São José do Vale do Rio Preto, respectivamente, distrito e ex-distrito de Petrópolis.


Inicialmente, a Odin usou café convencional na sua receita. Avaliou, porém, que se usasse um café especial, feito “sob medida”, o resultado seria melhor.


“Apresentamos nossa receita para o Paulo (Tassinari) avaliar. Falamos para ele que queríamos uma bebida refrescante, clara, que explorasse o sabor mais frutado do café e não o aspecto torrado”, conta Felipe Rabah, um dos sócios da Odin.


Segundo ele, foram necessárias duas brasagens até chegarem no ponto considerado ideal, em relação à composição do blend criado por Paulo. No total, foram cinco meses até chegarem no “ótimo atual” da Coffee Blond.


Essa cerveja no estilo Blond Ale com adição de café verde resultou em uma bebida com 5,5% de teor alcoólico e 14 IBU (teor de amargor).


“Nós estamos estudando cold brew (extração de café a frio) há mais de 5 anos. Qual o café que funciona melhor? Qual o modo de torrar para compor uma bebida gelada? São desafios que já estamos enfrentando há um bom tempo e isso acabou ajudando na hora de criar o blend para a cerveja”, comenta Paulo Tassinari.


O rótulo chegou ao mercado no final do ano passado. Até então, os pontos de venda só recebiam a Coffee Blond em garrafa. Em chope, passaram a receber no último mês de novembro.


Este ano, a Odin cancelou os lançamentos que estavam programados por conta da pandemia do Coronavírus. Incrementar o delivery, reduzir preço e fortalecer a parceria com os pontos de venda foram as estratégias adotadas pela cervejaria para enfrentar 2020. Deu certo, segundo Felipe.


Inicialmente, fazia parte dos planos expandir a capacidade de produção da cervejaria. A fábrica atual ocupa um espaço de 500 metros quadrados, produz 20 mil litros por mês e conta com oito funcionários. Ninguém foi demitido.


“Sangramos, mas sobrevivemos. Hoje, vendo mais do que no início do ano porque ganhamos terreno no Rio de Janeiro por conta das parcerias com os pontos de venda, mas os custos cresceram também”, explica Felipe.


Ele conta que o principal plano para 2020 era construir uma segunda fábrica, em Belo Horizonte (MG) ou São Paulo (SP), para ampliar o mercado da cervejaria. Também foi adiado. Para 2021, além de retomar os planos de expansão, Felipe quer tirar do papel a Casa Odin, a ser criada em Petrópolis.


Ele e o sócio Flavio Fiori, que é o mestre cervejeiro da marca, são amigos de infância, na cidade serrana, onde também moram. A Odin chegou ao mercado em 2017. Está instalada em uma espécie de condomínio gastronômico onde também funcionam uma charcutaria, sorveteria, apiário, buffet e padaria – todas empresas de produtores da região.


A marca participa, no próximo dia 12, do festival Mondial de la Bière Online com rótulos no Box 3 para a realização de degustação guiada.


“A parceria com a Odin nos enche de orgulho. Espero que a cerveja faça muito sucesso. São ótimas pessoas, além de serem vizinhos de onde é produzido o nosso café”, comenta Paulo.



Publicado originalmente no site Delícias Gastronômicas do Estado do Rio de Janeiro


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