• Sônia Apolinário

Baseado em história real, filme 'Pureza' denuncia o trabalho escravo contemporâneo no Brasil

No próximo dia 28, estreia o filme “Pureza”. É baseado em uma história real: uma mãe que sai em busca do filho e descobre que ainda existe escravidão no Brasil. Isso aconteceu em 1993. No último dia 17 de abril, 24 trabalhadores escravizados de uma fazenda em Minas Gerais foram libertados pela polícia, mas o escravagista segue impune.


Na “ficção”, Pureza Lopes Loyola - que é viva e está muito bem, obrigada - é interpretada por Dira Paes. O filho Abel coube ao ator mineiro Matheus Abreu. No elenco também estão Goretti Ribeiro, Claudio Barros, Alberto Silva Neto, Mariana Nunes, Sérgio Sartório e vários ex-trabalhadores escravizados como Matias Gomes de Souza, Euzimar de Sousa e Adonis Mendes.


Também participam 11 integrantes do Núcleo de Trabalhadores Rurais do MST de Marabá. Os atores Walderez de Barros, Antônio Grassi, Giulio Lopes e Paulo Paiva fazem participações especiais.


“O filme é uma ficção com elementos documentais. A participação dos trabalhadores que já foram escravizados foi marcante. Os atores aprenderam muitas coisas com eles. Há cenas fortes de maus tratos. Os capatazes são sádicos”, observa o diretor Renato Barbieri.


Em 1993, dona Pureza saiu de Bacabal (MA) em busca do filho Abel. Ele fora aliciado para trabalhar em uma fazenda da região. A falta de notícias do filho despertou o sexto sentido da mãe e ela saiu em sua procura. Pelo caminho, se deparou com graves situações de exploração de trabalhadores em garimpos, carvoarias e fazendas. Ela denunciou tudo.


Em 1996, mãe e filho se reencontraram. Ele estava trabalhando em um garimpo, na região Amazônica. Graças às denúncias de dona Pureza, o governo brasileiro reconheceu a existência do trabalho escravo contemporâneo em território nacional. Foram criados mecanismos de fiscalização que resultaram na libertação de 57 mil pessoas, desde então.


Esse número aumentou em 24, no último dia 17 de abril, quando a polícia libertou trabalhadores escravizados no interior de Minas Gerais. Eles “pertenciam” a uma fazenda no município de Olhos D’Água cujas atividades são corte de eucalipto e produção de carvão. Dentre os trabalhadores, estava um adolescente de 17 anos. Até o momento, o que se sabe a respeito do escravagista é que está foragido.


A produção do filme promoveu o encontro de dona Pureza com Dira Paes. Para isso, um grupo viajou para Imperatriz do Maranhão e depois até Bacabal.


“Eu ia seguindo tudo, revirando tudo e perguntando por ele (Abel) com uma foto dele na mão. Eu me sustentava na força que eu tinha”, contou dona Pureza.


“Buscamos a filha dela primeiro, tiramos fotos com a vizinhança. Quando entrei na casa dela, me encantei: ali tudo é tão essencial, quase minimalista. As pessoas vivem com o mínimo possível, e ao mesmo tempo há uma dignidade em cada detalhe. Achei ela (dona Pureza) muito teatral. Quando ela conta algo, ela encena. Usei tudo isso no filme”, afirmou Dira Paes.


"Pureza" foi filmado em 2018, na Amazônia. Já foi exibido no Festival do Rio de 2019 e em vários outros pelo mundo, tendo conquistado vários prêmios.


"Este filme é um grito de horror à escravidão que se pratica no Brasil desde sempre. É também um grito de amor inspirado nessa mulher sertaneja e guerreira que é Pureza Lopes Loyola. Nosso desejo é que mulheres e homens se juntem – sem trégua – nessa grande jornada de combater e erradicar a escravidão no Brasil, para que se encerre de vez esse ciclo tenebroso da nossa História e deixemos de ser uma colônia de nós mesmos para nos tornarmos, enfim, uma grande e digna nação", disse o diretor.


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