Mapa abre processo administrativo contra a cervejaria Backer

O não cumprimento de intimações durante o processo de investigação; o fornecimento de informações incompletas nos relatórios de produção e controle de rastreabilidade ineficientes levaram o  Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento a abrir um processo administrativo contra a cervejaria Backer. Em entrevista coletiva virtual realizada  hoje (5 de agosto), técnicos do Mapa apresentaram detalhes sobre o relatório final, feito pelo Ministério, relacionado ao caso de contaminação de cervejas da marca. Uma das conclusões é que a Backer deliberadamente usava produtos tóxicos na sua produção. O processo administrativo tem prazo de quatro a seis meses para ser concluído e pode resultar na perda do registro da cervejaria. 

 

Participaram da entrevista coletiva virtual o diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal do Mapa, Glauco Bertoldo, e o coordenador-geral de Vinhos e Bebidas, Carlos Muller.

 

Segundo ele, as apurações finais indicam que a cervejaria  adotou “práticas irresponsáveis”  ao utilizar líquidos refrigerantes tóxicos de forma deliberada:

 

“Quando a empresa escolhe utilizar um produto tóxico em detrimento ao  não tóxico disponível no mercado, a empresa assume um risco. Verificamos que a contaminação se deu no processo de resfriamento do mosto. É possível que a água aquecida pelo resfriamento do mosto fosse utilizada para elaborar a próxima batelada de cerveja. Foi nessa água que o Mapa encontrou traços de produtos contaminantes. A hipótese que o Mapa suspeita, mas ainda não tem condições de comprovar, é que ou havia adição de glicol à água ou havia a utilização de um sistema alternativo de resfriamento que, por um defeito do equipamento, permitiu que a  substância fosse para a água”.

 

Muller ressaltou que a elaboração do relatório final “foi importante para desconstruir alguns discursos que apareceram durante o processo de apuração” do caso das cervejas contaminadas.  De acordo com ele, um dos discursos era o que tentava sustentar que leveduras cervejeiras poderiam produzir glicóis. O outro é que várias marcas artesanais também estariam contaminadas.

 

“Não foi encontrado glicol em nenhuma outra cerveja, portanto, trata-se de um produto seguro”, afirmou.

 

Ele observou, porém, que, por conta desse caso, o Mapa passará a fiscalizar com mais rigor os processos de produção das cervejarias.

 

O relatório final do Mapa confirma a ocorrência de contaminações em cervejas produzidas pela Backer desde janeiro de 2019, afastando a possibilidade deste ser um evento isolado no histórico de produção da cervejaria. As apurações fiscais indicaram que a cervejaria Backer adotou “práticas irresponsáveis” ao utilizar líquidos refrigerantes tóxicos de forma deliberada em seu estabelecimento, utilizando-os em detrimento de alternativas atóxicas, como propilenoglicol e álcool etílico potável.

 

As contaminações por mono e dietilenoglicol. não estão restritas a lotes que passaram pelo tanque JB 10, ocorrendo também em cervejas elaboradas anteriormente à instalação deste tanque na cervejaria.

 

O relatório apontou também que a empresa possui “diversas falhas e lacunas em seus sistemas de controle e gestão internos", apresentando informações incompletas nos relatórios de produção e controles de rastreabilidade ineficientes.

 

“Havia uma falta total de controle do que ocorria na empresa”, afirmou Glauco Bertoldo.

 

Em janeiro passado, o Mapa realizou, como medida cautelar, o fechamento da Cervejaria Backer. Adotou, ainda, junto aos demais órgãos, medidas imediatas para interromper a produção e a comercialização dos produtos contaminados por mono e dietilenoglicol.

 

Naquela época, foram apreendidos, no comércio de Minas Gerais, um total de 79.481,34 litros de cerveja, de várias marcas e diversos lotes, com presença dos contaminantes, sendo 56.659 garrafas com riscos aos consumidores. No Espírito Santo, os resultados das análises indicaram 9.047 garrafas de cerveja contaminada retiradas dos mercados, totalizando 5.428,2 litros.

 

Por cada lote contaminado apreendido, a Backer pode vir a pagar uma multa que varia de R$ 2 mil a R$ 117 mil.

 

O relatório informa também que, no início das apurações, o Mapa trabalhou com o método qualitativo para detectar a presença dos contaminantes e assim mitigar os riscos à saúde dos consumidores. Após validação do método quantitativo pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA) de Minas Gerais, as análises passaram a fornecer a quantidade dos contaminantes nas amostras.

 

Ao todo, o relatório apresenta os resultados das análises quantitativas de mono e dietilenoglicol em cerca de 600 amostras de cervejas da Backer, indicando a presença de glicóis em 36 lotes produzidos ao longo de 2019 e 2020, em concentrações variadas. 

 

A Cervejaria Backer segue interditada.

 

Confira a íntegra do relatório, aqui

Sobre a hipótese da contaminação da água na fase da brassagem, veja página 50, capítulo 6.12

 

Leia também:

Onze pessoas da Backer são indiciadas por contaminação de cerveja em Belo Horizonte

 

Para comentar, aqui

 

 

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