• Sônia Apolinário

Cidade catarinense de Curitibanos é palco do 2 º Festival Nacional da Colheita do Lúpulo

Vai ter mini Oktoberfest em pleno fevereiro. Entre os dias 25 e 1 º de março, acontece o 2 º Festival Nacional da Colheita do Lúpulo, em Curitibanos (SC). Na programação, palestras técnicas, feira, concurso de cerveja e de lúpulo, além de festa. Visitantes poderão fazer tour por fazendas da região e ajudar na colheita da planta que confere aroma e amargor para a cerveja.



Na programação de palestras, o destaque é para a participação de Scott Janish, sócio da cervejaria Sapwood Cellars (Columbia, EUA) e autor do livro “A Nova IPA – um guia científico sobre o aroma e sabor do lúpulo”.


No evento, será lançado o Zoneamento Agrícola para o Lúpulo em Santa Catarina. O trabalho foi feito pela Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (EPAGRI), empresa pública vinculada ao Governo do estado.


“O zoneamento é muito importante para os produtores. A partir dele, é possível desenvolver políticas públicas para o setor, o que inclui questões relacionadas com financiamento. Todos os estados produtores deverão ter o zoneamento”, explica o engenheiro agrônomo Rodrigo Baierle, um dos organizadores do evento.


Proprietário da Empresa Lúpulos 1090 e autor do livro “Cultivo de Lúpulo no Brasil”, ele também é um dos palestrantes do Festival.


Concursos


Faz parte da programação o 1 º Concurso Latino de Cervejas Lupuladas. É aberto à participação tanto de cervejeiros profissionais quanto amadores, do Brasil e do exterior.


O concurso tem uma categoria experimental exclusiva para cervejas feitas com lúpulos cultivados em solo nacional, além de outras 19 abrangendo 62 estilos de cervejas. O CLCL é uma iniciativa da organização do festival em parceria com a produtora Matinê Cervejeira.


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Já a Copa Brasileira de Lúpulo vai premiar o melhor produtor e a melhor fazenda por meio da análise de Ácido Alfa (principal composto contribuinte do amargor da cerveja) e óleos essenciais (substâncias responsáveis pelo aroma característico do lúpulo).


Feira e Festa


No parque municipal de Curitibanos, uma área será reservada para a realização de uma feira que apresentará produtos relacionados com toda a cadeia de produção do lúpulo.


No pavilhão com capacidade para 7 mil pessoas, vai acontecer uma mini Oktoberft, com shows de música, parque infantil, presença de nove cervejarias e food trucks.


A primeira edição do Festival, realizada ano passada, teve apenas uma programação de palestras que reuniu 70 pessoas.


Em Curitibanos há uma única fazenda de lúpulo. Nos arredores existem 15. Um dos objetivos do evento é estimular o turismo pelas fazendas.


“A data do evento foi escolhida justamente por ser o início da colheita. Muita gente viaja para Alemanha ou Patagônia para conhecer fazendas e colher lúpulo. Queremos que as pessoas passem a fazer esse turismo no Brasil”, comenta Baierle.




Produção nacional


Atualmente, existem cerca de 50 hectares de áreas cultivadas com lúpulo, no Brasil. Os principais produtores estão em São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. No momento, a Associação Brasileira de Produtores de Lúpulo (Aprolupulo), com sede em Lages (SC), conta com 180 associados.


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Segundo Baierle, é difícil estimar o montante da produção nacional da planta. Ele mesmo, por exemplo, não informa seus números por “questões de estratégia”, como afirma. Porém, acredita que o total atual não chega a dois terços da demanda do país e que ainda vai “demorar décadas” para a produção nacional conseguir atender a demanda interna.


Isso porque, o lúpulo alcança sua maturidade a partir do quinto ano. As plantações mais antigas do país estão chegando ao quarto ano. De acordo com Baierle, o maior desafio que o produtor enfrenta, atualmente, está relacionado com equipamentos.


“O que temos hoje dá conta para fazer colheita em pequenas áreas porque as máquinas são pequenas. É preciso ter máquinas maiores, além de financiamento agrícola e política pública para o setor”, afirma.

Baierle adquiriu seus primeiros lúpulos há 7 anos, movido pela sua curiosidade de engenheiro agrônomo. Chegou a pensar, então, a ter sua própria cervejaria. Estava em pleno desenvolvimento do seu plano de negócio quando recebeu os resultados da análise química que mandara fazer das suas plantas. Descobriu que seus lúpulos tinham qualidades melhores do que muitos dos importados que chegavam ao país. Assim, decidiu mudar de planos. Abandonou a ideia de ter uma cervejaria e se dedicou à produção da planta.


Ele conta que faz do seu 1 hectare de área produtiva um “grande laboratório”. Por lá crescem as variedades Cascade, Saaz, Hallertau Mittelfrüh, Columbus e Comet. Foram os que ficaram depois de ter testado 60 variedades. Agora, com programas de melhoramento genético, ele busca que suas plantas tenham perfil sensorial de frutas tropicais.


Curitibanos fica entre 1mil e 1,1mil metros de altitude. No inverno passado, chegou a nevar na plantação, para felicidade das plantas, segundo Baierle. A temperatura da região permite que o lúpulo entre em dormência, o que faz com que ele tenha somente uma safra. Em outros locais do país, o lúpulo não “consegue dormir” e o produtor tem mais de uma safra por ano. Até que ponto essa quantidade de safras vai alterar a qualidade do lúpulo produzido, só o tempo dirá.


“Ter trocado a cervejaria pela produção foi um ótimo negócio. A produção de lúpulo chegou a aumentar durante a pandemia. Nesse período, as pessoas passaram a olhar a vida de outra maneira. Muita gente foi para sítios e começou a plantar. Deixei de ser cervejeiro para ser lupuleiro. Foi durante a pandemia que escrevi meu livro e dou muitas consultorias”, conta.


Confira a programação completa, aqui


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