Festa da Flor de Lúpulo evidencia potencial da produção serrana fluminense

O lúpulo produzido no Estado do Rio de Janeiro é o mais “robusto” do Brasil. A planta cultivada na serra fluminense concentra a maior quantidade de alfa-ácidos e óleos essenciais já encontrados em pesquisas realizadas, no país. Os índices dos perfis sensoriais de todas as regiões produtoras brasileiras foram apresentados na 2ª Festa da Flor de Lúpulo, realizada nos últimos dias 27 e 28 de abril, em Nova Friburgo (RJ).

 

 

O químico e professor da Escola Superior de Cerveja e Malte, Duan Ceola recebeu, ano passado, 86 amostras de lúpulos cultivados, em todo o país, para estudo. Usou a cromatografia como método para chegar ao perfil sensorial das plantas. Eis o ranking:

 

Rio Grande do Sul:  alfa-ácidos – 3%; óleos essenciais – 0,9%

Santa Catarina:       aa – 3,6%;             oe - 1,12%

Paraná:                      aa – 4,2%;             oe – 0,85%

São Paulo:                 aa – 2,8%;             oe -  0,41%

Rio de Janeiro:         aa – 9,5%;             oe – 1,24%

Minas Gerais:           aa – 6,2%;             oe – 1,53%

 

 

 

“Esses números mostram que o Rio de Janeiro tem um potencial enorme para o cultivo de lúpulo. Houve caso de amostras que chegaram a registrar 12,8% de alfa-ácidos. Acredito que é a incidência de sol que explica esses números. É um sol não apenas com potência, mas com qualidade. Por exemplo, São Paulo tem boa incidência, mas tem mais poluição”, explica  Duan que dá mais detalhes em uma live feita para o Comunic. Ele, no próximo dia 2 de maio, participa de um webinar gratuito sobre lúpulos, a partir das 19h. 

 

O cultivo de lúpulo pode ter potencial, mas está longe de ser um negócio fácil. De acordo com o engenheiro agrônomo Alexandre Jacintho, quem pretende se tornar produtor precisa ter “cautela”  porque só terá retorno “a longo prazo”.

 

Técnico regional da EMATER (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio de

Janeiro)-Rio, ele acompanhou, durante o último ano, o cultivo do pioneiro na região de Friburgo, Paulo Celles Cordeiro, e deu dicas sobre as melhores práticas agrícolas para o lúpulo de Nova Friburgo, também em uma live para o Comunic.

 

Pesquisador da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), Fernando Teixeira Samary apresentou a Rede Lúpulo Serra Fluminense, um programa de fomento à produção da região que conta com  12 cervejarias e 28 marcas.

 

A Embrapa é uma empresa pública de pesquisa vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil. É uma das instituições integrante do colegiado que forma a Rede Lúpulo.

 

“O objetivo da Rede é conhecer os cultivos, identificar os varietais que melhor se adaptam à região, disponibilizar apoio e fomento aos produtores, além de promover o acesso ao mercado comprador de lúpulo”, explica Fernando.

 

Ele informou que, no momento, dois projetos começam a ser executados no âmbito da Rede. Um fará um estudo de avaliação técnica e econômica do cultivo em Amparo. O outro tem como título “Avaliação agronômica e aspectos fito químicos de variedades de Lúpulo (Humulus Lupulus L.) em Sistema Orgânico na região Serrana Fluminense (Brasil) e o processo de construção da cadeia produtiva na região de El Bolsón (Argentina)”. O próprio responsável por esse estudo, Leonardo Lopes da Silva (Doutorando no programa de Pós Graduação em Ciências, Tecnologia e Inovação em Agropecuária na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro) explicou sobre seu projeto, no evento.

 

Experiências cervejeiras

 

Em uma das palestras do evento, o sommelier José Raimundo Padilha  falou sobre o impacto da utilização de lúpulo fresco na produção cervejeira do Rio de Janeiro. Segundo ele, trata-se de um trunfo para o mercado fluminense, como avaliou em live para o Comunic.

 

Mestre em Estilos pelo Siebel Institute, ele tem contribuído, como consultor, não apenas na produções de cerveja com a utilização do lúpulo fresco, mas também estimulando o uso da planta na gastronomia.  A chef vegana Clarissa Taguchi, da Pancs Brasil, “apanhou” bastante do lúpulo até descobrir boas utilizações para ele em panelas que não as de brassagem de cerveja. Muito dessa experiência ela conta em um live para o Comunic.

 

Cervejeiros de Nova Friburgo estão sendo “desafiados” a produzir utilizando o lúpulo fresco da região. Uma dessas experiências foi relatada no evento por Gabriel Thuler, da cervejaria Alpendorf, que fez, para a Festa, 150 litros da Friburgo IPA.

 

“Minha principal dificuldade foi saber a quantidade de lúpulo fresco que deveria utilizar, pois não estou acostumado a usá-lo. Não obtive o resultado esperado quanto ao amargor. Para resolver isso, usei extrato de lúpulo. Percebi que o amargor da flor fresca é menos eficiente do que nos pellets. Já para aroma, o fresco é que me pareceu mais eficiente. A Friburgo IPA (esquerda na foto) resultou em uma IPA menos amarga, menos cansativa, interessante”, conta ele que dá mais detalhes dessa produção em uma live para o Comunic.

 

 

 

Quem também criou um rótulo especialmente para a festa foi a Griebier. O cervejeiro André Gripp fez uma Brut IPA (primeira à direita, na régua) com Saaz em flor, que foi para a panela no meio e no final da fervura:

 

“Utilizo sempre para sabor 30-20 e aroma 10-5 minutos dentro de bag de voil. Posso dizer que não tenho tido mais sustos com a utilização de lúpulos frescos, mas ainda preciso regular a quantidade. Utilizo o mesmo parâmetro do peletizado, mas, na prática, há uma diferença. Essa questão da quantidade certa para se usar vai ser resolvida conforme forem feitos mais análises de óleos e alfa dos lúpulos da região”, diz André.

 

 

 

A Fri Bier fez uma Munich Helles (foto) e uma Summer Ale com dry hopping de Cascade em flor. Bernardo Santos, filho do dono da marca, conta que o pai não teve problemas com a produção em função de usar lúpulo fresco e o resultado saiu conforme o planejado.

 

 

 

 

 

A Hessen Bier criou uma Red IPA com Brazylijski no início da fervura. O cervejeiro Tomás dos Santos explica que seu objetivo era fazer uma cerveja mais cítrica. Ele usou 95 gramas de lúpulo fresco para 100 litros de cerveja, mas acrescentou outros lúpulos na receita.

 

“Nunca tinha usado lúpulo fresco antes. Resultou um aroma maior do que o esperado. A Red

IPA é nosso carro-chefe, então, não quis mexer muito nela. Vou criar uma receita especialmente para o lúpulo fresco. Como cervejeiro local, tenho que me esforçar, ao máximo, para produzir cerveja com lúpulo da nossa terra”, afirma.

 

Quem tem fornecido o lúpulo fresco para os cervejeiros de Nova Friburgo fazerem suas experiências é o produtor Paulo Cordeiro. Ele é o pioneiro no cultivo da planta, na região, mais especificamente, em Amparo. 

 

Paulo foi quem idealizou e organizou as edições deste ano e de 2018 da Festa da Flor de Lúpulo. Em um live para o Comunic, ele contou que, do ano passado para cá, aumentou sua área de cultivo, obteve aumento significativo na sua produção e tem planos para mais uma expansão da sua área cultivada - onde os lúpulos dividem espaço com flores e árvores frutíferas.

 

 

 

 Para comentar, aqui

 

Lupulinário cobriu 2ª Festa da Flor de Lúpulo a convite de Paulo Celles Cordeiro

Apoio: pousada Recanto Balthazar e restaurante Fogão a Lenha

Rua Antônio Lugon 141, Amparo, Nova Friburgo - RJ

 

 

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