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Escritor Ailton Krenak abre evento em Niterói que vai celebrar a ancestralidade indígena

  • Foto do escritor: Sônia Apolinário
    Sônia Apolinário
  • há 2 horas
  • 3 min de leitura


Com uma intervenção cênica que contará com a participação do escritor e filósofo Ailton Krenak, será aberto o evento “Encontro com Arariboia” , nesta sexta-feira (20), às 17h, no Salão Nobre da Faculdade de Direito da UFF, no Ingá.


Trata-se de um verdadeiro encontro indígena, a ser realizado até domingo (22), também no Centro Eco Cultural Sueli Pontes, em Piratininga. Na programação, debates, atividades artísticas, feira cultural e a reunião de diversos indígenas que atuam como ativistas, artistas, juristas, antropólogos, professores e historiadores pelo Brasil.


Ailton Krenak participa do “Veredito Ancestral”, sobre a Batalha de Uruçumirim e a colonização da Baía da Guanabara. O “Veredito Ancestral” é uma atividade cênico-pedagógica em formato de tribunal histórico, que revisita os conflitos e alianças que marcaram a formação da Guanabara e a cidade de Niterói. Uma figura central nesse julgamento é Arariboia personagem principal do mito da fundação da cidade.


Batalha de Uruçumirim



Tamoios enfrentando Temiminós, aliados dos portugueses, em batalha na Baía de Guanabara. “Batalha entre indígenas”, gravura de Theodoro de Bry – Reprodução do livro Duas Viagens ao Brasil de Hans Staden. Foto: reprodução site Rio Memórias
Tamoios enfrentando Temiminós, aliados dos portugueses, em batalha na Baía de Guanabara. “Batalha entre indígenas”, gravura de Theodoro de Bry – Reprodução do livro Duas Viagens ao Brasil de Hans Staden. Foto: reprodução site Rio Memórias

A pesquisadora Helena Gomes do Projeto República (UFMG) escreveu sobre a Batalha de Uruçumirim no site Rio Memórias:


"Em meados do século XVI, a baía de Guanabara era território disputado por indígenas temiminós (Arariboia) e tupinambás. Ali chegou, em 1555, uma expedição francesa com o intuito de instaurar a França Antártica. Em face das tentativas de ocupação orquestradas pelos portugueses, a expedição liderada por Nicolas Durand de Villegagnon, se baseava em relações mais harmônicas com os indígenas.


Frente à colonização francesa, alguns pontos estratégicos da baía eram subsequentemente conquistados e ocupados pelos portugueses ao longo daqueles anos. Em 1566, uma decisão da Coroa portuguesa culminaria nas ações que determinaram a conquista definitiva das terras do Rio de Janeiro. Nesse ano, Mem de Sá, governador geral da América portuguesa, saía de Salvador e se unia a seu sobrinho Estácio de Sá, que há dois já disputava o domínio das terras do rio Karioka.


Em 20 de janeiro de 1567, no dia de São Sebastião, ocorreu o combate ao aldeamento de Uruçumirim, uma consolidada taba onde hoje se encontra o morro da Glória, ocupada por centenas de tupinambás e alguns aliados franceses, sobreviventes da batalha de 1560. Mem de Sá relatou, em documento publicado posteriormente, que, mesmo com a morte massiva de indígenas e franceses, entre os “cristãos” foram também contados muitos óbitos.


Depois da batalha de Uruçumirim, muitos guerreiros indígenas foram presos, e outros tantos fugiram para a região de Cabo Frio. O evento acabou se tornando uma referência da ocupação portuguesa no Rio de Janeiro, sobretudo pela memória de Estácio de Sá, morto semanas após o evento, por ter sido atingido por uma flecha envenenada na batalha."


Guaranis



Integrantes do coral da tribo Guarani Mbyá que se apresentarão no evento
Integrantes do coral da tribo Guarani Mbyá que se apresentarão no evento

Dentre os participantes do evento estão integrantes da tribo Guarani Mbyá, que vive na vizinha Maricá (RJ). O grupo, porém, vivia, inicialmente, em Niterói.


Em 2008, famílias Guarani Mbyá ocuparam uma área de restinga e sambaquis em Camboinhas. A ocupação gerou forte resistência dos moradores do bairro nobre da Região Oceânica de Niterói. Vários atos foram cometidos contra os indígenas que teve a aldeia incendiada, em 2009.


O governo de Maricá acolheu os indígenas. Eles vivem na Aldeia Mata Verde Bonita (Tekoa Ka'guy Ovy Porã), em São José do Imbassaí, estabelecida por cerca de 20 famílias em 2013. Eles mantêm viva a cultura, o plantio e a língua Guarani.


Segundo a curadora do evento, a jornalista e roteirista Renata Tupinambá, o “Encontro com Arariboia” é um convite "para as pessoas se reconectarem com as memórias indígenas da cidade e conhecerem mais sobre as culturas indígenas do Brasil":


- Nosso objetivo principal é trazer histórias que não foram contadas pelos livros de História, mas fazem parte das narrativas de muitas famílias indígenas que foram resistindo ao longo do tempo em Niterói, no Rio de Janeiro, e como nossas histórias se encontram com as de muitas pessoas que estão aqui também - afirmou Renata Tupinambá.


Confira a programação completa




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