Vem aí o Campeonato Brasileiro de Quadrilhas Juninas
- Sônia Apolinário

- há 11 minutos
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Com a participação de 25 das 27 unidades federativas do país, o Campeonato Brasileiro de Quadrilhas Juninas será realizado de 23 a 26 de julho, em Maceió (AL).
Até lá, seletivas ainda serão realizadas, em todo o país, para definir os grupos que representarão cada estado. A quadrilha Portal do Sertão, da cidade pernambucana de Arcoverde, é a atual campeã. A localidade é famosa justamente pelas suas tradicionais festas juninas, que atraem milhares de turistas.
Nessa 11ª edição, o evento contará, pela primeira vez, com a participação de grupos do sul do Brasil, mais precisamente, Paraná e Santa Catarina.
- Achávamos que não tinha quadrilha junina no sul - admitiu Michael Helry da Silva, coordenador da competição desde 2010 e presidente da Confederação Nacional de Quadrilhas Juninas, como ele disse, "uma espécie de CBF das quadrilhas juninas".
Segundo ele, atualmente, existem, no país, cerca de 4.500 grupos que formam quadrilhas juninas. Mas já foram mais de 5 mil.
A redução se explica por vários motivos. O principal deles é econômico. Um traje feminino são sai por menos de R$ 500,00, mas pode chegar fácil a R$ 5 mil. E na grande maioria das vezes, é o integrante que paga pelo seu próprio figurino.
Quem vence o Campeonato Brasileiro de Quadrilhas Juninas leva um prêmio de R$ 30 mil. Porém, só para participar do evento, um grupo arca com custos que variam de R$ 80 mil a R$ 400 mil.
- Cada grupo faz seu corre para colocar seu espetáculo na rua. Geralmente, não há apoio institucional ou de prefeituras. O componente gasta para dançar porque dançar é sua felicidade - afirmou Michael.
Rainhas
Para participar do Campeonato Brasileiro, a quadrilha tem que ter um mínimo de 16 e um máximo de 60 pares. No Maranhão, um único grupo é formado por 200 pessoas. Mas a maior parte das quadrilhas é composta por 30 pares.

É obrigatório ter um marcador - responsável por puxar a quadrilha, ao microfone - e o casal de noivos. Ter uma rainha é opcional, mas esse "cargo" vem se destacando a cada ano. A atual Rainha campeã é Joana Ramos (foto ao lado), da Quadrilha Simpatia da Juventude, do Amapá. O Ceará é o estado que mais tem Rainhas campeãs.
- Na origem das quadrilhas, o que se tinha era a rainha do milho. Atualmente, porém, o milho ficou para trás - brincou Michael, observando que algumas rainhas, de tão famosas, têm direito a destaque na apresentação do grupo.
O campeonato
Quem participa do Campeonato Brasileiro se apresenta para uma bancada de dez jurados, sendo dois de cada região do país. Atualmente, todos eles julgam todos os quesitos, mas, segundo Michael, estuda-se a possibilidade de implantar o julgamento temático.
A apresentação deve ter, no máximo 30 minutos de duração. Os quesitos analisados são: marcador, puxador, noivos, rainha, figurino, coreografia e temática - o tema da atual campeã foi Vento e Poeira (abaixo, trechos da apresentação).
Na opinião de Michael, o quesito mais difícil de julgar é a coreografia. Isso porque, quem acha que uma dança de quadrilha é tudo igual se engana. Ele explicou que os grupos de Brasília, por exemplo, têm um estilo de dançar "mais caipira, bem solto". Diferente do Rio de Janeiro, que tem uma movimentação mais rápida. Minas Gerais também tem sua forma original de dançar.
- Durante um tempo, cada estado vivia na sua bolha. Com a Internet e as competições, um pode observar a dança do outro. Atualmente, São Paulo dança parecido com o Ceará e Pernambuco com a Bahia, sendo que, os pernambucanos costumam começar as apresentações com o casamento caipira. Rio, Distrito Federal e Minas são os grupos mais originais - disse Michael, um pernambucano que mora em Aracaju (SE) há 30 anos e jura que não torce para nenhum estado em especial.
Rio de Janeiro
Foi no estado do Rio de Janeiro, na cidade de Seropédica, que foi realizada a primeira edição do Campeonato Brasileiro de Quadrilhas Juninas. O estado, segundo Michael, é o que mais investe em quadrilhas juninas. Tanto que é o que mais tem federações - sete ao todo.
Em todo o estado do Rio de Janeiro, existem cerca de 200 grupos que mantêm a tradição das quadrilhas de festas juninas. Desse total, 50 fazem parte do Grupo Especial, a elite do segmento.

Atualmente, a quadrilha Forrozão Junino (foto ao lado), de Bonsucesso, bairro da zona norte carioca, é bicampeão do Rio. O grupo já estava certo para participar do "Brasileirão" deste ano, mas é possível que seja feita uma seletiva do estado, até julho.
Michael contou que chegou a ser negociada com Maricá (RJ) a realização do Campeonato Brasileiro deste ano:
- O pessoal de Maricá demonstrou grande interesse, mas depois, não deu mais bola para o assunto.
Ano passado, a competição aconteceu em Barra de São Miguel (AL). Em 2027, será em Caruaru (PE).
- É um desafio muito grande realizar a competição. Não somente porque o componente paga para dançar. Já teve ano que o grupo do Amapá viajou 24h de barco só para chegar no Pará e seguir para o local do evento. Um grupo do Acre já ficou seis dias na estrada para se apresentar por 30 minutos. Isso mostra que as pessoas participam por amor. Gastam o que têm e o que não têm e se sentem honrados em participar. Costumo dizer que não se trata de competição, mas de celebração, de confraternização - afirmou Michael.
Ele que, como disse, já brincou muito, garante que qualquer pessoa pode fazer parte de uma quadrilha junina. O que é preciso: "ter entre 13 e 80 anos, querer dançar e ter disponibilidade para ensaiar por seis meses".
- Quando os grupos se reúnem, o campeonato vira uma celebração da cultura brasileira - comparou Michael.












































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