top of page

Icônico grupo Farofa Carioca estreia o show 'Baile do Caramelo' no Teatro Rival

  • Foto do escritor: Sônia Apolinário
    Sônia Apolinário
  • há 3 minutos
  • 5 min de leitura

Fotos: Divulgação
Fotos: Divulgação


Quem frequentava shows, principalmente os dançantes, no Rio de Janeiro, há 29 anos, dificilmente passou "incólume" ao Farofa Carioca. O estilo musical do grupo, fruto de uma misturada de ritmos como funk, jongo, rock, jazz, rap, reggae, xote e, principalmente, samba, foi uma baita novidade para a época.


Vem de lá músicas que se eternizaram e são sucesso ainda hoje como "São Gonça” ou "A Carne" (imortalizada por Elza Soares). Mas como uma espécie de estrela cadente, o Farofa Carioca brilhou rápido e sumiu. Há cerca de um ano, porém, os antigos integrantes se reuniram dispostos a recuperar o antigo brilho.


Na próxima quinta-feira (30), o grupo escreve um novo capítulo na sua história com a estreia do show “Baile do Caramelo”, no Teatro Rival, no Rio, com direito a lançamento do single "Caramelo", gravado com participação de Frejat.


No repertório do show estarão sucessos daquela época e que ainda hoje embalam o público como “Moro no Brasil”, “Bebel”, “Doidinha”, “A lei da bala” e, claro, "São Gonça” e "A Carne", além de surpresas como “Malandragem dá um tempo” (Bezerra da Silva), “Feira de Acari” (MC Batata), "O Vendedor de Bananas" (Jorge Ben Jor), "Manhã de Carnaval" (Luiz Bonfá) e Juízo Final (Nelson Cavaquinho).


A apresentação conta com as participações do DJ Machintal e da cantora norte-americana Kandace Lindsey, vencedora do Grammy Latino em 2024 como Artista Convidada do álbum “O Mundo dá Voltas”, do BaianaSystem.


Com dificuldade de ligar o "nome à pessoa"? O Farofa Carioca foi criado por Seu Jorge e o também músico e cantor Gabriel Moura, além do flautista Bertrand Doussain. Foram as saídas de Jorge e Gabriel que desestabilizaram o grupo, que encerrou suas atividades em 2012.


Cronologicamente, a trajetória do Farofa começa em 1997 com um primeiro show, no bairro carioca de Santa Teresa. O primeiro disco "Moro no Brasil" foi lançado no ano seguinte e, na sequência, Seu Jorge saiu do grupo para seguir carreira solo. Em 2000, Gabriel Moura também saiu.


- O Farofa tem seu espaço na música brasileira. O show é a vontade de retornarmos, de assumirmos o protagonismo de nós mesmos - afirmou Gabriel Moura em entrevista exclusiva para o ComuniC.


Com ele, no palco, estarão Mario Broder (voz), Bertrand Doussain (flauta), Carlos Moura (trombone), Valmir Ribeiro (cavaquinho), Sergio Granha (contrabaixo), Sandrinho Carioca (percussao e voz) e Wellington Coelho (percussão).


Confira a entrevista



Gabriel Moura, de camisa vermelha, foi um dos criadores do Farofa Carioca
Gabriel Moura, de camisa vermelha, foi um dos criadores do Farofa Carioca

O que esperar do show “Baile do Caramelo”?

Gabriel Moura: O show marca um novo momento da banda. Estamos lançando coisas novas, o que é importante para desatrelar à imagem de Seu Jorge. O single "Caramelo" foi inspirado no nosso mascote, que é um vira-lata. Tinha sempre um na casa onde a gente ensaiava, lá no início, e, por isso, o caramelo foi para a logo do grupo. O Caramelo representa todos os cachorros sem raça definida. Ele também representa, de certa forma, a maneira de ser do brasileiro. O Caramelo é uma mistura de várias raças, é fiel, é resiliente. Sobre a participação da Kandace Lindsey, somos amigos há uns dois anos e a convidei para cantar conosco. Eu não falo bem inglês, ela não fala bem português, mas a música resolve nossa comunicação. Além disso, tem o fato de ser no Teatro Rival, que tem uma coisa de resistência cultural do Rio. Tocar no Rival é manter a luz acesa. É uma casa importante que faz parte da nossa história.


Você se empenhou pela volta do grupo à ativa. Por que?

GM: Eu venho querendo o retorno do Farofa há um tempo. Depois que Jorge e eu saímos, a coisa desmoronou. O grupo se reorganizou com o Mario Broder e, nesse momento, confesso que fiquei com ciúmes. Fiquei olhando de fora, querendo voltar sem saber como, achando que era uma história que não me pertencia mais. Sempre penava que temos uma história grande para ser desperdiçada.


O Farofa foi uma grande novidade e sua sonoridade, de certa forma, foi explorada por outros artistas. O trabalho do grupo não ficou datado?

GM: Um dos diferenciais do grupo são as canções. Elas vão na frente do conceito sonoro. Esse conceito é legal manter e não pode ser considerado datado porque os instumentos estão aí até hoje. Nosso som é limpo, acústico, eterno. Não tem como ser datado. As coposições de época talvez ficassem datadas, mas a gente não se expressa mais da mesma forma. "Caramelo", por exemplo, é uma música que não tem nada do que a gente já fez antes. é uma música diferente, um tema diferente. E ainda estamos lançando, junto com a música, uma campanha: “Não compre, adote”, em parceria com ONGs de resgate e amparo a animais de rua. E vai ter mutirão para arrecadar ração. Quem doar um quilo ganha desconto de 20% no valor dos ingressos.


O que foi mais difícil: começar ou voltar?

GM: Voltar. Quando o grupo acabou, em 2012, o pessoal estava brigado. Comecei a visitar cada um para juntar os nós e tentar dar uma nova chance para a banda. Foi como o fim de um casamento, com oito integrantes, a maioria pessoas negras com seus traumas da negritude. Não foi fácil.


Como avalia a explosão do grupo logo no início?

GM: O Farofa não foi uma explosão; foi uma explosão em potencial. Porque começou a crescer, a chamar atenção da mídia, estava em fase ascendente quando Seu Jorge saiu. Foi um encontro que chamou atenção de bastante gente e, depois, não teve a exposição adequada. A capacidade que o Farofa teve de liderar em um momento culturalmente rico no Rio de Janeiro, carregando multidões, foi incrível. Todo aquele movimento do início, era algo que a gente queria, mas não sabia como fazer. Acabou que aconteceu. Foi como uma catarse nossa e do público. Foi fácil viver isso na época. Difícil foi viver a queda a partir da saída do Seu Jorge. Hoje temos um olhar mais maduro, de quem já fez sucesso e não também não fez.


Chegou a cogitar convidar Seu Jorge para voltar?

GM: Ele está em outro momento, não faria sentido. Mas ele já se apresentou com a gente, nesse período de retorno.


Vocês têm planos de lançar um álbum?

GM: Sim. a gente gosta de disco; Discos contam uma história, têm um contexto. O nosso primeiro disco ficou 26 anos fora das prateleiras digitais. Ano passado, conseguimos lançar o "Moro no Brasil" no streaming. Lançamos em vinil também. Para um novo disco, já temos, inclusive, três músicas gravadas, desde o ano passado. Gravamos com os recursos que temos, então, é como obra de igreja. A ideia é lançar cada uma delas, separadamente, até outubro. "Caramelo" é a primeira. Para um futuro disco, já temos um ótimo começo.


O público dos shows atuais são os fãs de 29 anos atrás?

GM: Muita gente nova está chegando nos shows. Acho que são pessoas mais novas levadas por pessoas mais velhas.


O grupo tem a expectativa de "explodir" outra vez?

GM: Só de conseguir a volta, do grupo ter se reencontrando, nos dramas e felicidades, é uma forma de recuperar o estado natural que é a nossa amizade. O que queremos é fazer música do jeito que a gente gosta, fazendo som potente. A visão de mundo de todos nós é diferente hoje por conta do que foi vivido esses anos: teve a chegada ao poder da extrema direita, temos o trabalho de reafirmação da negritudadde. Isso trouxe uma nova consciência. Muita coisa avançou, mas não existe mais a expectativa que vai haver um mundo de paz simplesmente porque muita gente não quer isso. Tem gente que quer mais é que se phoda e não tem vergonha de dizer, ao contrário, diz isso com orgulho, diz com orgulho que é racista, xenófobo, machista. O que nós queremos é trazer frescor, vontade, energia.


Serviço

Farofa Carioca estreia "Baile do Caramelo”

Data: 30 de julho, às 19h30, com abertura da casa às 18h30

Local: Teatro Rival Petrobras - Rua Álvaro Alvim, 33 - Subsolo, Centro do Rio de Janeiro

Ingressos a partir de R$ 45,00

Destaques
Últimas

© Todos os direitos reservados Comunic Sônia Apolinário 

bottom of page