Ex-presidente da Fiocruz, Nísia Trindade conta em livro os bastidores da Covid-19 em tempos de negacionismo no Brasil
- Redação
- há 25 minutos
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Primeira mulher a ocupar a presidência da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e assumir o ministério da Saúde, Nísia Trindade lança, nesta quarta-feira (1º), em Brasília, o livro "Ainda há tempo: a pandemia de Covid-19 e a transformação do futuro" (Editora Civilização Brasileira). Na quinta-feira (2), ela participa do lançamento do livro, no Rio, na Pontifícia Universidade Católica, na Gávea.
A obra apresenta um testemunho corajoso da pesquisadora emérita da Fiocruz sobre a articulação entre ciência e gestão pública, revelando como a Fundação enfrentou ataques, negacionismo e desafios históricos.
Para a realização do livro, Nísia reuniu relatos inéditos de episódios como a criação de um hospital de emergência de alta complexidade em Manguinhos e a negociação da transferência de tecnologia da vacina da AstraZeneca. Ela narra os bastidores da pandemia como quem esteve no centro das decisões científicas e políticas do país e apresenta uma nova visão de futuro para a saúde brasileira.
Com textos de orelha escritos por Drauzio Varella e pela pesquisadora da Fiocruz Margareth Dalcolmo, o livro tem prefácio assinado por André Botelho, professor de sociologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
No seu relato, a ex-ministra do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2023 e 2025) assume um novo desafio: o de se colocar simultaneamente como testemunha, protagonista e analista de uma crise sanitária sem precedentes no mundo.
À frente da Fiocruz, atuou na coordenação de ações institucionais; na viabilização da vacinação no país; junto aos movimentos sociais e territórios de comunidades e periferias em todo o Brasil; na gestão das centrais de diagnóstico; na participação em fóruns de saúde global coordenados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Tudo isso enquanto o então presidente Jair Bolsonaro fomentava uma postura anticientífica e de desprezo à vida em meio a uma atmosfera de negacionismo.
- Ainda que tenhamos expressivo conjunto de trabalhos dedicados ao tema, reconstituir de forma ampla a história da pandemia de Covid-19 no Brasil é uma tarefa ainda a ser empreendida. Minha pretensão foi bem mais modesta: trazer a público meu testemunho como alguém que, de uma posição institucional, procurou contribuir tanto quanto pôde com medidas não farmacológicas, vacinas, testes e medicamentos e que, pela formação em pesquisa nas ciências sociais, desejava alargar o entendimento sobre a emergência pandêmica - afirmou Nísia.
Ela apresenta suas versões como socióloga, sanitarista, gestora, mulher e cidadã politicamente engajada a fim de dividir com leitores a multiplicidade de histórias e perspectivas de um Brasil em transformação:
- O silêncio é o pior adversário diante de traumas, ainda mais quando podemos considerá-los coletivos - comentou.
A obra não se limita a expor os absurdos a serem combatidos, mas também propõe uma postura assertiva e esperançosa para enfrentar os desafios. Além de uma recapitulação da história recente, "Ainda há tempo" (364 páginas, R$ 79,90) é uma chamada ao diálogo e à reflexão.
Fonte: Agência Fiocruz

























