Theatro Municipal de Niterói completa 142 anos
- Redação
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No próximo sábado (8), o Theatro Municipal João Caetano completa 142 anos. Para quem não está ligando o nome à pessoa, trata-se do Theatro Municipal de Niterói, que fica no centro da cidade.
No começo da sua história, o então Theatro da Praia Grande era uma simples casa de espetáculos, erguida em 1827, na Vila Real de Praia Grande. Pelo endereço original, ficava no Caminho do Capitão Mor; depois virou Rua da Imperatriz; passou para Rua do Teatro; até chegar à atual Rua XV de Novembro.
No comando dessa casa de espetáculos estavam personalidades da Vila como o comerciante Joaquim Antonio Correia Bacelar e os vereadores Alexandre Pinto de Carvalho e André de Moura Velho.
O imóvel onde funcionou o teatro teve vários donos, até que chegou, por doação, à Sociedade Philodramática de Niterói. Isso foi em 1840 quando o local já se chamava Theatro Nictheroyense. Dois anos depois, o ator, diretor e empresário João Caetano dos Santos adquiriu a casa por 4 contos de réis.

Santa Thereza
Por essa época, D. Pedro II já estava casado, por procuração, com a princesa de Nápoles, Thereza Cristina Maria de Bourbon (1822-1889), que só chegaria ao Brasil em 1843. Mas o novo teatro desde logo recebeu, em sua homenagem, o nome de Santa Thereza.
A casa original passou por duas reformas para ficar mais elegante e recebeu, mais de uma vez, o imperador Pedro II. O que ele viu por lá? Comédias de Victorien Sardou, autos de Gil Vicente, dramalhões de Alexandre Dumas e versões de Jean-François Ducis para as tragédias de William Shakespeare.

Foi no Theatro Santa Thereza que João Caetano representou pela última vez, em 18 de setembro de 1862. Ele encenava "Os Nossos Íntimos", de Sardou, quando adoeceu e morreu, no em 24 agosto de 1863.
Com sua morte, iniciou a decadência do teatro que acabou sendo devolvida ao governo da província porque a viúva do ator, Estela Sezefreda, que não quis ou não pôde explorar o Santa Thereza.
Felice Tati
Em ruínas, o teatro foi demolido em 1866, sob risco iminente de desabamento. O maestro e cantor italiano (1845-1909), radicado desde menino em Niterói, tomou a si, em 1875, a tarefa de reconstruir o Santa Thereza.

Associado a personalidades da época, criou a Companhia Theatro Santa Thereza. No mesmo local do Theatro da Praia Grande, em janeiro de 1878, foi colocada a pedra fundamental do novo teatro. A obra foi mal feita, sendo interrompida. Tati levou os empreiteiros para a Justiça e o caso se arrastou.
Em 1883, o jovem artista niteroiense Antonio Parreiras foi chamado para fazer o plano de fundo do futuro teatro, ainda em obras. Ele sugeriu uma vista da praia de Icaraí, o que foi considerado pouco teatral. Parreira acabou por fazer um desenho que representava as colinas do Coliseu. Aprovadíssimo.
O novo Theatro Santa Thereza era para ter sido inaugurado em 14 de julho de 1884. A solenidade, porém, foi adiada para 8 de agosto, para conciliar com a concorrida agenda do imperador.
Presentes à festa ainda estavam o presidente da província, José Leandro de Godói e Vasconcelos, ministros de Estado, senadores, deputados, jornalistas, literatos. No palco, a famosa companhia do português José Dias Braga, que encenou "O Gran Galeoto", de José Echegaray y Eizaguirre, prêmio Nobel de Literatura - vinte anos depois.
Logo após à inauguração, a obra do novo teatro foi vítima de fake news que diziam que o local poderia desabar a qualquer momento. Resultado: o theatro ficou sem público. Por imbróglios financeiros, o teatro voltava a ser propriedade da província por uma suposta dívida de 10 contos de réis.
As autoridades venderam tudo o que tinha dentro do teatro, inclusive o pano de boca pintado por Antônio Parreiras. Não bastasse a má sorte, o imóvel foi muito danificado durante a Revolta da Armada (1893-94), quando Niterói foi bombardeada diariamente.
Em 1895, a Assembleia Legislativa autorizou o governo a leiloar o prédio do Santa Thereza. Houve protestos por todos os lados.
João Caetano
O imóvel acabou sendo arrematado pela Câmara de Niterói que, após reformas, inaugurou em 1º de janeiro de 1897 o Theatro Municipal de Nictheroy que, três anos depois, foi rebatizado como Theatro João Caetano.
De lá para cá, foram feitas inúmeras reformas no prédio. De uma maneira geral, o teatro vivia sem grandes atenções por parte do governo municipal.
Em 1995 foi feita uma grande obra que buscou restaurar o teatro original, apesar das várias intervenções já sofridas pelo imóvel. Daquela reforma foi mantida a atual fachada em estilo do renascimento, as pinturas de Driendl, as frisas ao lado da plateia ou os balcões policromados e recuperadas as cadeiras de palhinha austríacas. Outro ponto de destaque que surgiu após as obras foi o pano de boca pintado por Roberto Burle Marx.
1904 1925 1960
Doada pela Mesbla em 1986, a casa anexa ao prédio foi definitivamente incorporada ao complexo, com o nome de Sala Carlos Couto, homenagem a um ex-diretor do teatro, que, quando jovem, por muitas vezes apresentou-se em seu palco.
Ao longo desses 142 anos, o teatro abrigou o Teatro de Ópera de Niterói; a Academia Fluminense de Literatura; a Orquestra Symphonica Fluminense, duas companhias de ballet municipais; uma companhia de teatro infantil; e o Conservatório de Música de Niterói.
E recebeu atores como Leopoldo Fróes, Ismênia dos Santos, Xisto Bahia; Artur Azevedo, Bibi e Procópio Ferreira, Paschoal Carlos Magno e Fernanda Montenegro. Além dos músicos Radamés Gnatalli, Francisco Mignone, Magda Tagliaferro, Heitor Villa Lobos e Pixinguinha.
O Municipal de Niterói foi, a 7 de março de 1998, o último palco do cantor e compositor Tim Maia.
Resumido de texto original de Alexandre Porto publicado pela Fundação de Artes de Niterói (FAN)































