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Jurema bar: sucesso carioca com raizes em Niterói

  • Foto do escritor: Sônia Apolinário
    Sônia Apolinário
  • há 16 minutos
  • 6 min de leitura

Fotos: Divulgação
Fotos: Divulgação

Há pouco mais de um mês, o Jurema bar, na Lapa (RJ), foi o vencedor em duas categorias de uma mesma premiação gastronômica tradicional do Rio de Janeiro: melhor cozinha de bar e chef revelação para Pedro Attayde.


Reparem: o prêmio diz cozinha de bar e não de boteco. Pode parecer a mesma coisa para o público, mas para os sócios da casa, não é. Muito pelo contrário.


- Foi o melhor prêmio que poderíamos receber. Desde o início, o que queríamos era fazer uma coisa diferente na Lapa: comida com técnica, mas apresentada de forma simples. Ouvi muitas críticas que os novos bares do Rio estavam gourmetizando a comida de boteco. E, definitivamente, não era essa nossa proposta, mas, sim, ser uma boa comida de bar. Acredito que o prêmio veio pela autenticidade do projeto - afirmou o publicitário Thomás Faria, de 32 anos, um dos sócios do Jurema.


O bar, com capacidade de 60 lugares, foi aberto em dezembro de 2024. De lá para cá, a "família" Jurema ampliou seus domínios na rua Morais e Vale. Primeiro, chegou o Armazém, em fevereiro do ano passado; seis meses depois, foi inaugurado o Jurema Brasa, com 120 lugares.



Quem diria, o sucesso de hoje tem raízes em Niterói, cidade natal de Thomás e seu sócio João Fontes. Em 2022, eles abriram (com um terceiro sócio, André Lassance) o Boteco da Banca, na badalada rua Leandro Mota, no Jardim Icaraí. Era a primeira experiência de Thomás como dono de bar, ao contrário de João e André.


Foi no Da Banca que surgiu a simples ideia de fazer um bar com boa comida, a partir de ingredientes do cotidiano, com um "que" de diferente, regada com carta de drinques autorais e embalada em música da MPB, digamos, moderna. A "fórmula" não deu muito certo do lado de cá da Baía de Guanabara.


- Nossa ideia era atingir o público mais jovem, que não tem muitas opções em Niterói. Mas a Leandro Mota é uma rua complicada. Tem muita competição entre os bares. Éramos novos, tentando fazer comida de bar bem feita e com uma trilha sonora um pouco diferente. Quando colocávamos música, os outros bares reclamavam. Mas quando eles colocavam música, nós não podíamos reclamar - contou Thomás.


O grupo passou a pressentir que o Da Banca não iria longe. João, que na época também era sócio de um estabelecimento em Botafogo, se deparou com a oportunidade de ocupar outro espaço no bairro. E lá foi Thomás. E surgiu o Bar Maravilha, em julho de 2023 - exatamente a mesma proposta do Da Banca, no Rio de Janeiro. André não seguiu a dupla e abriu no antigo Boteco o Galeto Charmosinho.


O "ponto" do novo bar, porém, não agradou. Segundo Thomás, a esquina onde instalaram a nova casa vivia tendo acidentes de carro. O Maravilha levou um certo ar boêmio para a rua e atraiu público. Thomás acreditava que tinha nas mãos "um caminho bom" como proposta de bar, mas faltava algo. E ele saiu, literalmente, em busca desse algo: decidiu caminhar de Botafogo até a Glória, disposto a encontrar um novo e "maravilhoso" endereço para o estabelecimento.


Foi praticamente no "fim da linha" que ele se encantou com uma pequena casa, em uma rua pouco movimentada, mas cheia de histórias, entre a Lapa e a Glória. A Morais e Vale, antigo endereço do lendário Madame Satã e do poeta Manuel Bandeira, ficou por anos praticamente abandonada, tendo sido revitalizada pela prefeitura em 2016. No final dela, só a tradicional casa de samba Beco do Rato, com seus 22 anos de funcionamento, atraia movimento para o local que, nos finais de semana, também ganhava mais vida graças aos camelôs que se instalavam por lá.


E a casa, de número 47, foi alugada. Não tinha nome, não tinha nada. Só a certeza que da sua cozinha sairia uma comida bem feita. A também tradicional feira livre da Glória, pertinho de lá, foi visitada várias vezes em busca de inspiração de ingredientes para serem utilizados.


As obras começaram e, claro, demoraram mais do que o previsto. E isso foi providencial. Deu tempo para a escola de samba Unidos do Viradouro soprar a inspiração para o nome do novo bar.


Em abril de 2024, a agremiação de Niterói lançou seu enredo para o Carnaval do ano seguinte: "Malunguinho: O Mensageiro de Três Mundos" - no caso, a Mata, a Jurema e a Encruzilhada. O sócio João, adepto da Umbanda, ao conhecer o enredo, não teve dúvidas que o novo bar se chamaria Jurema - árvore sagrada, ponto de reunião de diferentes tribos indígenas.


- De certa forma, o bar é uma encruzilhada e local de encontro de pessoas diversas. Além disso, é uma palavra sonora - afirmou Thomás que, a essa altura do campeonato, se mudou para o Rio de Janeiro, enquanto João segue "firme e forte" com seu CEP de Niterói.


Se o bar vai se chamar Jurema tem que ter muitas plantas, brasilidade e simplicidade. Os sócios foram para Belo Horizonte (MG) buscar inspirações e as portas foram abertas para convidados - debaixo de uma chuva torrencial.


- Foi um pesadelo, mas me falaram que era sinal de abundância - disse Thomás, entre risos.


Fato é que, no dia seguinte, sem chuva, lá estava o público. No tempo em que o Jurema levou para inaugurar, um vizinho da região, o SuruBar, se encarregou de chamar a atenção para o local e a própria Morais e Vale, onde ainda tem moradores e funcionam ateliês. Os camelôs seguem colocando suas banquinhas na rua nos finais de semana. E promovem uma concorrida roda de samba aos domingos, a partir das 17h.


Por conta do grande movimento do Jurema, os sócios alugaram outra pequena casa próxima, que batizaram Armazém, para ampliar a oferta de mesas do bar e agilizar o serviço de bebidas. Entre uma casa e outra, tinha um depósito. Um espaço enorme. Eles pegaram.

Enquanto a obra rolava, sem que definissem o conceito do local, uma conhecida ofereceu uma parrilla gigante (3,5m de comprimento), que estava à venda. Compraram e voilà, nascia o Jurema Brasa.



Podem vir outros bares na rua? Thomás não descarta a possibilidade. Recentemente, o Jurema se tornou sócio do bar Mascate, de drinques prontos, bem na esquina.


Comes


O chef do "complexo" Jurema, Pedro Attayde, é o criador da charcutaria artesanal Cochon Rouge, que desde a sua inauguração, em 2021, faz sucesso no Rio. Foi chamado para ser consultor e se tornou sócio no negócio.


A linguiça caracol que produz, por exemplo, é servida no Jurema Bar com vinagrete de polvo ou vem no recheio do jiló branqueado sobre molho de tomate rústico.


Dentre as entradas, fazem sucesso a coxinha creme servida com coalhada da casa; a bala de barriga assada em caramelo de vinho tinto e tomilho; e o gioza frito de milho e queijo com molho de tamarindo, melado fermentado e cebolete.


Um dos destaques do cardápio fica por conta da vagem francesa e cogumelo chamuscados servidos com redução de tucupi e o snack de abóbora: tempura de lascas de abóbora servidas com caramelo de missô.




Para o almoço, são sempre quatro opções e o cardápio muda todo o mês. Em julho tem picadinho do Jurema, peixe frito com arroz de brócolis, sobrecoxa assada ao molho de mostarda e empadão artesanal de palmito.


Ainda tem sanduíches no pão ciabatta (com tempura de couve flor, curry, coalhada, harissa e gremolata ou almondegas com molho pomodoro rústico e parmesão ralado)



No Brasa, o fogo é também ferramenta de cozinha, ou seja, defumação e tosta fazem parte dos preparos. Além dos diversos cortes de carnes que vão para a parrilla, o cardápio oferece copa lombo glaceada com goiabada e pimenta coreana; e batata-doce finalizada na brasa com crocante de coco e mayo de chimicurry.


Dentre os acompanhamentos, salada de chuchu com vinagrete de caju, sementes tostadas e picles de rabanete; e salada de melancia grelhada com maionese de chimicurry e ervas frescas.


Bebes




No Jurema, a cachaça reina. A carta é composta por 40 rótulos. A bebida também está na base da maior parte dos drinques autorais. Alguns têm a opção de serem feitos com outras bebidas como bourbon. É o caso, por exemplo, do Tamarino Sour.


Tequila, gin e vermute também fazem parte dos ingredientes dos drinques. O Del Parral leva gin, vermute, cordial de uva e chá de camomila; o de Cana a Cana é feito de rum com cumaru, melaço de cana, maracujá e cajuína. Ambos saem em versão sem álcool.


Agenda


Datas especiais são devidamente comemoradas no Jurema. Como ainda está em época de Arraiá, o do bar será no próximo dia 25, a partir de 12h. Vai ter música ao vivo, quadrilha do Cordão do Prata Preta, comidas típicas e barraquinhas na rua.


Serviço


Jurema Bar e Armazém - Rua Morais e Vale, 47, Lapa

Horário de funcionamento: Segunda-feira: 17h à 00h, Terça-feira: Fechado, Quarta-feira: 17h à 01h, Quinta, Sexta e Sábado: 12h às 02h, Domingo: 12h às 20


Jurema Brasa - Rua Morais e Vale, 47, Lapa

Horário de funcionamento: Terça-feira: 17h às 0h, Quarta e quinta: 17h à 1h, Sexta-feira: 17h às 2h, Sábado: 12h às 2h, Domingo: 12h às 20h

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