Galeto Charmosinho, de Niterói, abre unidade no Rio
- Sônia Apolinário

- há 6 dias
- 8 min de leitura

De uns tempos para cá, diferentes grupos gastronômicos do Rio de Janeiro abriram unidades em Niterói. Agora, o Galeto Charmosinho "diminuiu o placar" desse jogo para a Cidade Sorriso. A marca de Niterói acabou de abrir uma unidade no carioca bairro de Botafogo.
A expansão da casa passou ainda pela própria Niterói. Antes do Rio, uma segunda unidade foi aberta, em Icaraí, há cinco meses. A galeteria original, inaugurada em novembro de 2023, fica no polo gastronômico do Jardim Icaraí, na rua Leandro Mota. O local, antes de se virar Charmosinho, abrigou o TT Burger e o Boteco da Banca.
À frente da "charmosa" investida na expansão da marca está André Lassance. O empresário niteroiense de 35 anos também é dono do quiosque Macaw (em Camboinhas e em Búzios) e foi sócio do Da Banca e outras casas em Niterói.
Sua entrada no ramo da gastronomia foi via um delivery de hambúrguer, o Moustache Burger, que não existe mais. Ele também criou e produziu eventos no segmento como o Terminal Gastronômico - uma área que ele não pensa em voltar a atuar tão cedo.
Segundo ele, com o Charmosinho, o que buscou foi "resgatar o clima acolhedor das tradicionais galeterias, acrescentando um toque de charme, irreverência e agilidade no atendimento".
A nova unidade do Galeto Charmosinho, em Botafogo
Das três unidades, a do Rio é a maior de todas. São 500 m², com capacidade para receber até 250 pessoas. No local, antes, funcionou o Pavilhão, uma mistura de bar com centro cultural. Um dos trunfos do espaço, na opinião de André Lassance, é seu rooftop. A bem da verdade, a galeteria original também é grande, com um amplo segundo andar e um pequeno rooftop.
"Niterói é a minha cidade e fiz muitos negócios nela com um toque de afeto pela região. Acontece que não é tão fácil empreender em gastronomia na cidade", afirmou André Lassance, por e-mail, como ele preferiu "conversar", com exclusividade, para o ComuniC
Confira como foi o nosso "papo":
ComuniC: Você abriu duas unidades de um mesmo estabelecimento em um intervalo de 5 meses. O mais recente, no Rio. O que o animou a fazer esses movimentos?
André Lassance: Em outubro do ano passado fechamos o contrato da unidade de Botafogo, que era um projeto da marca em busca do mercado do Rio. Em meio à obra, que acabou se estendendo, surgiu a oportunidade na (rua) Tavares de Macedo, em um imóvel que "namorávamos" há um bom tempo. Entendi que seria um enorme desafio, mas que se não encarasse naquele momento talvez não teria uma nova oportunidade.
Como avalia o mercado gastronômico de Niterói?
AL: Niterói é a minha cidade e fiz muitos negócios nela com um toque de afeto pela região. Acontece que não é tão fácil empreender em gastronomia na cidade, quando pensamos em público, que criou grandes vínculos com negócios históricos, com formatos específicos como os restaurantes self-services e que tem um olhar mais crítico para preços. Apesar dos desafios, fomos abraçados em todos os projetos. Muita coisa mudou desde meu primeiro negócio e acho que Niterói merece ainda mais projetos à altura do seu potencial.

Como avalia o mercado gastronômico do Rio?
AL: O Rio é internacional! A grande verdade é que quando falamos em Rio de Janeiro as proporções são bem diferentes de Niterói, incluindo o volume de concorrência e o público, que além de local é turista. Acredito que o Rio viva a sua melhor fase em relação à gastronomia. Por muitas vezes fui a São Paulo em busca de referências e acho que quando falamos de gastronomia, excluindo o recorte do serviço, não há mais aquela distância de qualidade. Diria até que tenho preferido os "sabores" cariocas.
Por que escolheu ir para Botafogo, um bairro repleto de bares?
AL: Acredito que Botafogo e, principalmente, o exato local que escolhemos, reúne algumas características que nos deixam numa zona de conforto maior. Como marca, é um bairro com grande atenção do público externo e do mercado em geral. Como operação, estamos num ponto estratégico, com enorme densidade e um mix super interessante pro nosso negócio contando com imóveis residenciais, escolas, grandes clínicas e grandes empresas.
O local onde o Charmosinho se instalou em Botafogo é bem grande. O lugar será somente bar-restaurante ou tem outros planos para explorar o espaço?
AL: Nossa ideia é extrair o máximo do Charmosinho nessa casa, explorando todo o potencial para reservas (teremos 2 salões exclusivos mais o roofop), que acreditamos ser um dos pontos altos para ocupar os espaços.
Por que escolheu a rua Tavares de Macedo como endereço para a segunda unidade do Charmosinho?
AL: Moro perto e justamente por conhecer a região, entendi que faltava uma oferta como a nossa e que apesar da proximidade com a Leandro Mota, teríamos um público completamente diferente.
As três unidades do Charmosinho são idênticas em estética e cardápio?
AL: Entendemos a necessidade de cada casa ter a sua personalidade, principalmente devido às particularidades dos imóveis e de seus públicos, mas tentamos fazer isso com a maior convergência possível. Quanto ao cardápio, acreditamos que o Charmosinho tem um produto super comercial e que atende a essa variação de público. Temos pequenos ajustes em relação à oferta de cervejas e em um ou outro aperitivo.
Arroz de polvo com linguiça Croquete de carne de panela Feijoada
O público no Rio e em Niterói são semelhantes ou têm características bem distintas?
AL: São públicos diferentes, certamente. Diria que o carioca é mais aberto a novidades, mas não é monogâmico, ele facilmente te troca por uma outra oferta. Já o caso do niteroiense tende a ser fiel aos seus e se fecha um pouco para novidades.
Qual o tícket médio de consumo no Rio e em Niterói?
AL: Ainda não tivemos tempo para apurar melhor sobre ticket.
Você era sócio do Da Banca, que funcionou onde agora é o Charmosinho. O Da Banca não durou um ano. O que houve? Você não teve paciência para esperar o lugar "emplacar?
AL: O Boteco da Banca definitivamente não deu certo. Como outros negócios que "tentei" abrir por aqui, acredito que não era para Niterói e talvez tivéssemos outro resultado no Rio. O Boteco da Banca foi um grande aprendizado pessoal e me fez refletir sobre algumas convicções que estavam erradas. Certamente sem ele não existiria o Charmosinho.
Acredita que o Charmosinho emplacou rápido? O que fez com que o Charmosinho "funcionasse" e o Da Banca não?
AL: Não diria que emplacou rápido pois foi feito praticamente em 15 dias e "na raça". O Charmosinho merecia ter sido fundado com investimentos e com mais estudo, o que não aconteceu, o que fez o processo ser um pouco mais lento e dolorido, mas que também faz a conquista ser mais emocionante. Acredito que o que fez dar certo foi, certamente um novo direcionamento de produto e, principalmente, de público, que passou a ser mais maduro, quando comparado ao Boteco da Banca. Isso ajudou a virar a chave.
Muito se tem falado sobre a mudança de perfil do público da Leandro Mota. Você acha que o público do polo gastronômico do Jardim Icaraí está mudando?
AL: Com certeza! Acho que tem uma mudança natural de comportamento de gerações e, principalmente, a influência dos restaurantes e bares que acabam abrindo na Rua. Sempre comento com os vizinhos que o "Gastronômico" daqui a pouco vai precisar mudar de nome. É difícil julgar se isso é bom ou ruim, mas para o André "cliente", com certeza o mix poderia ser melhor. É ruim todos terem uma oferta semelhante, mas entendo que a dificuldade de empreender faz com que as operações busquem pela conveniência de vender o produto que o público que está na rua busca.
Qual sua formação?
AL: Brincadeiras à parte, digo que sou formado na dura vida de empreender. Merecia ter uma faculdade sobre esse "mundo real".
O que o levou a começar na gastronomia por um delivery de hamburguer?
AL: Hoje me enxergo mais como empreendedor e acho que mais do que negócios específicos, eu busquei oportunidades. Nunca pensei em trabalhar com o ramo, mas as oportunidades me levaram até ele.
Era você quem fazia os hambúrgueres?
AL: Por muitas vezes fazia, atendia e entregava. Mas não existe o "sozinho" e sempre tive o enorme apoio da minha esposa, algumas vezes, inclusive, trabalhando junto e também o apoio da minha família.
O Moustache Burger ainda existe?
AL: Infelizmente não. O Moustache encerrou o seu ciclo quando eu entendi que queria ir para a rua e que tocar uma operação de delivery acabava me prendendo.
Como avalia a experiência com o Moustache Burger?
AL: Como todas as outras, sempre um aprendizado. Até hoje, o pessoal comenta sobre os sanduíches e brinca sobre uma possível volta.
Você criou eventos gastronômicos ao lar livre apresentando novidades, para a época em que aconteceram como moeda própria do evento, participação de food trucks. Você deu um tempo nesse tipo de evento?
AL: Com certeza! Minhas experiências foram desgastantes. Qualquer imprevisto em um evento pode ser uma catástrofe e não queria mais passar por essa instabilidade.
Tem planos de voltar a fazer eventos?
AL: Sinceramente não.
Tem planos para abrir mais Charmosinhos?
AL: Com certeza, mas não agora. Preciso "arrumar a casa", preparar o caixa e a operação para voarmos mais alto.
Tem planos de abrir mais quiosques-chiques como o Macaw?
AL: No momento estou focado no Charmosinho, que sou o único proprietário. Outros quiosques envolveriam o Macaw e é algo que deixo a cargo dos meus sócios, que certamente avaliariam boas oportunidades.
Búzios pode ter um Charmosinho também?
AL: Acho, de verdade, que cabe um Charmosinho em todo lugar e isso é uma das coisas que me faz brilhar os olhos com a marca.
O Macaw foi seu primeiro estabelecimento físico?
AL: Meu primeiro estabelecimento físico foi a Broto Pizza (rede de pizzaria do Rio), que sai do quadro societário um pouco antes de pegar o quiosque em Camboinhas. Naquela época eu também era sócio do Pico, gastrobar que ocupava uma loja no mall da esquina da Rua Nóbrega com Miguel Couto.

O que o levou até o Macaw?
AL: Sempre enxerguei que faltava uma oferta à altura do que o Macaw entregou, mas entendia a dificuldade de conseguir uma oportunidade. Acontece que a pandemia derrubou parte do mercado e também o pessoal dos quiosques. No primeiro passeio ao ar livre da minha filha (bebê de pandemia), fomos a Camboinhas e vi os quiosques fechados. À partir daí busquei quem estivesse interessado em passar o ponto e reunimos um grupo para adquirir o antigo Tokito.
Você frequenta bar-restaurante concorrentes?
AL: Não. Diria que gosto mais de frequentar negócios que me tragam referências. Não curto me prender a concorrência pois acaba estagnando o meu negócio. Acompanho meus concorrentes como um trabalho de mercado.
Você prefere lugares informais ou chiques?
AL: Sou mais do informal, mas, no geral, gosto de comer bem, no sentido de sabor.
Quais suas recomendações, em termos de cardápio, do Charmosinho e do Macaw?
AL: No Charmosinho, além do óbvio galeto, tenho gostado muito do arroz de polvo com linguiça e do arroz de porco. Para aperitivos recomendaria o torresmo, o coração e o filé aperitivo, que vai com glace e fonduta.
No Macaw o meu preferido é o polvo grelhado, que peço inclusive como aperitivo. Indico também os novos sanduíches de polvo e de lagosta e a moqueca para o pessoal que vai em grupo.
Qual o maior desafio que enfrenta, no momento?
AL: Sem firulas, o de hoje.
Qual o maior desafio que acredita ter superado?
AL: Também sem firulas, o de ontem. Empreender é um enorme desafio todo dia.
Serviço
Galeto Charmosinho Rio:
Rua Sorocaba, 600, Botafogo
Funcionamento: Domingo à Quarta: 11h30 - 00h, Quinta à Sábado: 11h30 - 01h
Menu executivo: segunda a sexta, das 11h30 às 17h
Feijoada: sextas, sábados e domingos
Happy Hour: chope com preços especiais
Hora Extra: segunda a sexta, das 20h à meia-noite
Madrugada Charmosa (To Go): sextas e sábados, de 1h às 3h.
Galeto Charmosinho Niterói:
Rua Doutor Leandro Mota, 139, Polo Gastronômico do Jardim Icaraí
Rua Tavares de Macedo, 139, Icaraí (é o mesmo número, mesmo)










































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