Documentário sobre a niteroiense Ilha da Conceição disputa prêmio principal de festival de meio ambiente


De uma ilha separada do continente por um canal de maré a bairro da zona norte de Niterói, a Ilha da Conceição e, atualmente, o principal polo metalúrgico naval do município e parte importante da indústria pesqueira local. Sua história é o tema do documentário “Quanta reza será preciso para um simples banho de mar” que terá exibição gratuita nesta quinta-feira (1º de outubro), no Cine Arte UFF, em Icaraí.
Dirigido por Liliane Mutti, a obra disputa o prêmio de melhor documentário brasileiro em longa-metragem do 15º Filmambiente, festival que reúne as melhores e mais recentes produções nacionais e internacionais sobre questões ambientais. O evento termina no dia 2 de outubro.
De acordo com a diretora, o filme lança um olhar sobre as transformações sociais e ambientais da Ilha da Conceição e da Baía de Guanabara, tendo como um de seus fios condutores a relação dos moradores com um mar "que, apesar de estar geograficamente tão próximo, tornou-se cada vez mais inacessível".
Situada próxima à subida da Ponte Rio-Niterói, Conceição deixou de ser ilha para virar bairro em 1958, quando foi conectada ao continente com a abertura da Rua Mário Neves. A instalação de estaleiros naquela região, ao longo das décadas, provocou o soterramento de suas praias originais.
O documentário atravessa memórias de uma região marcada pela construção da Ponte Rio–Niterói, pela atividade naval e por um cemitério de embarcações abandonadas. Antigos pescadores, moradores e personagens locais ajudam a reconstruir a memória de um tempo em que o mar fazia parte do cotidiano, inclusive para um simples banho.
Conduz a história um narrador-personagem cuja voz soa familiar a muitos niteroienses: Angelo Morse. Ator, humorista e arte-educador, ele estabelece uma ponte entre a história contada pelo filme, a cidade e as memórias de quem vive nesse território.
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A competição
“Quanta reza será preciso para um simples banho de mar” disputa o prêmio de melhor documentário brasileiro em longa-metragem do festival com as seguintes produções:
"Kopenawa: sonha a terra-floresta" - O documentário ecoa a voz de Davi Kopenawa Yanomami, líder indígena e defensor da Amazônia. Com participações de personalidades como Ailton Krenak, Claudia Andujar, José Celso Martinez e Gilberto Gil, entre outros, o filme traz um olhar atual e poético sobre o pensamento de Kopenawa e os desafios enfrentados pelo povo Yanomami. Davi, xamã e ativista global, reflete sobre os impactos causados pelas invasões nos territórios indígenas, a crise climática e o futuro da humanidade.
"Notas sobre um desterro" - Dirigido por Gustavo Castro, aborda a ocupação na Palestina a partir da vivência de uma família palestino-brasileira na Cisjordânia em 2018. O que deveria ser um filme sobre as possibilidades de coexistência em uma terra ocupada se transforma em uma reflexão sobre colonização, apartheid, genocídio e a recente proliferação de imagens de guerra, produzidas pelas próprias vítimas de um massacre que se repete ao longo do tempo.
"Uma estrada que corta o território Xerente" - A obra foi dirigida por Túlio de Melo, em colaboração com o indígena Romário Srowasde Xerente e Leandro de Alcântara. Dá voz ao povo Xerente cujo território – demarcado há tempos e localizado na margem direita do rio Tocantins, no estado de mesmo nome – é cortado por uma estrada. Tem por objetivo provocar uma reflexão sobre o conceito de território a partir desta realidade.
"Xingu, nosso rio sagrado" - Dirigido por Angela Gomes, foi realizado no coração da Amazônia, ao longo da região do rio Xingu, no estado do Pará. O documentário revela os impactos drásticos da barragem de Belo Monte na vida do rio e nas comunidades indígenas e ribeirinhas locais.
Serviço
Exibição do documentário “Quanta reza será preciso para um simples banho de mar”
Data: quinta-feira, 1º de outubro, às 19h30
Local: Cine Arte UFF, Rua Miguel de Frias, 9, Icaraí.
Entrada franca
































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