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Armazém Granel: há 15 anos orgulhosamente um bar de bairro em Niterói

  • Foto do escritor: Sônia Apolinário
    Sônia Apolinário
  • há 13 horas
  • 5 min de leitura

João Dutra comemora os 15 anos do Armazém Granel, em Santa Rosa, bairro de Niterói. Fotos: Divulgação
João Dutra comemora os 15 anos do Armazém Granel, em Santa Rosa, bairro de Niterói. Fotos: Divulgação

Levantar as portas de ferro e iniciar mais um dia de funcionamento do seu bar é uma rotina que há 15 anos faz parte da vida de João Dutra. À frente do Armazém Granel, em Santa Rosa, o empresário comemora o "debut" do seu estabelecimento. Nesse bairro.


Afinal, a história do Granel começou em Piratininga, em 2008, o que acrescenta três anos de "vida de bar" para João. E não dá para falar de Santa Rosa sem falar de Piratininga.


Segundo João, em Santa Rosa, ele conseguiu exatamente o que pretendia, desde o início, com a "marca": ser um bar de bairro, frequentado pelos vizinhos, que se cumprimentam pela rua.


Em Piratininga, o nome era um pouco diferente: À Granel Armazém e Botequim. A crase se justifica porque, logo na entrada do estabelecimento na Região Oceânica, funcionava um armazém de verdade, com vendas de grãos e arroz especiais.




Santa Rosa preservou o clima de armazém, no nome, na decoração, no mobiliário e no cardápio que não costuma ter muitas mudanças. É ancorado em petiscos e pratos típicos de botecos tradicionais como bolinho de jiló, pastel de angu, bolinho de arroz negro, língua recheada, moela de galinha, rabada (aos sábados), cozido (aos domingos) e feijoada (de sexta-feira a domingo).


- O Granel nasceu inspirado em um movimento que estava rolando no Rio de valorização dos bares simples, sem influências dos modismos no cardápio. Com comida simples, tradicional, bem feita. Diria que foi um período peculiar, de resistência cultural - afirmou João em entrevista exclusiva para o ComuniC.


Hoje, ele percebe que rola uma revitalização da chamada "comida de verdade" - o que é ótimo porque vai ao encontro do cardápio do Granel. Ao mesmo tempo, observa que o público jovem não está consumindo tanta bebida alcoólica como acontecia com gerações anteriores.


De uma maneira geral, a tendência atual, segundo João, é que o cliente quer sair à noite, mas não está mais tão disposto a fazer noitadas. Esse novo comportamento também é auspicioso para o Granel. Afinal, o bar fecha cedo: meia-noite, de terça-feira à sábado; e 18h, no domingo. Tudo pela política da boa vizinhança. As portas são abertas às 17h, de terça a quinta; e às 12h, de sexta a domingo.


Ao contrário de Piratininga, música ao vivo é algo raro em Santa Rosa. Sim, por conta da política da boa vizinhança. Mas depois de 15 anos, João pretende fazer alguns testes, nesse quesito, para ver como os vizinhos respondem.


O primeiro aconteceu no sábado, 1 de agosto, quando rolou uma roda de samba com os Sambistas com Axé, grupo encabeçado pela cantora Monica Mac (foto). Lotou a casa e terminou 22h (quase em ponto). Teve vizinho dançando na varanda de casa quase que a noite toda.



O segundo "teste" será na quinta-feira (6) com apresentação de chorinho da Família Souza, das 19h30 às 22h.


Ambos foram para a programação por conta das comemorações dos 15 anos do bar. E pensar que, em Piratininga, a casa praticamente virou um centro cultural, tamanho o movimento artístico que incluía shows musicais, exposições e lançamentos de livros.


- Na Região Oceânica, o desafio era fazer as pessoas saírem dos condomínios para ir no bar. Mas a gente exacerbou, viramos agenda ­- comentou João, entre risos - Em Santa Rosa, o cliente sempre pede música, mas temos que ver um modelo que seja bom para o bar e para o bairro. Fechar rua para fazer evento e o vizinho reclamar, não quero


O movimento seguia normal em Piratininga quando "um capeta de um cliente" avisou sobre a disponibilidade da casa de esquina com portas de ferro na Rua Vereador Duque Estrada, 50, em Santa Rosa.


- Ele seduziu a gente. Ele sabia que íamos gostar. O local, para mim, se encaixava mais ainda com a marca que sonhava em construir, que era o boteco de bairro, do que em Piratininga - contou João revelando que o "capeta" Daniel Vega chegou a ser seu sócio no início da jornada em Santa Rosa.


De 2011 até 2018, os dois bares funcionaram simultaneamente. E João se divertia quando clientes chegavam em Piratininga contando que tinha um bar em Santa Rosa que estava copiando o Granel.


Naquela época, ele morava em Camboinhas. Agora, é mais um vizinho do seu bar. João atribuiu a mudanças no perfil da Região Oceânica o fechamento do Granel Piratininga. A decisão se mostrou ainda mais providencial com a chegada, dois anos depois, da pandemia do Coronavírus.


O Granel Santa Rosa cresceu para o lado da Rua Doutor Professor Otacílio, com a qual faz esquina. Por opção, João parou de investir em delivery. O que ele quer, cada vez mais, é que aconteçam os "encontros do bairro" na sua casa, quer dizer, seu bar.



Oficialmente, o aniversário de 15 anos foi em junho. João preferiu esperar a Copa do Mundo terminar para comemorar. Agora, além da música, faz parte dos eventos festivos um de degustação de cachaça e outro de vinho.


A cachaça é uma tradição que veio de Piratininga onde João montou uma carta com cerca de 100 rótulos da bebida feita de forma artesanal. A outra bebida que reinava na casa era a cerveja artesanal - o Granel foi pioneiro em Niterói ao oferecer uma grande variedade de rótulos, muitos importados.


Ainda hoje, o bar oferece preciosidade$ como as cervejas belgas Deus e Tripel Karmeliet na garrafa de 750ml, além de brasileiras como Bodebrown e Leopoldina. Porém os vinhos e drinques (feitos pelo próprio João) estão cada vez ganhando mais espaço no cardápio.


Aliás, João também pode ser visto na cozinha ou no atendimento. Segundo ele, o público de Niterói gosta de ser "recebido" pelo dono da casa. Sendo assim, João não se faz de rogado.


Já pensou em "chutar o balde"?

João Dutra: A gente pensa isso o tempo todo (risos). O comércio testa a gente todos os dias. Nunca pensei em não fazer o Granel, mas fico atento para atualizá-lo sem perder a identidade. A gente vive em função do negócio.


Qual presente de aniversário gostaria que o Granel ganhasse?

JD: Manter o bar vivo é o grande presente. Abrir a porta é o presente, é mais um dia. Eu agradeço a presença dos clientes. A presença deles é um grande presente. O fato deles entenderem a nossa dimensão é importante e isso também é um presente. Atualmente, nessa balança entre realidade e expectativa, as coisas andam muito descoladas da realidade. Tudo tem que ser extraordinário. E eu quero ser um belo bar de bairro.

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