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Degustação de vinho fará um 'passeio' pelo Uruguai

  • Foto do escritor: Sônia Apolinário
    Sônia Apolinário
  • há 11 horas
  • 3 min de leitura


Cinco rótulos de dois diferentes terrois se transformam em um passaporte para se explorar uma tradição vitivinícola robusta, mas ainda assim, um tanto discreta. O embarque se dá na degustação Essência Uruguaia, que será realizada no próximo dia 3 de setembro, no Olimpo Restaurante, em Niterói.


A guia nessa jornada será a sommelière Marlene Souza que vai apresentar os seguintes vinhos: Anarkia 2022 e Notos 2020 (Bodega Pablo Fallabrino); Juan Carrau Tannat Reserva, Juan Carrau Pinot Noir Reserva e Juan Carrau Sauvignon Blanc (Bodegas Carrau).


O desembarque se dá em Canelones, um departamento (estado) no sul do Uruguai, bem perto da capital, Montevidéu. A região é o principal polo vitivinícola do país, responsável pela produção de mais de 60% de todo o vinho do Uruguai.


Uma vez em Canelones, a degustação vai explorar dois terrois de duas localidades: Atlântida e Las Violetas.



Atlântida


Localizada a cerca de 45 quilômetros de Montevidéu, Atlántida é um charmoso e histórico balneário, banhado pelo Rio da Prata. É na região que está localizada a Bodega Pablo Fallabrino que, por sua vez, fica a 4 km do Oceano Atlântico.


Fallabrino é o proprietário, viticultor e enólogo da vinícola, além de residir na própria propriedade. Este ano, foi eleito enólogo do ano pelo Guia Descorchados. Ele também é surfista amador.


Pablo representa a terceira geração dos Fallabrino na produção de vinho - uma história iniciada pelo avô Angelo que emigrou do Piemonte para o Uruguai em 1920 e fundou duas vinícolas. Pablo aprendeu o ofício com ele e também com o pai. Sua produção é de vinhos de mínima intervenção, a partir, principalmente de variedades de uvas piemontesas, além da Tannat, "a" uva do Uruguai.


O Anarkia 2022 (14%) é um tinto natural e orgânico (não contém adição de enxofre), 100% Tannat. Notas de ameixa, cassis e amora são complementadas por pão fresco e sálvia.


O Notos 2020 (13,5%) é um Nebbiolo (uma uva tinta originária da região italiana do Piemonte). O vinho descansa por seis meses em barricas de carvalho francês antes de ser engarrafado. Notas de framboesa madura e casca de laranja; na boca, tangerina com lavanda e pimenta-do-reino moída.


Las Violetas


A região é conhecida com sendo o berço do vinho uruguaio. Situada mais no interior do departamento de Canelones, é uma zona rural histórica caracterizada por suas terras férteis de argila e clima temperado.


É de lá a Bodegas Carrau. A história vitivinícola da família começa em 1752, com a criação de um vinhedo na Catalunha, na Espanha. Em 1930, o negócio dos Carrau tem prosseguimento já no Uruguai. Atualmente, é a décima geração da família que está à frente da produção de vinho das Bodegas Carrau.


O Juan Carrau Tannat Reserva (13%) é um 100% Tannat de colheita manual. O vinho envelhece por 12 meses em barricas novas de carvalho e fica mais 12 meses em garrafa. Aromas de frutas vermelhas com ameixas, marmelos, especiarias e notas de tabaco e chocolate.


O Juan Carrau Pinot Noir Reserva (13%) é um 100% Pinot Noir também de colheita manual. O vinho repousa por 6 meses em barrica de carvalho. Aromas intensos de frutas vermelhas frescas, notas de especiarias e nuances de chá preto, com leve plano de fundo amadeirado e baunilha.


O Juan Carrau Sauvignon Blanc (12.5%) é um 100% Sauvignon Blanc. Notas de frutas tropicais como maracujá, goiaba e abacaxi, combinadas com toques cítricos e herbáceos.


Produção pequena


- O Uruguai é um país pequeno com uma viticultura bem característica, fruto das colônias espanhola e italiana de imigrantes europeus que trouxeram videiras. O país é o quarto produtor de vinho da América do Sul, ficando atrás da Argentina (o maior), Chile e Brasil. Como a produção é menor, seus vinhos acabam ficando fora dos grandes supermercados - explicou a sommelière Marlene Souza.


Segundo ela, duas características podem ser consideradas as mais marcantes dos vinhos uruguaios: cor e clima.


No quesito cor, o vermelho muito intenso dos vinhos Tannat se destacam. Foi essa casta, trazida pelos espanhóis no final do século XIX, que mudou o cenário dos vinhos uruguaios, que eram considerados de baixa qualidade.


A Tannat soube se adaptar bem ao solo e clima uruguaio, rendendo para os produtores vinhos ácidos, alcoólicos e complexos.


No quesito clima, em nada se assemelha aos vizinhos Brasil, Argentina e Chile por conta do estuário do Rio Prata e a proximidade com o Oceano Atlântico.


- Essa degustação busca, justamente, entender o Uruguai a partir dos seus vinhos que têm características diferentes proveniente de um clima fresco de influência marítima - afirmou a sommelière.


Serviço

Degustação Essência Uruguaia

Data: 3 de setembro, às 19h30

Local: Olimpo Restaurante, Av. Quintino Bocaiúva, s/nº, Charitas.

Investimento: R$ 119 (comidas à parte, com cardápio da casa aberto durante o evento)

Informações e reservas: (21) 98890-6951

Produção e serviço: Ane Wine

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