• Sônia Apolinário

Quando uma German Pilsener é Best of Show

Em tempos de cervejas feitas com todos os tipos de adjuntos, uma “singela” German Pilsener foi considerada a segunda melhor cerveja do último Concurso Brasileiro de Cervejas. Mérito da gaúcha Narcose que também abocanhou o terceiro lugar na mesma categoria, a Best of Show. Essa medalha de bronze, porém, foi para um rótulo não tão singelo assim: a Chili Pepper Beer colaboriativa Flip Flops To Hell, uma Gose com caju e pimenta.



A Narcose Lager, que levou também a medalha de ouro no estilo, já tinha conquistado uma prata , no CBC do ano passado. Cervejeiro e sócio da marca, Daniel Diehl conta que essa medalha de 2019 desafiou a própria cervejaria a melhorar o rótulo. Deu certo.


“A premiação, para nós, é muito legal, mas é também muito bom para o mercado. Quem escolhe um rótulo pelas medalhas costuma ser o público mais leigo. Então, quando ele compra uma cerveja de um estilo muito diferente porque o rótulo foi premiado, essa pessoa mais leiga pode achar a cerveja ruim e se afastar das artesanais. Uma German Pilsener premiada pode atrair essa pessoa que vai comprar um rótulo mais próximo do seu habitual e fica mais fácil dessa pessoa compreender o que está experimentando”, comenta Daniel.


Será que a medalha de prata de Best of Show para uma Lager sinaliza uma certa tendência de “volta ao simples” ? Na opinião do cervejeiro, esse movimento já está acontecendo nos EUA, onde “produtores estão anunciando que fazem Lager com mais vigor e orgulho”.


Para ele, o gosto do consumidor por cervejas extremas ou com muitos adjuntos está relacionado com o paladar ainda pouco “atento” :


“Não somos ensinados a prestar atenção no que comemos ou bebemos. Então, não temos muitos aromas e sabores armazenados no cérebro e, assim, não conseguimos perceber nuances em uma bebida. Percebemos melhor as cervejas com adjuntos. Quando eu comecei a cozinhar, gostava dos sabores exagerados. Agora já aprecio o sabor mais sutil”, compara.


Assim, Daniel acredita que um possível movimento de “volta ao simples” na cerveja está relacionado com a evolução do paladar do público.


Eclético


Ao todo, a Narcose conquistou sete medalhas no CBC 2020: três de ouro (nas cervejas Lager, Flip-Flops to Hell e Wine Drop); uma de prata (Flip-Flops to Heaven) e uma de bronze (Vienna) - além das duas (prata e bronze) Best of Show.


“A gente sempre espera ganhar medalha quando participa de um concurso. Mas sabemos que, além de uma boa cerveja, é preciso ter uma dose de sorte, porque existem muitas variáveis, por exemplo, de como chegou a amostra e a mesa julgadora em que parou. Sabemos também que tem cervejarias que mandam lotes especiais para concursos. Então, no meio de tanta amostra, muita coisa boa pode passar batido na avaliação”, observa o cervejeiro


A premiação evidenciou o perfil eclético da cervejaria e sua “queda” por fazer cervejas colaborativas. A Flip Flops To Hell, por exemplo, foi um trabalho conjunto entre a Narcose, a também gaúcha Suricato Ales e as gringas 4 Island Brewing e Freigeist.


Esse rótulo, que leva pimenta Jamaican Yellow cultivada pertinho da Narcose, além de caju, foi lançado no início de 2020, um pouco antes da realização do CBC. Já a Narcose Lager está no portfólio da marca há dois anos.


Outras colaborativas estão quase chegando ao mercado. Também com a Suricato Ales, será lançado mais um exemplar da The Haze Series: a Show ME The Haze, uma cerveja feita com triplo dry hopping (Idaho Gem, Stata e Sabro).


De acordo com Daniel, a combinação de lúpulos confere para essa cerveja “notas de aroma e sabor de frutas tropicais maduras, coco e um dank herbal que remete à cannabis”.


Com a também gaúcha Cervejaria Danken, a Narcose vai lançar uma Dry Hopped Gose, feita com os lúpulos Citra, Mosaic e Azzaca.


As experiências com vinho seguem com a ValOr e a Vin de la Maison. O primeiro rótulo é uma Barrel Aged Brett Belgian Pale Ale. Trata-se de uma cerveja base de Belgian Pale Ale, com fermentação secundária com brettanomyces bruxelensis em barris de Carvalho previamente utilizados para vinho branco.


Já o segundo, é um “vinho branco feito com lúpulo”, segundo descrição de Daniel:


É a nossa versão cervejeira do clássico vinho branco Chablis da Borgonha. Essa versão envelhece em barris de Chardonnay e Sauvignon Blanc e tem adição de mosto de Chardonnay que conferiu mais complexidade, frescor da uva e mineralidade para essa cerveja”, explica o cervejeiro que admite que não está sabendo em qual estilo enquadrar a bebida. Segundo ele, não se trata de uma Grape Ale e entre os ingredientes, está o arroz.


A Narcose fica em Capão da Canoa. Os rótulos da marca, agora, chegam para todo o país graças ao e-commerce recém lançado pela cervejaria.



Em julho do ano passado, Daniel Diehl participou do Talk Chopp com a Lupulinário live no Instagram e contou a história da cervejaria Narcose. Confira aqui


No Happy Hour com a Lupulinário especial sobre o resultado do Concurso Brasileiro de Cervejas, Jayro Pinto Neto, atual melhor beer sommelier do Brasil, comemorou o fato de uma German Pilsener ter sido uma das Best of Show da competição. Confira aqui












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