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  • Sônia Apolinário

Em entrevista exclusiva, Renato Mendonça fala sobre a nova temporada de '24h pra Redecorar'

Refletir sobre rotina e mudança de hábitos. É isso o que, no final das contas, um programa de TV sobre reforma deve apresentar. Quem tem essa opinião é o arquiteto Renato Mendonça.

A partir do próximo sábado (29), ele estará mais uma vez de volta à telinha, no comando da série “24h pra Redecorar”.



Na nova temporada, a atração semanal, que vai ao ar pelos canais Discovery Home & Health e Discovery+, vai exibir oito episódios, agora com 60 minutos de duração, cada – o dobro do tempo das edições anteriores.


Dessa vez, o arquiteto ganhou um ateliê-estúdio, onde debate com auxiliares e explica, de forma mais detalhada, seus projetos. Outra novidade da temporada é a participação de algum integrante da família contemplada com a reforma, colocando a mão na massa em tarefas pontuais.


E por mais que na TV, uma reforma pareça um sonho, Renato Mendonça puxa todo mundo para a realidade:


- Obra sempre incomoda e tem imprevistos – disse ele em entrevista exclusiva para o Amo Reforma, via ComuniC.


Você faz a obra, mesmo, em 24 horas?

Se pudesse cronometrar somente o tempo em que estamos fazendo a reforma, talvez fosse até menos tempo. Porém, é preciso levar em conta que se trata de um programa de TV. Não gravamos 24h corridas. Temos que respeitar a carga horária da equipe e as regras relacionadas com barulhos de cada local. Nosso “trato” é fazer cada episódio em três dias de gravação de oito horas de trabalho, cada.


Por ser um programa de TV, a vizinhança alivia no barulho?

Não. Nos preocupamos em não incomodar quem não tem nada com a história, mas obra sempre incomoda. Justamente por isso, para essa temporada, escolhemos fazer as transformações em casas, ao invés de apartamentos. Todos os endereços são na cidade de São Paulo.


Qual o critério para escolher a família sortuda que vai ganhar a reforma?

Primeiro, as pessoas mandam seus vídeos onde contam suas histórias e dizem porque querem reformar determinado cômodo. Nós avaliamos as histórias, mas precisamos considerar vários fatores para além disso. Por exemplo, o local precisa conseguir receber a equipe que é formada por 30 pessoas, entre direção, iluminação, produção e, claro, quem está de fato trabalhando na obra. Também temos que levar em consideração se a reforma pedida pode ser, de fato, executada, dentro das nossas regras de tempo. Fora isso tudo, precisa ser uma família que se sinta confortável diante das câmeras, que queria, de verdade, participar. Para dizer a verdade, a seleção está ficando cada vez mais complexa. Tanto que já começamos esse trabalho, para a próxima temporada que só vamos gravar ano que vem. Quanto mais tempo de planejamento a gente tiver, melhor.


Como você conjuga o “xadrez” de uma reforma com o “xadrez” de uma produção de TV?

Por ser um programa de TV, precisamos ter ação. Mas só temos 24h para redecorar, rsrsrs, então, o tempo tem que render. Fazer várias etapas da obra de forma simultânea, muitas vezes, é complicado. Por exemplo, enquanto a tinta seca, não podemos fazer nada que levante poeira. É por isso que planejamento é fundamental. Porém, imprevistos sempre vão acontecer. É uma obra, não tem como não ter imprevisto. Então, tem que ter paciência e agir rápido. A cada início de projeto, o diretor sempre pergunta o que pode dar errado, para ele se prevenir. Eu prefiro nem dizer pra ele não ficar desanimado, rsrsrs. Brincadeira, eu dou alguns exemplos, mas sempre aparece algo que não tínhamos pensado. Tivemos problemas em todos os episódios. Em um deles, a luz simplesmente não acendia no final. Foi um sufoco até descobrirmos que o problema estava em uma instalações trocada.


O que veremos nessa temporada?

Pela primeira vez, faremos uma demolição. Sempre evitamos isso por conta do pouco tempo. Dessa vez, porém, achei que poderia render uma solução interessante para o cômodo e fizemos. Acho que ficou bem interessante. Teremos quartos de diferentes personalidades. O programa de estreia, por exemplo (foto), é com um quarto de 12 metros quadrados, que criarmos para trigêmeas de seis anos. Tem quarto para mãe que mora com os filhos, para casal; home office para um avô, duas áreas gourmets em espaços totalmente diferentes. Ah, tem a sala de uma moça que é fã do programa e já tinha colocado em prática várias dicas que demos.



Tem cômodos como os quais não trabalha para o programa?

Banheiro e cozinha são complicados. Para que esses cômodos passem por uma transformação, de verdade, geralmente temos que mexer em fiação elétrica, reposicionar canos, trocar cubas, torneiras, bancadas. É muito complexo para o tempo que temos. Para fazer uma transformação mudando só a cor, por exemplo, não considero uma boa transformação. Então, esses cômodos têm ficado de fora das nossas escolhas. Porém, estamos buscando cada vez mais incluir ambientes diferentes no programa.


Uma novidade dessa temporada é o ateliê-estúdio. Como você utilizou?

Como o programa ganhou mais tempo, posso discutir e explicar os projetos melhor. Isso acontece no ateliê, junto com a minha fiel escudeira e chefe de obras Cynthia Sansevero e um profissional convidado como um paisagista ou um marceneiro, como é o caso do primeiro episódio.


Qual seu maior desafio como arquiteto, excluindo a parafernália televisiva?

O maior desafio é desenvolver o projeto. Tem toda a complexidade da família que eu preciso entender, tendo o mínimo de contato com seus integrantes. Dá um grande frio na barriga quando começo cada um deles. No papel, a obra é uma; na realidade, sai sempre um pouco diferente. Seja como for, o que não pode existir é frustração, no final. Mas acho que o resultado sempre surpreende, porque a transformação é sempre para melhor. Por exemplo, quando falei em começar a preparação da próxima temporada com antecedência, um dos objetivos é ter mais tempo para estudar melhor as famílias. Isso ajuda na hora de fazer o planejamento também.


O arquiteto, de um modo geral, precisa conhecer os desejos dos clientes. Tem percebido alguma tendência ou pedidos em comum, ultimamente?

O que percebo é que as pessoas, cada vez mais, estão olhando para a casa como um ninho. A expectativa é que, cada espaço, tenha o tamanho que tiver, deve permitir que a função destinada para esse lugar seja feita com qualidade.


Existe alguma moda que as pessoas querem seguir no momento?

Qualquer moda, em arquitetura e decoração, só vai ser boa de usar quando tem relação com a pessoa, com o estilo de vida da pessoa. Uma casa tem que ter personalidade, tem que contar a história do morador. Então, a moda tem que ser usada com parcimônia.



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