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Documentário sobre o artista plástico Siron Franco estreia no cinema e em plataformas de streaming

Considerado um dos mais importantes pintores brasileiros, o goiano Siron Franco é tema de um documentário que estreia quinta-feira, dia 25 de março, simultaneamente nos cinemas e nas plataformas de streaming Belas Artes A La Carte, Now, Vivo TV, Sky Play e Looke. “Siron. Tempo Sobre Tela” exibe imagens captadas ao longo de duas décadas, combinadas com filmagens caseiras do próprio artista, atualmente com 73 anos.


Assinado por André Guerreio Lopes e Rodrigo Campos, o documentário começou a ser feito em 2000. Na época, os diretores eram estudantes em Londres, onde o pintor estava produzindo telas inspiradas no bairro Soho.


“O projeto inicial era registrar esse processo de criação, a convite da produtora Malu Campos e do Roberto Viana. E foi o que eu e Rodrigo fizemos obsessivamente, filmando cada quadro da primeira à última pincelada, os caminhos e desvios do processo criativo”, explica André, que define o filme como “uma tapeçaria do tempo”.


Ao longo dos anos, os diretores voltaram ao material original, e perceberam que ali havia “um registro único e importante do trabalho de Siron”. A partir daí, foi idealizado fazer novas captações de imagens no ateliê do artista, em Aparecida de Goiânia, além de realizar entrevistas com ele e leva-lo a lugares de sua infância para fazer registros desses encontros.


André conta que Siron disponibilizou, para a produção, seu acervo de vídeos – um material inédito de cerca de 180 fitas VHS e Super-8, que ele filmou ao longo da vida, trabalhando em diversos ateliês, fazendo experimentos de videoarte ou registrando viagens para a Europa e México, nos anos 70.


“Não foi uma preocupação nossa que a estética do trabalho de Siron influenciasse o estilo do filme, apesar de termos estado sempre conscientes de que isso se daria em alguma medida, e naturalmente, ao longo de sua realização”, comenta Rodrigo. “Um dos objetivos do filme é tornar os meandros do pensamento, da personalidade e da arte desse grande criador brasileiro disponíveis para o maior número possível de pessoas, o que se torna particularmente importante neste momento atual, em que o desprezo das instituições oficiais e de uma grande parte da elite econômica do Brasil pela arte só não é maior do que seu desprezo pela vida em si mesma.”


Siron Franco



Pintor, desenhista e escultor, passou sua infância e adolescência em Goiânia. Começou a ganhar a vida fazendo e vendendo retratos. A partir de 1965, decidiu concentrar-se no desenho, seguindo os "esboços grotescos e irreais" que tinha em mente. Entre 1969 e 1971 residiu em São Paulo, frequentando os ateliês de Bernardo Cid e Walter Levi e integrando o grupo que fez a exposição Surrealismo e Arte Fantástica, na Galeria Seta.


Como pintor, passou a ser reconhecido a partir da sua participação na 12a. Bienal Nacional de São Paulo, em 1974, onde foi premiado como o melhor pintor nacional. Ligado às questões sociais, Siron, quando do acidente com o césio 137 - elemento radioativo que causou grandes danos de saúde a pessoas pobres de Goiânia, pintou a série “Césio”, para denunciar o descaso das autoridades diante do desamparo da população.


Obras de Siron Franco estão presentes nos mais importantes museus do Brasil, como MASP (São Paulo), MAC (São Paulo), MNBA (Rio de Janeiro) e MON (Curitiba); e do mundo, como no Metropolitan Museum of Arts (The Met) em Nova York (EUA) e no Museu de Arte Contemporânea de Monterrey no México.


Aqui as obras: O Ditador (1975), Proibido nº 2 (1979) e Rua 57 (1987)

Conheça mais obras do artista, aqui


Veja o trailer de “Siron. Tempo Sobre Tela”










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