• Sônia Apolinário

Cigana Nalata transforma seus rótulos em murais ambulantes

Em meio a tantas opções de cerveja artesanal, como atrair a atenção do consumidor para o seu rótulo? Ainda mais quando a marca está chegando, agora, no mercado? Os sócios da cigana carioca Nalata Cerveja Artesanal apostaram, literalmente, no próprio rótulo. Assim, o segundo lançamento da marca repetirá o esquema do primeiro: três artes de artistas diferentes para a mesma cerveja. Ou uma exposição ambulante.



A Nalata 01, uma American IPA (6,9% ABV; 57 IBU) chegou ao mercado, em maio do ano passado. Agora, em fevereiro de 2022, chega a 02, uma Session IPA (4,7%; 40).


“Tem muita cerveja boa no mercado e, quando decidimos lançar a marca, estava claro que precisávamos chamar a atenção. Muita gente escolhe uma cerveja pelo rótulo. Ter um rótulo bacana é uma forma de despertar a curiosidade do público para experimentar a bebida. Assim, resolvemos transformar a nossa lata em um mural. Com três artes diferentes, as pessoas também podem querer colecionar”, explica Bernardo Ferreira Freitas, um dos sócios da marca.


O nome, Nalata, inspirou a escolha do primeiro estilo artístico para os rótulos: Na lata - “papo reto”, sem rodeios. Estilo: grafites, arte de rua. Para chegar nos artistas, os cervejeiros lançaram um concurso. Para a 01, selecionaram dez artes que foram submetidas à votação do público para a escolha das três que se tornariam rótulos.


Com esse processo, a marca criou um buchicho e chamou a atenção para sua chegada ao mercado, como queriam. Antes mesmo, porém, os então cervejeiros caseiros contaram com o próprio público para levar à diante o projeto da marca própria. Foi com um financiamento coletivo, lançado em dezembro de 2020, que eles levantaram fundos para fazer a primeira produção.


Pediram R$ 20 mil (em compra antecipada) e arrecadaram, segundo Bernardo 118% a mais. Assim, eles já “largaram” com 900 latas vendidas (meta), um pouco menos do total produzido.


“Decidimos começar com uma IPA porque é o estilo mais vendido e também porque confiávamos na nossa receita do estilo. Em 2019, ganhamos um concurso para caseiros, a Fórmula Brewer, com ela. Já fizemos três bateladas da nossa American IPA”, conta Bernardo, que é professor de educação física.



Ele e o sócio, o publicitário Jefferson Martins de Barros, começaram a produzir cerveja em casa em 2016. A “culpa” é do Tiago Dardeau, fundador da ACervA Carioca e sócio da Confraria do Marquês. Bernardo e Tiago, também professor, trabalhavam em uma mesma escola. Bernardo e Jeff se tornaram alunos de Tiago em produção de cerveja, na Confraria do Marquês. Isso tudo porque decidiu que a cerveja com a qual comemoraria seus 40 anos seria caseira. E assim foi: 50 litros de uma APA.


“Essa cerveja até que ficou boa, para uma primeira produção. Fizemos a receita que veio com o kit do equipamento. Como marinheiro de primeira viagem, não iria me arriscar”, conta Bernardo.


De produção em produção, a dupla decidiu que era hora de lançar suas receitas elogiadas pelos amigos, no mercado. Quando definiram que usariam as latas como mural, definiram também que cada estilo de cerveja que fizessem seria associado a um tipo de arte - e quando falam em artes, tá valendo poesia também, por exemplo. Assim, a família das IPAs Na Lata serão sempre com grafites.


Nas latas da marca, as informações sobre o rótulo ficam concentradas atrás. Lá também se encontra um QR Code que contém informações sobre o artista que ilustra aquele rótulo.


Para a segunda cerveja, a escolha por uma Session IPA foi por conta da época do lançamento. De acordo com Bernardo, é uma boa opção para se beber durante o verão, sendo que há poucas opções do estilo, no mercado.


“A Session IPA é uma cerveja refrescante, fácil de beber. É uma cerveja de entrada para muitas pessoas e percebo que há um pouco de preconceito em relação a esse estilo, por parte do meio cervejeiro. Mais uma vez, estamos apostando em uma receita nossa que acreditamos muito”, explica Bernardo.


Dessa vez, sete artistas, diferentes do primeiro concurso, foram selecionados pela marca. Outra vez, o público escolheu as três artes que foram para os rótulos.




Os artistas


Joyce, mas pode me chamar de Joy. Sou de Ribeirão Preto (SP), tenho 34 anos e sempre trabalhei com arte. Desde 2018, me dedico exclusivamente ao muralismo. Foi quando parei de lecionar e decidi trabalhar apenas com fotografia e pintura.


Marcos Ganzarolli, vulgo Ganza. Tenho 48 anos, sou de Campinas (SP). Nasci e cresci dentro de um ateliê. Meu pai era artista plástico e tinha uma escola de pintura acadêmica. Aos 19 anos fui em busca de novas técnicas me matriculando na The Art Students League Of New York, onde residi por 4 anos e comecei a desenvolver meu estilo.


Heridian, moro em Embu-Guaçu (SP). Sou artista urbano, formado em arte e design. Sou grafiteiro desde 1997. Comecei como pichador artístico e, atualmente, tenho graffities por todo Brasil.


O pessoal me chama pelo nome artístico mesmo: "SECO". Tenho 27 anos, sou nascido e crescido em Brasília, mas atualmente moro no Ipiranga (SP). Trabalho com arte desde os 15 anos.


Sou Bruno BESK, tenho 40 anos. Sou de Padre Miguel, subúrbio do Rio de Janeiro, e, atualmente, moro no Recreio. Trabalho com arte em geral desde 2000 e comecei com o Graffiti em 2017.


Me chamo Racil, tenho 34 anos e sou de Suzano (SP). Vocês podem ver meus trabalhos aqui pela cidade, entre outros lugares do Brasil. Comecei na arte de rua em 2001. Depois, passei a me interessar mais ainda pelo graffiti. Daí em diante, sigo estudando, trabalhando com os estilos cubismo e abstrato.



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