• Sônia Apolinário

Catharina Sour Day celebra a oficialização do Brazilian Style no BJCP

Em dez estados brasileiros, 64 cervejarias lançam, nesta quarta-feira (19), pelo menos um rótulo de Catharina Sour. A iniciativa da ação partiu do Movimento Toda Cerveja para celebrar o fato de que Catharina Sour se tornou o primeiro estilo brasileiro de cerveja oficialmente reconhecido no Beer Judge Certification Program (BJCP).



A principal característica da Catharina Sour é o uso de frutas frescas na sua composição, mas não só isso. O estilo também permite a utilização de especiarias, ervas e vegetais. Ou seja, acolhe, na sua receita, a biodiversidade brasileira.


Assim, as cervejarias que participam do Catharina Sour Day apresentam, juntas, uma lista de frutas extensa, como uma verdadeira feira livre: abacaxi, acerola, amora, araçaúna, butiá, cacau, café, cajazinho, cupuaçu, framboesa, goiaba, graviola, jaca, jabuticaba, variedades de laranja e limão, mamão, manga, maracujá, mirtilo, morango, pêssego, pitaya, seriguela, tangerina, variedades de uva e uvaia, além de especiarias e outros itens como casca de laranja, capim cidreira, matcha e tomilho.


O Rio de Janeiro está representado nesse evento apenas pela cervejaria Paranóide, de Volta Redonda, que usou maracujá na produção da sua cerveja.


Estilos locais


O agora estilo brasileiro foi criado por cervejeiros de Santa Catarina, em 2016. Dois anos depois, entrou de forma provisória para ao BJCP, que oficializou a Catharina Sour como Brazilian Style no final do ano passado.


Até então, o guia internacional já tinha reconhecido dois estilos “locais” para a Argentina (Dorada Pampeana e IPA Argenta), um para a Itália (Italian Grape Ale) e outro para a Nova Zelândia (New Zealand Pilsner).


A Catharina Sour é um estilo levemente ácido e refrescante. Isso faz com que tenha vários “primos” e pode ser confundido com uma American Fruited Sour Ale, Berliner Weisse, Wild Ale ou mesmo uma Lambic.


O próprio BJCP observa diferenças entre eles: “a Catharina Sour é como uma Berliner Weisse mais forte, mas com fruta fresca e sem Brett (Brettanomyces); menos ácida do que Lambic e Gueuze e sem o caráter da Brett”.


O estilo brasileiro Catharina Sour é feito a partir de uma base do estilo alemão Berliner Weisse. Isso significa que leva trigo na sua composição e a acidez vem do lactobacilos do malte, que é a acidez láctica. Isso significa também que, por não usar levedura selvagem, o estilo não poderia ser enquadrada como Wild Ale.


Já a American Fruited Sour Ale é um estilo mais aberto. A acidez pode vir tanto por contaminação láctica, bactérias acéticas ou Brettanomyces. É uma Sour que, não necessariamente, tem base de Berliner Weisse, assim, pode levar trigo ou não. Porém, necessariamente, vai levar fruta e lúpulo americano. A Catharina Sour, necessariamente leva fruta fresca e pode usar lúpulo de qualquer parte do mundo. Porém, amargor não é o forte do estilo.

Uma Catharina Sour terá entre 2 e 8 em teor de amargor e entre 4.0% e 5.5% de teor alcoólico (contra um máximo de 3,8% da Berliner Weisse).


Bairrismo


O Movimento Toda Cerveja foi criado em agosto de 2021 por iniciativa dos cervejeiros Daniel Jeffmann (Fat Bull Beer, Novo Hamburgo /RS), Janderson Martini (Old Captain, Canoas /RS) e Vinícius Cordeiro (das marcas Veterana e Ruradélica, ambas de Porto Alegre /RS).


Na opinião de Daniel Jeffmann, ainda há resistência em relação ao estilo Catharina Sour. O motivo, porém, é mais por bairrismo do que por questões cervejeiras:


“Infelizmente ainda existe resistência sim e acredito que seja exclusivamente pelo nome dado ao estilo. Se fosse Brazilian Sour talvez ampliasse bastante a aceitação e o apoio. Todavia, agora é hora de comemorar e incentivar a popularização do estilo em todo Brasil e no mundo. Respeitamos a opinião, embora a gente não tenha problema algum com o nome Catharina Sour”.


Para ele, a inclusão da Catharina Sour como estilo brasileiro de cerveja é uma vitória do movimento cervejeiro no Brasil. Daniel acredita que essa novidade “deixa o mercado brasileiro em maior evidência, no mercado mundial, e dá oportunidade às cervejarias brasileiras”.


“A oportunidade está criada e cabe a nós mostrar o nosso estilo ao mercado internacional ou até mesmo nos juntarmos com cervejarias ‘gringas’ para introduzirmos o que já vem funcionando por aqui”, comenta.


Para o Catharina Sour Day, a Fat Bull Beer criou duas cervejas: uma com frutas vermelhas (morango, framboesa e amora) e outra com frutas amarelas (manga, pêssego e maracujá). Do portfólio da marca já faz parte o rótulo Pink's Not Dead!, feita com pitaya roxa.


Porta de entrada


Um dos criadores do estilo, Idney José da Silva Jr comenta que a possibilidade de degustar a diversidade dos biomas brasileiros desperta no consumidor a curiosidade pela Catharina Sour:


“Ser refrescante é a principal marca do estilo. Além disso, não tem uma característica que seja mais pronunciada como, por exemplo, amargor forte ou graduação alcoólica alta. Assim, é um estilo que consegue se tornar uma boa porta de entrada do público para outros estilos. Em função da fruta que leva, é uma cerveja que pode ter diferentes cores, o que também evidencia para o consumidor que cerveja artesanal é um universo muito mais amplo do que ele pode imaginar”.























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