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Entrevista online com Isabel Allende abre a 66ª Feira do Livro de Porto Alegre

Até o próximo dia 15 de novembro acontece a 66ª Feira do Livro de Porto Alegre (RS). Toda a programação é gratuita e online. A abertura será hoje (30 de outubro), às 19h30 com uma entrevista ao vivo com a escritora chilena Isabel Allende.

Tradicionalmente, o evento acontece na Praça da Alfândega. Este ano, por conta da pandemia do coronavírus, a edição se tornou digital. A programação, porém, foi mantida na íntegra. Serão realizados encontros com autores, lançamentos, “balaios de descontos”, contações de histórias e as costumeiras atividades paralelas.

Valorização da cultura, diversidade, ciência e sustentabilidade são os quatro pilares da programação deste ano. Ao todo, serão apresentados 36 eventos com a participação de 90 convidados.

Há mais de 20 anos, a contação de histórias faz parte da programação da Feira. Voltada para o público infantil e juvenil, a edição deste ano contará com a transmissão de 24 histórias, dentro da programação oficial.

“A partir do mote ‘Janelas abertas para a Praça’, a curadoria do evento deseja que, ao longo da Feira, cada tela conectada à programação - seja em smartphones, tablets ou smartvs, possa se transformar, realmente, em uma nova janela aberta para a praça que, durante o evento, costumava se tornar o espaço do diálogo e do pensamento. Desejamos que o público possa ouvir, discutir e trocar sobre tópicos essenciais que os livros nos trazem. Histórias que nos falam muito sobre o hoje e que, certamente, nos ajudarão a pensar o amanhã”, comenta a escritora e editora Lu Thomé, curadora do evento.

Patrono

O patrono da 66ª Feira do Livro de Porto Alegre é o escritor e de mestre em literaturas luso-africanas Jeferson Tenório. Carioca, ele se mudou para Porto Alegre em 1977.

Sua obra mais recente, “O Avesso da Pele”, foi lançada em agosto passado. O narrador, Pedro, um jovem de 22 anos, quase sempre usando a segunda pessoa do singular (você), busca reconstruir a história de seu pai, Henrique, vítima da violência policial. O racismo estrutural está presente na história do início ao fim do livro de maneira sensível, mesmo que nem sempre sutil. A narrativa provoca reflexões sobre os privilégios (ou ausência de privilégios) que a cor da pele traz para as pessoas.

O livro chegou ao mercado quando aconteciam os protestos desencadeados após a morte de George Floyd, em Minnesota (EUA) e, no cenário nacional, da morte do adolescente João Pedro Mattos, na região metropolitana do Rio de Janeiro.

Isabel Allende

Da Califórnia (EUA), onde mora, a escritora abrirá a 66ª Feira do Livro de Porto Alegre. Isabel Allende será entrevista , será entrevista da por um time de mulheres: a jornalista Lúcia Mattos, a escritora Anna Mariano e a professora Regina Kohlrausch.

Na pauta, as muitas vidas que cabem em uma única pessoa. Isabel nasceu em 1942, em Lima, no Peru, onde seu pai, um diplomata, se encontrava a trabalho. Ainda pequena, mudou-se para o Chile, onde viveu durante alguns anos, antes de passar pela Venezuela e pelos Estados Unidos, onde vive desde 1989. Isabel teve sua nacionalidade reconhecida como chilena, tendo-se tornado cidadã norte-americana em 2003. Seu pai era primo-irmão de Salvador Allende, o socialista que governou seu país, o Chile, de 1970 a 1973, quando foi deposto por um golpe de estado liderado por seu chefe das Forças Armadas, o general Augusto Pinochet. O golpe mergulhou o país nas trevas da ditadura.

Ela começou sua carreira como jornalista, no Chile. Em 1995, fundou a Fundação Isabel Allende para apoiar o empoderamento feminino. A defesa dos direitos das mulheres é uma luta constante da carreira da escritora e aparece também em suas obras de ficção.

Seu primeiro romance, “A casa dos espíritos”, foi publicado em 1982 e a lançou no mundo literário internacional. O livro narra a história de uma família através de três gerações, ao mesmo tempo em que relata um período turbulento da história de um país latino-americano indefinido.

Ao todo, Isabel tem 24 obras publicadas, traduzidas para mais de 40 línguas, que ultrapassaram a marca de 70 milhões de livros vendidos.

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