• Sônia Apolinário

Malteca, nova cervejaria em Niterói, começa a funcionar em Jurujuba

Quem passa pelo tradicional bairro de pescadores de Niterói, Jurujuba, nem imagina que, em um galpão que já foi utilizado para conservar peixe, funciona a mais nova cervejaria da cidade. A Malteca iniciou sua produção há cerca de um mês, em plena quarentena. A fábrica ainda está para receber os últimos equipamentos e a fachada não ficou pronta. Porém, a marca já tem cerveja na rua.

A história da criação da cervejaria começa há três anos. A Malteca já poderia estar funcionando há pelos menos um ano, se uma inesperada proposta profissional não tivesse levado Tatiana Ferreira e o Diego Verticchio para Portugual.

Até abrir a Malteca, ele, que é jornalista, se limitava a ser um bebedor e entusiasta de cerveja artesanal. Tatiana é administradora de empresas e o casal percebeu uma oportunidade de negócio, por conta do desenvolvimento do segmento, em Niterói.

“Vimos que os ciganos ou quem desejava iniciar sua produção, não estavam encontrando espaço no Rio de Janeiro porque as fábricas estavam ocupadas. A maioria tinha que fazer cerveja fora do estado. Decidimos investir na construção de uma fábrica para ter a nossa marca, mas também para produzir para terceiros”, conta Diego que, como jornalista, trabalhava na área de turismo e, há quatro anos, fez um curso de produção de cerveja caseira com Leonardo Botto.

A Malteca não tinha sido batizada, mas já estava quase pronta quando surgiu a oportunidade de trabalho em Portugal, para o casal – Tatiana tem dupla cidadania. Fecharam a fábrica com tudo o que já tinha sido instalado dentro e atravessaram o oceano. Viveram durante um ano na cidade do Porto e talvez ainda estivessem por lá; talvez aceitassem uma oferta que receberam para arrendar a fábrica fechada, não fosse a gravidez de Tatiana e a vontade de voltar para que o segundo filho do casal nascesse no Brasil.

A nova cervejaria de Niterói tem capacidade de produção de 18 mil litros. São cinco tanques de 2 mil litros e outro de um mil.

Foi em março passado, quando a quarentena de combate ao Corona vírus foi decretada na cidade, que chegaram os últimos equipamentos da fábrica. Para a produção, o casal contratou o cervejeiro Vitor Perez Vicente, ex-Mistura Clássica (Angra dos Reis, RJ) e BierHerr (São Mateus do Sul, PR).

Em junho, fizeram a primeira cerveja Malteca, uma Cream Ale, seguida por uma Session IPA. Parte da produção desse segundo estilo recebeu adição de cacau para se tornar uma cerveja comemorativa do Dia Mundial do Chocolate (7 de julho). Uma Pilsen, uma Vienna Lager e uma Witbier já estão a caminho.

“Niterói vivia um bom momento cervejeiro, com muitas marcas e eventos. A pandemia nos deu um safanão. Adiamos por enquanto o projeto de ter um co-working e um espaço para cursos. Essa é a área que a Tatiana mais gosta. Nesse período, ela aprofundou os estudos relacionados com cerveja. Eu que sempre fui jornalista, estou atuando como empresário pela primeira vez”, comenta Diego, na foto, ao lado de Tatiana.

Apesar de ser uma marca ilustre desconhecida na cidade, a Malteca se “jogou” no delivery e colocou suas cervejas para circular, em growlers. A produção, porém, está longe de estar a pleno vapor, por conta do movimento dos bares – alguns ainda não abriram, outros estão com pouco público.

Enquanto isso, a Malteca aguarda a chegada de uma envasadora para garrafas. Mais para frente, segundo Diego, virão as latas.

Sobre o nome, ele brinca que as pessoas acham que existe alguma referência maia ou asteca. Nada disso. Malteca é, ao pé da letra, coleção de malte, um lugar que reúne muitos sacos de malte e sonha em se tornar a casa do cervejeiro.

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