Bloco Fogo e Paixão celebra dez anos de breguice no carnaval carioca

Um bloco que se auto-intitula brega completa, em 2020, dez anos de carnaval. Batizado com o nome de uma icônica canção de Wando, o Fogo e Paixão é uma das atrações da folia carioca, neste final de semana. O desfile (sempre) parado é no domingo (16), às 9h, no Largo de São Francisco de Paula, no Centro da cidade. A data não passará em branco. O carnaval "Brega é 10" vai ter bolinho e “Parabéns Pra Você”.  

 

Relações públicas do Fogo e Paixão, João Marcelo Oliveira explica que, por conta do aniversário, o grupo jogou um foco na própria trajetória do bloco e resgatou músicas que não vinham sendo tocadas nos últimos tempos como “Pimpolho” (Art Popular) e “Me Dê Motivo” (Tim Maia). Porém, como é sempre bom ter alguma novidade, este ano estreiam na play list “Pintura Íntima” (Kid Abelha), “Todo Mundo Vai Sofrer” (Marília Mendonça) e “Loka” (Simone e Simaria).

 

Segundo ele, 40% do repertório é composto por clássicos “imexíveis”, como “Fogo e Paixão”, é claro, além de “O Meu Sangue Ferve por Você” (Sidney Magal) e “Evidências” (Chitãozinho & Xororó).

 

“Quando toca Sidney Magal é um momento de muita empolgação. ‘Evidências’ eu diria que é um hino, que cantamos com a mão no peito”, brinca João, também ritmista do bloco.

 

Apesar do aniversário, este ano o Fogo e Paixão não terá convidados. No carnaval passado, por exemplo, Fafá de Belém foi atração do bloco que já recebeu Max de Castro e Simoninha e Carlos Evanney, cover oficial de Roberto Carlos. Dividir o palco com Sidney Magal é um sonho do grupo.

 

“Foi difícil para colocar o carnaval na rua. Não teríamos estrutura para receber o Magal, este ano. Todos eles são grandes artistas e precisam ser bem cuidados, mesmo” afirma João.

 

Ele conta que a prioridade do bloco é, sempre, com a qualidade som. Talvez por conta do “trauma” da estreia, quando o equipamento contratado deixou a desejar e o grupo foi obrigado a improvisar – até voz e violão rolou. 

 

O Fogo e Paixão foi criado por músicos que tocavam em outros blocos cariocas como Monobloco, Bangalafumenga e Quizomba. João conta que, fora do carnaval, nas rodas de violão, era só tocar um Wando ou Reginaldo Rossi que o público “se soltava”. Surgiu, então, a ideia de levar para a folia essas músicas que todos adoravam cantar, mas não gostavam de admitir, por serem consideradas “bregas”.

 

A estreia do bloco reuniu, basicamente, amigos. Atualmente, o Fogo e Paixão atrai um público de 30 mil pessoas para a praça do Largo de São Francisco. O local é “deles” desde o início. João explica que foi o escolhido porque o grupo queria se apresentar em um lugar que não atrapalhasse muito a vida da cidade. A praça pareceu, para eles, um local tranquilo. Dez anos depois, o espaço começa a ficar pequeno para abrigar os fãs do bloco, que não param de crescer.

 

Sair de lá, porém, não está nos planos do Fogo e Paixão. O motivo, explica João, é a burocracia para se obter, a cada ano, todas as licenças necessárias para se colocar o bloco na rua. Repetir o local já é algum caminho andado nessa “peregrinação”.

 

 

 

“As pessoas pensam que os blocos recebem dinheiro da prefeitura. Não é verdade. O que recebemos é apoio logístico dos órgãos públicos. Ir para a rua é muito caro. Custa entre R$ 80 mil e R$ 100 mil. Fica por nossa conta conseguir patrocínio. Somente alguns integrantes vivem de música. Quando fazemos algum show, o que recebemos é voltado para cobrir as despesas do carnaval. Temos muitas responsabilidades. Assumimos compromissos junto à administração municipal e, principalmente, com o público”, comenta.

 

No Fogo e Paixão, os 100 integrantes da bateria "Sem Limites" ficam no chão. No palco, os cantores e as seis bailarinas, as breguetes, e um bailarino, o bregueto. Nos bastidores, cerca de 50 pessoas cuidam para que tudo corra bem.  

 

Na véspera do carnaval, o frisson entre os integrantes do grupo fica por conta da confecção das fantasias. Cada um produz a sua. Mas a marca registrada é cor, muita cor. O público corresponde e também capricha no visual.

 

“Acabamos com a história que brega é algo ruim. O brega é o romântico exagerado, é o amor demais, é ser feliz demais. O brega trabalha com a felicidade. Se não tiver isso, não nos cabe”, afirma João.

 

 

   

 

 

Confira a agenda carnavalesca do Rio de Janeiro para o próximo final de semana

 

                                                         

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