Novo polo cervejeiro se forma em Guapimirim, na serra fluminense

Um “cigano residente”, uma cervejaria que tem marca própria, mas também atende cigano e uma fábrica que só trabalha com ciganos. Três dos principais modelos de negócio do mercado de cerveja artesanal podem ser encontrados em Guapimirim, município da serra fluminense. Juntos, estão envolvidos na produção de cerca de 40 marcas. E pensar que as fábricas ainda não estão com suas obras totalmente concluídas e o município, com cerca de 60 mil habitantes, tem características rurais. Distante pouco mais de uma hora do Rio de Janeiro, a cidade começa a descobrir o potencial das cervejarias recém-chegadas para o fomento do turismo na região.

 

 

 

Com espaço de um ano, duas fábricas se instalaram na cidade: a Rota Imperial (direita), inaugurada em 2017; e a Nossa Fábrica (esquerda), que começou a funcionar no ano passado. Em uma área de 1.500 metros quadrados, a Nossa Fábrica não tem marca própria - e os sócios Léo Cerqueira (ex-Mistura Clássica) e Lucas Oliveira dizem que não pretendem ter. Eles atendem ciganos e, no momento, estão com cerca de 30 clientes. A produção atual é de 150 mil litros por mês, metade da capacidade total. No subsolo, um barrel room está sendo construído.

 

Próximo de lá, a Rota Imperial tem quatro rótulos próprios e atende alguns poucos ciganos. Atualmente, sua produção é de 3 mil litros por mês, de uma capacidade total de 7 mil litros por mês.

 

Um dos três sócios, Maurício Almeida, é o subsecretário de Turismo da cidade. Já foi também o presidente da AcervA Guapimirim. Ele e outro sócio, Wanderley Lins, eram moradores do Rio de Janeiro que resolveram adotar um novo estilo de vida. Maurício se mudou para Guapimirim em  2010 e conta que, desde essa época, “batalha” para levar cervejarias para a cidade. O terceiro sócio da Rota Imperial é Mário Pôças.

 

Voltando no tempo, o começo de toda essa movimentação cervejeira na cidade atende pelo nome de João Veiga. Um dos pioneiros da craft beer do Rio de Janeiro, há quase 20 anos ele ministra cursos de produção de cerveja caseira em Guapimirim. Maurício Almeida foi um de seus vários alunos, bem como o professor Antonio Carlos, que há três anos criou a Docente. A marca cigana é produzida na cervejaria Colarinho da Serra, em Teresópolis.

 

 

 

Em 2015, o professor se tornou sócio do bar Cervejaria Entre Amigos, inaugurado dois anos antes por João. Até 2018, funcionava com cinco torneiras em chopeiras. Uma reforma ampliou o lugar e 15 taps foram instalados. Três deles são abastecidos com os rótulos da Docente: Mat Pilsen, Geo Summer e Qui APA; outros três com marcas importadas: Delirum Tremens, London Pride e Wieninger. Os restantes recebem  chopes produzidos pela Rota Imperial e Nossa Fábrica.

 

“Perceber as cervejarias como atração turística para a cidade ainda é algo que está em fase

embrionária para o município. Eu venho alertando para essa possibilidade até como alternativa econômica, uma vez que 80% da cidade é área de preservação, o que limita suas atividades, e a pequena cervejaria não gera grandes impactos ambientais”, afirma Maurício Almeida.

 

O professor Antonio Carlos torce para que seja criada uma política de incentivos para atrair mais cervejarias para Guapimirim, cidade abastecida pela água pura do rio Soberbo, que vem do alto da serra. 

 

Ele também é um ex-morador do Rio de Janeiro que buscou a cidade para ter uma vida mais tranquila. Foi após se aposentar como professor que transformou seu hobby de produzir cerveja em negócio. Se no início, ele tentou conquistar o mercado do Rio de Janeiro, agora prefere atuar nas regiões do entorno de Guapimirim, que faz limite com cinco municípios: Petrópolis, Teresópolis, Itaboraí, Cachoeiras de Macacu e Magé.

 

 

As duas fábricas ainda não têm programas regulares para receber visitação do público. A Nossa Fábrica  não tem planos de ter um bar. A Rota Imperial, sim. No momento, um cantinho na instalação da cervejaria é utilizado, ainda de forma improvisada, para receber eventuais visitantes.

 

Maurício Almeida conta que, a partir de setembro, pretende estabelecer pelo menos duas datas por mês para receber turistas que fazem a Rota Cervejeira - passeios por fábricas da região serrana.

 

 

 

 

 

 

Cigano Residente

 

Quando inaugurou a Rota Imperial, Maurício Almeida acreditava que não atenderia ciganos

por conta da sua pequena capacidade de produção. Mas Edson Araújo, criador da marca São Patrício, mudou o rumo dessa prosa. Ele comprou um fermentador de mil litros e instalou na fábrica. Assim, ele se tornou um “cigano residente”  e, agora, ajuda a ocupar os períodos ociosos da cervejaria.

 

Edinho, como o cigano é mais conhecido, conheceu a Rota Imperial por intermédio de Mário Pôças, ambos integrantes da confraria Insulana, da Ilha do Governador, no Rio de Janeiro. Advogado, ele é paneleiro desde 2013. Ele chegou a ter duas "cozinhas cervejeiras", uma delas para utilização por produtores caseiros, onde se instalou a Confraria dos Sem Panelas (CSP).

 

Ele conta que, naquela época, começou a cogitar da possibilidade de um dia ter a própria marca. Em 2017, ajustou as receitas das cervejas produzidas pela Insulana que iriam concorrer no Festival das Confrarias. Todas foram vencedoras e ele acabou por receber um dos prêmios: um curso técnico no Instituto da Cerveja Brasil (ICB).

 

“Quando me profissionalizei, descobri que muita coisa que você aprende como caseiro, na

verdade, é uma nuance do conhecimento. Isso porque, quando somos iniciantes, passam as coisas para nós de forma mastigada.  O que achávamos que sabíamos é, na verdade, apenas um detalhe do processo”, observa Edinho que registrou sua marca em outubro de 2018, mas só começou a produzir agora, em março.

 

 

Esse tempo ele utilizou para estudar o mercado. E entrou na “brincadeira” sabendo que a parte mais difícil é a própria venda da cerveja. Optou por começar por uma Blonde Ale, um estilo mais leve e "não muito explorado", segundo sua avaliação. Agora, parte para o segundo rótulo: uma bitter, tradicional estilo inglês mais seco e amargo.

 

Que dica você dá para quem quer se lançar como cigano ?

EA: É preciso ter planejamento para saber o quanto será necessário investir para garantir a qualidade da sua cerveja e o seu estoque.

 

 

 

 

 

 

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