Nova Friburgo desponta como polo produtor de lúpulo no Rio de Janeiro

Quando começou a cultivar alguns pés de lúpulo para usar na produção de sua própria cerveja, o veterinário Paulo Celles Cordeiro, sem saber, deu início a um movimento que está colocando a cidade serrana de Nova Friburgo (RJ) no mapa da produção da planta, no Brasil. Para chamar a atenção para esse cenário, ele criou a Festa da Flor de Lúpulo, que acontece nos dias 31 de março e 1 de abril, na localidade de Amparo.

 

 Foi em 2016 que  Paulo plantou no seu sítio os primeiros pés de Cascade, sob total descrédito dos produtores vizinhos. Hoje, ele cultiva 14 variedades, distribuídas por 62 plantas que ocupam 600 metros quadrados do seu terreno de 2.100 metros quadrados.

 

Conforme sua plantação vingava, ele se tornou fornecedor de mudas para os vizinhos até então descrentes. Foi assim que Amparo passou a ter 13 produtores de lúpulo com produção em crescimento.

 

“Faço cerveja em casa e quis buscar um diferencial para o meu produto. O lúpulo fresco fornece outro paladar. Isso porque todo o lúpulo comercializado no Brasil tem de dois a três anos de estocagem. Fazer uma cerveja com um lúpulo local dará uma diferença, mesmo que sutil, na bebida, porque sempre haverá o terroir”, afirma Paulo.

 

Ele conta que a “lenda” de que no Brasil não seria possível o lúpulo vingar por conta da baixa luminosidade, em relação aos países do hemisfério norte, nunca o intimidou. Paulo explica que diziam a mesma coisa em relação à produção do leite de cabra.

 

Pois ele é dono de uma indústria de laticínio que industrializa leite de cabra, em Macuco (RJ), com produção regular o ano todo. Conseguiu a “proeza” unindo seus conhecimentos de veterinário e técnico de agricultura. E muito do que utilizou para fazer suas cabras produzirem sem interrupção, ele aplicou na plantação de lúpulo. Basicamente, fornecer “doses” extras de luz.

 

“Sempre se acreditou que lúpulo não vingaria nos paralelos próximos ao Equador.  Mas a

planta está se adaptando muito bem, obrigada. Também já se disse que a soja só daria em região fria como o Rio Grande do Sul, mas hoje tem plantação até no Piauí. São paradigmas que se inventam. No caso do lúpulo, é interessante que o Brasil se mantenha como importador da planta.  Tem muito lugar, principalmente nos Estados Unidos, que depende da exportação de lúpulo”, comenta Paulo.

 

Ele observa que outro mito, também está sendo derrubado. Segundo conta, calor não é problema para o lúpulo. Paulo informa que, atualmente, tem plantação de lúpulo por todo o país, inclusive em Belém, como ótimo resultado. E se o local é seco, basta irrigar.

 

“Isso vai nos dar, no futuro, uma ótima vantagem competitiva”, afirma.

 

Ano passado, Paulo fez sua primeira colheita. O produtor admite que plantou fora da época propícia, que são os meses de setembro e outubro. O resultado foi uma safra pequena: 1,8 quilo por pé que, depois de seco, se reduziu a 400 gramas.

 

Uma parte da produção, ele encaminhou para análise. Assim, atualmente, professores das Universidades Federais de Viçosa e do Espírito Santo estão envolvidos em pesquisas relacionadas ao plantio de lúpulo no Brasil.

 

 

Lúpulo Canastra

 

Dentre as variedades que Paulo cultiva, 17 pés são do lúpulo Canastra. Trata-se de uma variedade tida como brasileira, ainda em fase de experimentos, cujo registro está sendo pleiteado por uma empresa de Rio Claro (RJ).

 

Festa

 

Fevereiro e março são os meses destinados à colheita do lúpulo. A safra de Amparo será utilizada para produzir sete cervejas, de diferentes estilos. Todas poderão ser degustadas durante a Festa da Flor do Lúpulo.

 

No primeiro dia do evento, palestras técnicas informarão sobre a produção da região. Para essa parte do evento é necessário inscrição prévia. A programação também inclui visitação às plantações e uma feirinha que mostrará o lúpulo em outras “funções”, além de ingrediente para produção de cerveja. Por exemplo, usado para criar  aromatizadores de ambiente e cosméticos; na culinária, como tempero para carne; e como medicamento, geralmente, calmantes, na forma de chá.

 

Paulo lembra que Nova Friburgo, cidade de colonização alemã, já teve uma produção cervejeira forte que se perdeu e, agora, começa a ser retomada. Atualmente, segundo ele, existem 13 cervejarias na cidade com MAPA e outras tantas caseiras, como a dele. Seus planos, porém, incluem a profissionalização da sua cervejaria Do Amparo. E o crescimento da sua produção de lúpulo está diretamente relacionado com essa nova fase da sua cervejaria.

 

“A festa tem como objetivo chamar a atenção para o que estamos fazendo aqui em Nova Friburgo. Afinal, tem um paradigma caindo por terra. A cidade tem um grupo cervejeiro forte que já percebeu a vantagem competitiva de usar lúpulo local na produção da sua bebida. Vamos fazer como as galinhas. Vamos cacarejar para chamar a atenção dessa atividade e as oportunidades de negócios que podem ser geradas”, afirma Paulo.

                                                              Para comentar, aqui

 

Fotos fornecidas por Paulo Celles Cordeiro, feitas na sua propriedade em Amparo (RJ), no início de janeiro de 2018

 

 

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