• Sônia Apolinário

Ministério da Agricultura destrói mais de dez mil garrafas do proibido vinho azul




O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) informou, nesta quinta-feira (30) ter acompanhado a destruição de 10.500 garrafas de vinho com aditivos não permitidos pelas leis que regulamentam a bebida no país. A ação ocorreu no aterro industrial classe II de Blumenau (SC).


O produto, conhecido como vinho azul, foi identificado durante fiscalização de rotina da Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro). De acordo com o Mapa, a bebida veio da Espanha e tinha em sua composição vinho branco adicionado dos corantes E140, E160 e E163 que conferem à bebida tonalidade azul, além de aromatizantes. A não conformidade foi identificada durante a análise documental dos produtos, realizada pela Central de análise remota do Vigiagro, sendo prescrita a devolução do produto ao exterior.


“Destaca-se que essa análise é a primeira etapa do processo de importação de bebidas e trata-se de uma etapa obrigatória realizada antes da mercadoria ingressar no Brasil”, explicou a auditora fiscal federal agropecuária, Aleshisa Mascarello Rosa.


O Mapa não informou o nome do importador nem a (s) marca (s) do vinho azul destruído. Segundo o ministério, o responsável pela importação da bebida optou por destruir a mercadoria no Brasil, ao invés de devolvê-la para a Espanha.

Desde que o vinho azul chegou ao mercado, o Mapa se posicionou contra sua importação por ser uma bebida que contém corantes artificiais, o que vai contra as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária para vinhos.


O vinho azul foi criado em 2017, por uma empresa espanhola. Na época, os sócios informaram que a bebida era feita a partir de uma mistura de uvas brancas e roxas com adição de pigmentos e aromatizantes orgânicos e um xarope açucarado. Admitiram que contaram com a ajuda de engenheiros químicos para o desenvolvimento da bebida.


Os sócios tinham todos menos de 30 anos e disseram que queriam modernizar o tradicional mercado de vinhos espanhóis. O marketing da bebida era focado no público jovem e na característica instagramável da bebida.


Uma busca no Google por vinho azul, o que mais aparece é o brasileiro Ice Moscato Casa Motter assim descrito:


“Trazendo uma ideia da Europa, o enólogo Michel Motter elaborou o Azul Ice pensando em inovar e trazer algo novo ao mercado Brasileiro. O Azul Ice é extremamente aromático, demi-sec e elaborado com uva Moscato, da mesma forma que os vinhos brancos. A coloração é devido à adição de corante azul”.


Após a publicação desta matéria, o produtor Michel Motter entrou em contato com ComuniC para esclarecer que sua bebida é um "coquetel composto elaborado à base de vinho branco com adição de corante azul". Segundo ele, o Ice Moscato está registrado no Mapa "e pode ser comercializado livremente, diferente dos espanhóis que classificam (sua bebida) com vinho azul".

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