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  • Sônia Apolinário

Grupo Petrópolis, dono da cerveja Itaipava, pede recuperação judicial


O grupo Petrópolis, dono das marcas Itaipava, Black Princess e Petra, entre outras, entrou com pedido de recuperação judicial, na segunda-feira (27), na Justiça do Rio de Janeiro. As dívidas da companhia somam R$ 4,2 bilhões. Desse total, 48% são financeiras e 52% com fornecedores e terceiros.


Nesta terça-feira (28), a Justiça concedeu ao grupo uma tutela cautelar de urgência que determinou a liberação dos recursos da companhia pelo Banco Santander, Fundo Siena, Daycoval, BMG e Sofisa. A empresa afirmava que a tutela era urgente para evitar s "iminente estrangulamento do fluxo de caixa".


Na petição, o grupo cervejeiro informa que, até o fim de março, “haverá uma necessidade de capital de giro” de R$ 360 milhões - superior ao projetado para o período e que, até 10 de abril, será superior a R$ 580 milhões.


"A combinação desses fatores, exógenos e alheios ao controle das requerentes, gerou uma crise de liquidez sem precedentes no Grupo Petrópolis, que comprometeu seu fluxo de caixa a ponto de obrigá-lo a buscar a proteção legal com o ajuizamento deste pedido de recuperação judicial", diz trecho da petição.


O Grupo Petrópolis também produz as marcas de cerveja Crystal, Lokal, Weltenburge e Brassaria Ampolis com os rótulos Cacildis, Biritis, Ditriguis e Forévis. Produz também as vodkas Blue Spirit Ice e Nordka, a Cabaré Ice; os energéticos TNT Energy Drink e Magneto; o refrigerante It!; o isotônico TNT Sports Drink e a água Petra.

A empresa tem oito fábricas em operação.


Prisão


A crise no Grupo Petrópolis começou em 2019, quando o fundador da empresa, Walter Faria, foi preso acusado de corrupção por lavagem de dinheiro e sonegação de impostos. Naquela época, o grupo já vinha buscando empréstimos de bancos estrangeiros e fundos de investimento especializados em empresas em dificuldades para financiar sua expansão.


Faria se entregou no dia 5 de agosto à Justiça de Curitiba (PR), após cinco dias foragido. Sua prisão se deu no âmbito da Operação Lava Jato: a companhia teria destinado, entre 2006 e 2014, R$ 329 milhões à Odebrecht para que a empreiteira repassasse os valores adiante em forma de propina.


Na época, o Grupo Petrópolis ocupava a posição de terceira maior cervejaria do País, com faturamento líquido de R$ 9,6 bilhões em 2018 e 14% de participação de mercado – contra de 61% da Ambev e 20% da Heineken,


A prisão de Faria fez a companhia passar a ser considerada um ativo “tóxico” pelos eventuais interessados em investir na comprar a cervejaria. Houve especulações que a Heineken, a Femsa (engarrafadora da Coca-Cola) e o fundo Farallon (que investe em ativos em dificuldades na América Latina e já tinha feito um empréstimo de R$ 1,2 bilhão à Petrópolis) estariam interessados em comprar a empresa.


Durante a investigação, Faria até se defendeu, mas um sobrinho, em depoimento na Polícia Federal, afirmou que a cervejaria Itaipava funcionava como uma espécie de "banco" para a Odebrecht. Segundo ele, como a empresa mantinha dinheiro no exterior, topou disponibilizar valores em espécie para a empreiteira, com a cobrança de um percentual sobre as transações.


Na Lava Jato, Faria foi denunciado por 12 crimes de lavagem de dinheiro relacionados a repasses da Odebrecht. As doações eleitorais, segundo delatores da Odebrecht, chegaram a 81 políticos. As investigações envolvendo Faria foram anuladas pelo ministro Gilmar Mendes, em uma decisão que citou incompetência e imparcialidade de Sergio Moro para julgar o empresário.


Livre da Lava Jato, Faria não se livrou de brigas judiciais milionárias que envolvem trocas de acusações e exposição de valores usados em offshores, que podem desaguar no processo de recuperação judicial do Grupo Petrópolis.


Nascido em Macedônia, no interior de São Paulo, Faria vem de família pobre e começou a trabalhar aos dez anos, quando passou a morar na capital do Estado.


Nos anos 1990, ele se tornou distribuidor da Schincariol no interior de São Paulo. Expandiu o negócio para outros Estados e, ainda nos anos 1990, adquiriu a cervejaria Petrópolis, então conhecida pela marca Itaipava.


Com Terra e Infomoney

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