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Queijo de búfala do Marajó ganha selo de Indicação Geográfica de Procedência

O queijo de búfala produzido na Ilha do Marajó (PA), recebeu o registro de Indicação Geográfica (IG) na modalidade Indicação de Procedência. O registro, concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), permite, agora, que o nome da região geográfica do Marajó seja utilizado oficialmente no produto, atestando sua qualidade e reputação.



O queijo também é o primeiro produto da região Norte a receber o Selo Arte. Com esse reconhecimento, passa a ser identificado como um queijo artesanal tradicional brasileiro, permitindo a sua comercialização em todo o país.


Pela IG, a região na qual o queijo de búfala apresenta o saber-fazer tradicional da cultura local compreende os municípios de Cachoeira do Arari, Chaves, Muaná, Ponta de Pedras, Salvaterra, Santa Cruz do Arari e Soure. Esses locais fazem parte da base territorial do arquipélago do Marajó, mais especificamente dos chamados Campos do Marajó - Microrregião do Arari, Mesorregião Marajó, no Estado do Pará.


De acordo com estudo publicado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento (MAPA), em 2020, existem cerca de 70 queijarias no Marajó. As mais estruturadas chegam a produzir uma média de 60kg/dia a 100kg/dia, em época de safra; e entre 35kg/ dia a 70kg/dia, na entressafra.


Atualmente, o Marajó apresenta o maior rebanho de búfalos do Brasil, o que representa cerca de três vezes a população de todos os seus municípios. Os animais se tornaram símbolo da região e são, hoje, parte importante da economia do Marajó.


Com apoio do MAPA, os estudos para a obtenção do IG para o queijo da Ilha do Marajó começaram em 2014.


“Sempre acreditamos na IG como um instrumento de desenvolvimento local, dando segurança jurídica ao saber, valorizando o mestre queijeiro e, principiante, preservando a arte na produção do queijo”, comemora Gabriela Gouvêa Moura, presidente da Associação de Produtores de Leite e Queijo do Marajó (APLQMARAJO).


Filha de um tradicional queijeiro marajoara de Soure, ela lembra que a produção do pai recebeu o primeiro selo de origem do estado do Pará, liberando a venda da iguaria para fora da Ilha. Isso foi em 2011, quando os produtos da família tiveram o reconhecimento pela Lei de Produtos Artesanais. Dois anos depois, chegou a certificação do Queijo do Marajó como o primeiro produto com selo de inspeção sanitária.


Desde o século 19


A tradição no uso do leite de bubalina para fazer o queijo remonta ao final do século XIX e o início do século XX, quando houve o aumento do rebanho de búfalos na região. O leite da então nova espécie tornou-se matéria-prima para os produtores locais, em sua maioria, portugueses e franceses.


O queijo do Marajó nada tem a ver com a mozzarella de búfala de origem italiana, que, no Brasil, pode ser produzida misturando-se o leite de búfala com o leite de vaca.


Considerado uma iguaria, o queijo produzido no Norte do país é elaborado a partir do leite de búfala cru com fermentação espontânea, principal fator que os diferencia da maioria, principalmente dos produtos industriais.


No paladar, o queijo é mais cremoso com uma leve acidez e um final adocicado. É assim que a vice-presidente da APLQMARAJO, Bruna Luiza Silva, descreve o queijo do Marajó, que apresenta valores nutricionais de 59% a mais de cálcio, 47% a mais de fósforo, 30% a menos colesterol e maior teor de vitaminas A e D.


Como bisneta, neta, filha e sobrinha de uma família de autênticos queijeiros, Bruna observa que o saber-fazer do queijo traz, em sua gênese, a identidade de um povo:


“Há o sentimento de pertencimento a um território, a fixação de famílias no campo, a manutenção das nossas tradições carregando um modo de fazer único no mundo”.


A Coordenadora de Indicação Geográfica de Produtos Agropecuários do Mapa, Débora Gomide Santiago, acrescenta que o IG “pode gerar benefícios econômicos, sociais, ambientais para as regiões” do Marajó.


Selo ARTE


Regulamentado pelo Decreto nº 9.918/19, o Selo ARTE permite que produtos como queijos, embutidos, pescados e mel possam ser vendidos livremente em qualquer parte do território nacional, eliminando entraves burocráticos.


“É a realização de um antigo sonho de produtores artesanais de todo o Brasil. Já para os consumidores, é uma garantia de qualidade, com a segurança de que a produção é artesanal e de que respeita as boas práticas agropecuárias e sanitárias”, explica o Coordenador de Produção Artesanal do Mapa, Rodrigo Almeida.



Foto: Getty Images


Fonte e foto de abertura: site do Ministério da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento

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