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  • Sônia Apolinário

Obras do mestre brasileiro da xilogravura em exposição no MAR

José Francisco Borges, o J. Borges, de 86 anos, é Patrimônio Vivo de Pernambuco. Esse título é concedido pelo Estado aos mestres da cultura popular pernambucana, reconhecidos como Patrimônio Imaterial. Quem está no Rio de Janeiro vai poder conhecer 40 trabalhos dele na exposição "J.Borges - O Mestre da Xilogravura", em cartaz no Museu de Arte do Rio, até o final de fevereiro.



A mostra apresenta 10 obras inéditas, 10 matrizes inéditas e as 20 obras mais importantes da carreira do artista. Elas retratam a própria trajetória de vida de Borges, considerado pelo dramaturgo Ariano Suassuna como o melhor gravador popular do Brasil.


Ele é natural de Bezerros, no Agreste pernambucano, onde vive e trabalha até hoje. Filho de agricultores, com 10 anos foi para a lida do campo. O gosto pela poesia o fez encontrar, nos folhetos de cordel, um substituto para os livros escolares.


Na exposição, os visitantes poderão conferir obras que retratam diversas fases da história de Borges com os temas ‘No Tempo da Minha Infância’, ‘Na Minha Adolescência’, ‘Vendendo Bolas Dançando e Bebendo’, ‘Serviços do Campo’, ‘Cantando Cordel’, ‘Plantio de Algodão’, ‘A vida na Mata’, ‘Plantio e Corte de Cana’, ‘Forró Nordestino’ e ‘Viagens a Trabalho e Negócios’.

"Estou muito alegre com essa exposição sobre meu trabalho na xilogravura. Eu ainda quero viver bastante. O que me inspira é a vida, é a continuação, é o movimento. É aquilo que eu vejo, aquilo que eu sinto", afirma o artista.

A exposição reserva um lugar especial para a poesia popular, com um espaço dedicado à literatura de cordel. Cordelista há mais de 50 anos, os versos Borges tratam do cotidiano da vida simples do campo, o cangaço, o amor, os castigos do céu, os mistérios, os milagres, crimes e corrupção, os folguedos populares, a religiosidade, a picardia, entre outros assuntos. A originalidade, irreverência e personagens imaginários são notáveis nas suas obras.


“O nordeste brasileiro ocupa um lugar importante no imaginário popular. Essas manifestações são ainda mais fortes na Literatura de Cordel. Narram lendas e verdades também. Daí surge J. Borges, que oferece ainda mais vida a esses contos numa infinidade de imagens. Ele encontrou uma maneira acessível de retratar os desafios cotidianos de um povo”, ressalta Raphael Callou, diretor da Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI), instituição que faz a gestão do MAR.


A mostra trará ainda 2 obras assinadas por J. Miguel e Bacaro Borges, filhos e aprendizes do artista, além da exibição de uma cinebiografia sobre vida e obra do artista, assinada pelo jornalista Eduardo Homem.


“A arte visual brasileira se tornou mais importante depois que J.Borges começou a criar seu trabalho de xilogravuras, tornando-se um dos maiores xilogravuristas do mundo. Sem dúvidas, ficará na memória do público para sempre”, afirma Angelo Filizola, curador da exposição.


O artista desenha direto na madeira, equilibrando cheios e vazios com maestria, sem a produção de esboços, estudos ou rascunhos. O título é o mote para Borges criar o desenho, no qual as narrativas próprias do cordel têm seu espaço na expressiva imagem da gravura. O fundo da matriz é talhado ao redor da figura que recebe aplicação de tinta, tendo como resultado um fundo branco e a imagem impressa em cor. As xilogravuras não apresentam uma preocupação rigorosa com perspectiva ou proporção.


Serviço

Exposição "J.Borges - O Mestre da Xilogravura"Museu de Arte do Rio

Local: Museu de Arte do Rio - Praça Mauá, 5 - Centro

Data: até 27 de fevereiro

Funcionamento: Quinta a domingo, das 11h às 18h ( última entrada às 17h15)

Inteira: R$ 20 | Meia: R$ 10

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