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  • Sônia Apolinário

O bordel do poder político brasileiro

O universo do poder político brasileiro pela ótica da prostituição que gravita em torno dele. Esse é o tema do livro “O outro lado do poder – A história da política brasileira pela ótica das prostitutas”, do jornalista Sílvio Barsetti, que será lançado nesta terça-feira (25), na Livraria Travessa do Leblon (RJ).


Ambientado boa parte em Brasília, o livro descortina o papel das agenciadoras do prazer e desvenda o funcionamento da indústria do sexo no universo político. Há fatos protagonizados por notórios conquistadores do primeiríssimo escalão - como os ex-presidentes Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e Itamar Franco, além de figuras não menos importantes, como Jânio Quadros, por exemplo.


Barsetti revisita bordéis e cabarés frequentados por presidentes, joga luz sobre as festas de arromba animadas por parlamentares e lobistas à beira do lago Paranoá, e traz à tona eventos em hotéis arrendados para celebrar contratos milionários com o poder público.


Segundo o autor, são todos episódios reais "que reforçam o tão decantado caráter afrodisíaco do poder:


“As histórias do livro mostram que as prostitutas sempre exerceram sua atividade pautadas pela ética e respeito aos clientes. Não diria o mesmo dos políticos, especialmente quando se valem da indústria do prazer com dinheiro público e a usam também para intermediar negócios com o governo”, comenta o jornalista, autor também do livro “A Farra dos Guardanapos – O último baile da era Cabral”


Pílulas


Bordel democrático

Famoso bordel de Curitiba na primeira metade do século passado, a Casa de Otília recebia muitos políticos, entre eles o presidente Getúlio Vargas. As melhores suítes acolhiam os mais poderosos. À clientela menos privilegiada ficavam reservados quartos improvisados no quintal. Era um espaço de prazer democrático, que recebia, indistintamente, o rico e o pobre, o figurão e o anônimo. Na Casa de Otília, não se perdia negócio. No fim da noite, com a redução no movimento, o preço do serviço caía. Era uma perfeita aula de liberalismo econômico, com a lei da procura e da oferta regulando os valores dos serviços ali oferecidos.


As primeiras farras

A construção de Brasília fez surgir o primeiro bordel, perto do Palácio do Alvorada. Numa localidade conhecida como Veneza, tinha como público-alvo os profissionais encarregados de erguer e urbanizar a capital, assim como empresários e políticos. Já os peões seguiam nos fins de semana em caminhões lotados para Luziânia ou Formosa, em Goiás.

“Nesses lugares, a fila às vezes reunia uns 300 homens, e as mulheres iam gritando: ‘Tô livre!’. Quando saía o pagamento, então, era um inferno”, conta uma das prostitutas que trabalhou por lá.


Comemoração de Collor

Logo após a vitória de Fernando Collor sobre Lula, em 1989, seu irmão Pedro, que ainda mantinha uma relação fraterna com Fernando, contratou a agenciadora Jeany Mary Corner para organizar uma das festas da vitória do novo presidente. A celebração foi na boate A Côrte, no Hotel St. Paul Plaza, na Asa Sul. Pedro pediu as prostitutas mais belas da capital. “Pode deixar, vou fazer a lista. Mas vai ficar caro, doutor Pedro”, alertou Jeany. “Isso não importa”, respondeu o irmão do presidente, decidido a não economizar.


Festas de Palocci

A mansão no Lago Sul onde o ministro Antonio Palocci, deputados e assessores foram denunciados por promover festas com garotas de programa, entre 2003 e 2004, tinha quatro suítes, piscina, campo de futebol e quadra de tênis. Na época, foi alugada por R$ 60 mil, por seis meses. Ficou conhecida como sede da República de Ribeirão Preto. As prostitutas contratadas, fornecidas pela agenciadora Jeany Mary Corner por cerca de R$ 70 mil por noite, misturavam água com guaraná e enchiam seus copos com pedras de gelo, para simular que tomavam uísque com energético. A denúncia, feita pelo caseiro Francenildo dos Santos Costa ao jornal “O Estado de S. Paulo”, provocou a queda de Palocci.


Marcha do prazer

A Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios reúne todo ano, no mês de abril, quase dez mil prefeitos, vereadores e secretários municipais. Cada edição se estende por três dias e lota boates da capital. É o grande momento do mercado da prostituição no país. Centenas de moças de cidades vizinhas chegam a Brasília em caravanas. Na edição de 2019, o prefeito de Tibagi, no Paraná, Rildo Emanoel Leonardi (MDB), foi flagrado seminu pelas câmeras do elevador de um hotel da Asa Sul de Brasília, em relações íntimas com uma mulher. No mesmo hotel, câmeras do corredor de outro andar registraram o momento em que mais um prefeito, de uma cidade de Rondônia, circulou nu de madrugada.


Serviço

Lançamento do livro “O outro lado do poder – A história da política brasileira pela ótica das prostitutas”

Autor: Sílvio Barsetti

Editora: Máquina de Livros

Dia: 25 de outubro 2022

Horário: 19h

Local: Livraria Travessa do Leblon - Av. Afrânio de Melo Fanco 290, 2 andar (Shopping Leblon)

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