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Mondial de Là Biere Rio online terá colabs exclusivas, lançamento de livro e marca de cara nova

A versão online do Mondial de Là Biere Rio 2020 vai ao ar no sábado, 12 de dezembro, a partir das 14h. Serão oito horas de programação, entre atrações ao vivo e gravadas, que poderão ser acompanhadas pelo canal do Youtube do evento.


O QG será no Narreal Brewhouse, que fica em Botafogo. O local ficará fechado para o público. Lá dentro, 30 taps estarão plugados. Alguns deles com cervejas colaborativa feitas especialmente para a versão virtual do festival, que será usado como plataforma para lançamento de livro e até reposicionamento de marca no mercado.


Narreal


Onze cervejarias produziram sete colaborativas com o brewpub, mas só quatro estarão plugadas:


1 – BrewLab (Niterói, RJ) e Spartacus (MG) - New England Micro IPA com 2,8% ABV.

2 – Overhop (RJ) e Suricato (Porto Alegre, RS) – Pastry Sour, uma cerveja ácida com infusão de frutas vermelhas.

3 – MinduBier (BA) – New England IPA com licuri, fruta também conhecida como coquinho da Caatinga.

4 – Bastards (Curitiba, PR) e Da Corte (Petrópolis, RJ) - Christmas Pudding Ale, ou Pastry Old Ale.


A inspiração para esta cerveja veio de um pudim, tradicionalmente servido como parte do jantar de Natal, no Reino Unido e Irlanda. Cervejeiro e consultor do Narreal, Pedro Ribeiro explica:


“Esse pudim tem suas origens na Inglaterra medieval e, às vezes, é conhecido como pudim de ameixa. Mas, apesar do nome, o doce não contém ameixas. É que essa era a palavra usada, na era pré-vitoriana, para ‘passas’. O pudim é tradicionalmente composto por treze ingredientes, simbolizando Jesus e os Doze Apóstolos. Inclui muitas frutas secas, cenoura, às vezes, umedecidas com melaço e aromatizadas com canela, noz-moscada, cravo, gengibre, e outras especiarias. O pudim geralmente é envelhecido por um mês ou mais - ou até um ano. O alto teor alcoólico do pudim (derivado da adição de brandy) evita que ele estrague durante esse período.”


As produções começaram a ser feitas mês passado e três, segundo Pedro Ribeiro, não ficaram prontas a tempo de participar do festival online: a Imperial Stout com a 5Elementos (CE), a Geuze com a Octopus (RJ) e a Imperial Sour com café, cacau e baunilha com Dádiva (SP) e Japas (SP).


Blends de cervejas do próprio brewpub ocuparão outros dez taps.


No festival, o Narreal ainda vai lançar um warm brew, um café com infusão de água levemente aquecida. Foi produzido em colaboração com a Hugin & Munin Coffee Art e também estará disponível para ser pedido pelo delivery.


Cozinha e outras instalações do local serão utilizadas para lives, ao longo do evento. Degustação guiada, aulas de culinária e criação de drinques com cerveja, além de apresentações musicais fazem parte da programação.


Durante todo o evento, o taproon da Brewlab, na Vila Cervejeira, em Niterói, estará funcionando para público, delivery e take away


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Livro


“APAputaquepariu: como troquei a carreira corporativa pela cerveja” é o livro que terá pré-lançamento, no Mondial online. O autor é Christian Luiz, cervejeiro criador da marca Aqueles Caras.


Desde abril do ano passado, ele mora em Haia, na Holanda. A mudança do Brasil interrompeu sua atividade como cervejeiro. O livro, segundo ele, é até uma “certa satisfação” que ele dá para o consumidor.


“Eu parei a produção e nunca expliquei para as pessoas que ainda perguntam pela APAputaquepariu. Por ser cigano, achava que conseguiria manter a cervejaria à distância, mas não dá”, explica Christian.


O nascimento da segunda filha e uma situação de violência sofrida no Rio de Janeiro motivaram a vontade de mudança da família para a cidade natal da mulher do cervejeiro. O livro, segundo ele, foi quase que um “expurgo”.


Com 285 páginas, conta sua trajetória de ex-funcionário de empresa de TI até os anos iniciais da cervejaria. Antes de lançar a marca, ele se aventurou no empreendedorismo apostando em um clube de assinaturas de cerveja. Foi em uma edição do Mondial de Là Biere Rio, mais precisamente em 2015, que o negócio mudou em função do sucesso da APAputaquepariu. O rótulo havia sido criado como atrativo para as vendas de assinaturas.


“No livro, eu não digo o que as pessoas devem ou não devem fazer. Quero que cada um tire suas conclusões. Eu conto minha experiência e espero que os meus erros possam ajudar as pessoas a não errarem também”, comenta o autor.


Seu principal erro? Ele cita três:

Não ter estabelecido acordos comerciais corretos;

Achar que poderia fazer tudo sozinho;

Não ter montado um time fixo para “vestir” a camisa da cervejaria com ele.


Aqueles Caras surgiu um pouco antes do boom das cervejarias artesanais ciganas cariocas. Christian afirma que nunca encarou o grande número de marcas lançadas depois como problema. Na sua opinião, seu maior problema foi “falta de braços”, mesmo.


O livro termina com o que pode ser chamado de auge da cervejaria. Christian narra como a Aqueles Caras quase se tornou sócia da Mistura Clássica:


“Talvez o acordo não tenha dado certo por não ter sabido fazer o contrato corretamente. Eles não gostaram da minha proposta e, depois de três meses, que foi o período de teste, terminamos. Mas eu saí motivado desse episódio”, conta.


O restante da trajetória da cervejaria Aqueles Caras, Christian promete narrar em um segundo livro.


Pré-venda: 12 de dezembro

Lançamento: 17 de dezembro

Disponível na Amazon e Google Play Livros


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Rebranding


Há três anos no mercado, a Sundog, cervejaria cigana do Rio de Janeiro, vai aproveitar o Mondial online para apresentar para os consumidores o novo momento da marca que ganhou “roupa” nova e ajustes em várias receitas.


Sergio Fonchaz, um dos sócios da marca explica:


“As pessoas olhavam a Sundog como uma marca um pouco sombria, dark ou mesmo heavy metal, mas nossa proposta nunca foi essa.

Nossa proposta sempre foi fazer cervejas históricas. De toda a nossa linha, a Black Magic é a que é um pouco mais sombria, digamos assim, por conta da história que ela conta. Esse rótulo tem uma base de Stout e presta uma homenagem a mulheres tidas como bruxas e, portanto, queimadas, durante a Inquisição, na Idade Média. A principal mudança da Sundog é essa recontextualização, essa aproximação de um público que curte a ideia de que cada garrafa conta uma história diferente”.


Em relação às receitas, as mudanças, segundo Sergio, tiveram como objetivo tornar a cerveja mais “adaptada” à realidade do Rio de Janeiro, “um lugar que é praticamente verão o ano todo”.


“Nossas cervejas são muito alcoólicas, fortes, até as mais leves como a Edda (California Common). Fizemos uma reformulação nas receitas, mas sem perder o perfil de degustação que a Sundog criou”, comenta o cervejeiro.


Assim, a Hella (Dampfbier, receita histórica dos vilarejos bávaros) que começou com 7% ABV e chegou a ter 9%, agora, ficou com 6% de teor alcoólico; a Dogfest (Festbier) passou de 6% para 5%; a Edda de 5,5% para 5%. A Gods IPA tinha 7% e vai passar para 6%. A Sahti (cerveja Viking, fermentada com fermento de pão e feita por decocção com pedras quentes) que tinha 11% vai ficar com 8%; a Black Magic (Dark Ale) que tinha 10% fica com 7% .


A Pictii (Old Braggot) é uma das poucas que não vai mudar. Sergio explica que o tipo de levedura usada, não permite grandes controles. Tanto que, na produção de 2018, o rótulo ficou com 20% ABV e, no ano seguinte, 19%.


"Essa queda não foi proposital. As leveduras dessa cerveja são dramáticas, às vezes, exageram. Então, a Pictti deve se manter nesse padrão. Fora isso, o que a gente puder trazer para o perfil mais adequado ao carioca, a gente vai trazer", comenta Sergio.


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Confira a programação


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