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Monólogo leva para o palco 'defesa' do prazer sexual das mulheres

No século 21, a liberdade sexual de uma mulher ainda incomoda? Incomoda, causa perplexidade, revolta e pode até fazer rir – e muito. É nessa última situação que aposta a atriz Juliana Martins. Ela misturou “peripécias” dela e de amigas e criou o monólogo “O Prazer é Todo Nosso”, peça online que estreia sábado, dia 13, às 20h.


No palco do teatro Petra Gold, sem público na plateia, Juliana assumirá o papel de Andreia Lima, “por acaso”, uma atriz. Por intermédio dela, “causos” vividos ou narrados por várias mulheres reais estarão em cena. Experiências da própria Juliana são o ponto de partida de tudo.


“Quando me separei, depois de ficar casada por muitos anos, o mais difícil foi passar pela desconstrução do antigo núcleo familiar. Depois, decidi que iria ficar com um monte de gente. E fiquei, namorei e ainda namoro. Quando contava minhas histórias para amigas e amigos, muitos se surpreendiam e todos riam. Aos poucos, fui percebendo que eu falava sobre coisas que aconteciam com muitas mulheres”, conta Juliana.


Atualmente com 47 anos, ela se casou quando tinha 22 anos. Aos 26, teve sua primeira e única filha. Ficou casada por 17 anos. Como diz Juliana, na época em que as amigas estavam “pegando geral”, ela estava aninhada com marido e filha. Uma vez separada, decidiu que iria recuperar, não o tempo perdido, mas talvez, experiências perdidas.


Engana-se quem acha que sua primeira atitude foi baixar um desses aplicativos de encontros. Ela conta que nem chegou perto deles – simplesmente porque não precisou. Foi no chamado Baixo Gávea, na Zona Sul carioca, que ela encontrou todos os namorados que quis. Juliana não confirma a história de que há falta de homens “no mercado”.


“Eu queria viver outras experiências e foi fácil ter isso. Acho que é porque sei o que quero. Conheço o homem que combina comigo. Isso porque, aos poucos, fui entendendo o que eu gosto”, comenta a atriz.


E ela gosta, e muito, de se apaixonar, mas também, de namorar. Agora, mesmo, ela está iniciando um novo namoro. Se a pandemia de combate ao Coronavírus não a permitiu mais ir ao Baixo Gávea, papear com uma antiga paquera, pelas suas redes sociais, acabou por render bons frutos. Um segredinho que ela revela: só se aproxima de alguém que ela tenha alguma referência. Ela escolhe seus parceiros a dedo.


Apesar da história da peça girar em torno de experiências femininas, ironicamente, foram dois homens que contribuíram, e muito, para o projeto acontecer. Primeiro, foi o ator Alexandre Borges, seu amigo, que estimulou que ela colocasse os, até então, relatos, no papel. A partir daí, perceberam que o tema que estava em “jogo”, realmente, era a liberdade de ser. Foi nesse ponto, segundo Juliana, que a “potência” das histórias se mostrou.


Na hora de transformar os textos em uma peça de teatro, Juliana tentou, primeiro, cria-lo com outras duas mulheres. Porém, como ela diz, “não rolou”. Foi então que entrou em cena outro amigo, Beto Brown, que se tornou o autor da peça.


Juliana conta que não abriu mão de ser dirigida por uma mulher e convidou outra amiga, Bel Kutner, para a tarefa, por considera-la “forte e livre”. Nesse caso, “rolou”.


“Ainda existe o estigma de mulher que gosta de sexo não pode ser boa mãe ou boa profissional. Acredito que esse pensamento machista é uma característica bem brasileira. Penso que, em outros países, talvez a peça nem faça sentido. Falar com naturalidade sobre sexo e o que nos provoca prazer ainda é tabu. A peça mistura experiências, mas expressa a minha opinião. É um texto que se posiciona”, observa Juliana.


Quando a peça começou a se tornar realidade, a atriz, que mora com a filha – atualmente, uma jovem adulta, fez questão que ela fosse a primeira a ler o texto para que não levasse sustos, no futuro. Com o sinal verde da filha, foi a vez do ex-marido tomar conhecimento do texto. Segundo Juliana, ele gostou e riu muito.


De tudo o que é falado em cena, temas como assédio e pedofilia são os que mais emocionam a atriz e continuaram a emocionar, durante os ensaios.


No palco, ela usa um figurino de duas peças. Inicialmente, ela teria na companhia da plateia, quando estivesse em cena. Porém, com as novas medidas de restrições para conter a pandemia do Coronavírus, a peça será apresentada apenas online, mas ao vivo, via Zoom.


Juliana estará no palco do teatro. Sua imagem será captada por três câmeras – uma geral e duas em close e, em casa, o público poderá escolher de que forma prefere ver o espetáculo, a cada momento.


A temporada prevê quatro apresentações. Se depender de Juliana, Andréia Lima não sairá de cena tão cedo. Ela tem planos para transformar a peça em série ou até podcasts.


“As mulheres têm que buscar a realização sexual porque seremos mais felizes assim. Tem que acabar essa relação entre sexo, culpa e pecado. Precisamos associar sexo a prazer de viver, entender que nosso corpo é uma festa. Sem culpas”, afirma.



Serviço


"O Prazer é Todo Nosso"

Apresentações dias 13, 20 e 27 de março e 3 abril de 2021

Sempre às 20h

Temporada online

Ingresso: a partir de R$ 20,00


Para comprar, aqui





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