• Sônia Apolinário

'A Dama de Branco' marca lançamento póstumo do autor Sérgio Sant’Anna

Pouco mais de um ano após sua morte, o escritor Sérgio Sant’Anna terá um livro lançado, na quinta-feira, 19 de agosto. “A Dama de Branco” se passa no Rio de Janeiro, no início da pandemia do Coronavírus e tem um “clima de morte pairando ao redor”. Aos 78 anos, o escritor foi uma das vítimas do Covid-19, no país. Ele morreu em maio de 2020.


A obra póstuma conta com organização e apresentação de Gustavo Pacheco, antropólogo, embaixador, escritor e amigo de Sant’Anna – além de ter sido um dos fundadores do bloco Cordão do Boitatá.


“A Dama de Branco” é tido como o último texto escrito por Sant'Anna. Além da narrativa que dá título ao livro, o volume é composto por outros dezesseis contos – que tratam da solidão, da memória, do desejo e da própria escrita – além de uma novela, que estava em vias de ser terminada.


No conto ambientado no Rio de Janeiro do início da quarentena, o narrador passa a observar uma vizinha, que saía de madrugada para dar uma volta no estacionamento a céu aberto. Embora ela não soubesse que estava sendo acompanhada, uma estranha cumplicidade se estabelece entre os dois. Para o narrador, sua presença simbolizava a promessa de um encontro arrebatador, ao mesmo tempo em que representava a morte pairando ao redor.


Carioca, Sant'Anna viveu em Belo Horizonte (MG), Paris (França) e Iowa (EUA) antes de voltar para o Rio de Janeiro. Formando em Direito, em 1977 se tornou docente na Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).


Ele se sentia “confortável” como contista, mas sua obra mais famosa foi o romance “As Confissões de Ralfo” (1975) até que, em 1980, com “O concerto de João Gilberto no Rio de Janeiro”, elevou o conto a um paradoxal patamar quase semelhante ao de um romance.


A sensualidade perpassa pela sua obra e explode em “Amazona” (1986), um retrato transgressor sobre a libertação da mulher. O livro não só destoava da produção literária da época, mas acertava em cheio as questões políticas do país, que dava os primeiros passos em direção à transição democrática.


Já a novela “A senhorita Simpson” (1989) serviu de inspiração para o diretor Bruno Barreto fazer o filme “Bossa Nova”, uma comédia romântica protagonizada por Amy Irving e Antonio Fagundes.


A última obra, até então, publicada por Sant'Anna foi “O Livro de Praga” (2011), uma reunião de sete contos que abordam transcendência, arte, sexo e morte.



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